Disney volta a demitir centenas de funcionários em nova rodada de cortes

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Josh-Damaro Disney volta a demitir centenas de funcionários em nova rodada de cortes

A Disney passou boa parte de 2026 reorganizando sua estrutura interna. Desde que Josh D’Amaro assumiu o cargo de CEO em março, diferentes áreas da companhia já enfrentaram cortes, mudanças de liderança e revisão de despesas.

O movimento ainda não terminou. Depois das demissões de abril e julho e de um programa de aposentadoria antecipada oferecido a funcionários mais antigos, a empresa iniciou nesta terça-feira (29) mais uma rodada de desligamentos.

De acordo com o The Hollywood Reporter, algumas centenas de funcionários estão perdendo seus cargos, com os cortes concentrados principalmente nos departamentos de Recursos Humanos e tecnologia. Outras fontes ouvidas pela imprensa norte-americana colocam o número próximo de 300 pessoas.

Desta vez, as operações de cinema e televisão escaparam da maior parte das reduções. Isso diferencia a rodada atual daquela realizada em julho, quando estúdios, ESPN e Disney Entertainment Television também foram atingidos.

Disney já fez grandes cortes em 2026

As demissões desta semana são mais uma etapa de uma reorganização que começou pouco depois da troca no comando da empresa.

Em abril, aproximadamente 1.000 cargos foram eliminados. Boa parte das mudanças estava relacionada à criação de uma estrutura unificada de marketing, mas os desligamentos também chegaram aos estúdios, televisão, ESPN, produtos, tecnologia e departamentos corporativos.

Na época, Josh D’Amaro comunicou pessoalmente a decisão aos funcionários em um memorando. O Guia Disney+ Brasil publicou a mensagem enviada pelo novo CEO, na qual ele explicou que a empresa estava revendo sua organização e a maneira de direcionar recursos.

Aquela rodada chegou inclusive à Marvel Studios. A divisão perdeu grande parte da equipe de desenvolvimento visual responsável pela criação de conceitos de personagens, figurinos e cenas antes das filmagens. Artistas que deixaram a Marvel falaram posteriormente sobre os cortes.

Em julho, outras centenas de posições foram eliminadas. Entre os estúdios, a Pixar sofreu a maior concentração de desligamentos, enquanto a National Geographic ficou entre as áreas mais atingidas dentro da televisão. A ESPN também perdeu funcionários.

A sequência já havia levado a própria administração a reconhecer que novos cortes poderiam acontecer.

No fim do ano fiscal de 2025, a Disney tinha cerca de 231 mil funcionários, sendo aproximadamente 172 mil nos Estados Unidos e 59 mil em outros países.

Tecnologia ganha espaço enquanto equipes são reduzidas

Os cortes chamam atenção por atingirem justamente a área de tecnologia em um período no qual D’Amaro vem colocando esse setor no centro de algumas de suas principais mudanças.

Em setembro, a Disney criou pela primeira vez o cargo de diretor de tecnologia para toda a companhia e contratou Karandeep Anand, ex-CEO da Character.AI. O executivo passa a responder diretamente a D’Amaro e terá responsabilidade sobre diferentes equipes tecnológicas da empresa.

Isso não significa que as demissões anunciadas agora sejam resultado direto da adoção de inteligência artificial. Não há confirmação nesse sentido. O que a Disney vem dizendo é que pretende reduzir despesas administrativas enquanto direciona recursos para áreas consideradas prioritárias.

Esse processo também aparece em outros departamentos. A divisão jurídica e de assuntos governamentais está passando por uma reorganização própria, separada dos cortes desta terça-feira. Em um memorando recente, o diretor jurídico Horacio Gutierrez informou que a área deverá ficar menor e citou automação, serviços compartilhados e novas tecnologias entre as ferramentas previstas para a reestruturação.

Em agosto, a companhia já havia oferecido pacotes de aposentadoria antecipada para parte dos profissionais mais antigos. Na ocasião, a diretora de Recursos Humanos, Sonia Coleman, também indicou que reduções involuntárias de pessoal continuariam ocorrendo e poderiam avançar para 2027.

Ao mesmo tempo, outras mudanças internas continuam avançando. Neste mês, por exemplo, a Disney ampliou a exigência de trabalho presencial para funcionários de produtos e tecnologia que ainda tinham autorização para trabalhar totalmente de casa.

A nova rodada mostra, portanto, que a reorganização iniciada nos primeiros meses da gestão de Josh D’Amaro ainda está em andamento. Depois de cortes em marketing, estúdios, televisão, ESPN, Pixar e National Geographic, agora são principalmente as estruturas de Recursos Humanos e tecnologia que passam pela revisão.

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