Disney prepara venda bilionária da dona de History, A&E e Lifetime

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Durante décadas, os canais de TV por assinatura ajudaram grandes grupos de mídia a financiar filmes, séries e outras produções. Esse modelo ainda gera receita, mas perdeu espaço à medida que o público migrou para serviços de streaming e plataformas gratuitas de vídeo.

A Disney não ficou de fora dessa mudança. Nos últimos anos, a empresa concentrou recursos no Disney+, no Hulu, na ESPN e em suas franquias próprias, enquanto avaliava quais negócios ainda faziam sentido dentro de sua estrutura.

Uma parceria mantida há mais de 40 anos agora está perto de passar por sua maior alteração. A Disney deve vender sua participação de 50% na A+E Global Media, grupo responsável por canais como History, A&E, Lifetime e FYI.

Segundo informações publicadas pelo Deadline, a compradora será a Hearst Communications, que já possui os outros 50% da companhia. A negociação em dinheiro deve superar US$ 1 bilhão, cerca de R$ 5,2 bilhões na cotação atual.

O acordo ainda não foi anunciado oficialmente. A expectativa é que a Disney apresente os detalhes em 5 de agosto de 2026, quando divulgará seus resultados financeiros referentes ao terceiro trimestre fiscal. A própria companhia confirmou que realizará a apresentação aos investidores nessa data.

Hearst deve assumir o controle total da A+E Global Media

A A+E Global Media funciona atualmente como uma sociedade dividida igualmente entre Disney e Hearst. Nos documentos financeiros da Disney, a empresa aparece como um investimento de participação societária de 50%, e não como uma subsidiária controlada diretamente pelo grupo.

Seu portfólio inclui os canais A&E, History, Lifetime, LMN e FYI, além do estúdio A+E Studios e de divisões voltadas para documentários, produções não roteirizadas, filmes independentes e licenciamento internacional.

Com a compra da parte da Disney, a Hearst passará a controlar 100% da companhia. Roku e Starz também teriam demonstrado interesse durante o processo, mas a atual sócia sempre apareceu como a candidata mais lógica, pois já participa da administração e conhece os negócios da A+E.

A operação começou a ganhar forma em julho de 2025, quando Disney e Hearst contrataram o banco Wells Fargo para avaliar compradores e possíveis formatos para a transação. Naquele momento, chegou a ser considerada a venda de toda a A+E Global Media. A solução encontrada, porém, mantém a companhia intacta sob o comando de apenas um proprietário.

A venda não inclui a ABC, o FX, a National Geographic, os canais Disney ou a ESPN. Essas empresas pertencem a outras estruturas corporativas e continuarão sob o controle da Disney.

Mudança começou a ser preparada durante a gestão de Bob Iger

A redução da presença da Disney na televisão tradicional vem sendo discutida publicamente desde 2023. Na época, Bob Iger afirmou que alguns canais lineares poderiam deixar de ser considerados essenciais para o futuro da companhia, assunto que já havia sido abordado quando o executivo comentou os planos para Disney+, Hulu, ESPN e canais de TV.

A A+E se encaixa de forma particular nessa discussão. Diferentemente da ABC, do FX e da National Geographic, a Disney nunca teve controle total sobre suas operações. Qualquer decisão estratégica precisava passar pela Hearst, o que dificultava uma integração completa com o restante do grupo.

O negócio deve ser anunciado durante a gestão de Josh D’Amaro, que assumiu oficialmente o cargo de CEO da Disney em 18 de março de 2026, no lugar de Bob Iger. Mesmo assim, as conversas para encontrar um comprador começaram antes da troca no comando.

A Hearst também continua sendo sócia da Disney na ESPN. A companhia possui 20% da rede esportiva, enquanto os outros 80% pertencem à Disney. Apesar dessa relação, não há indicação de que a participação na ESPN faça parte da negociação envolvendo a A+E.

Os relatos disponíveis descrevem a operação como uma compra integralmente paga em dinheiro. Portanto, não há base concreta para afirmar que a Disney receberá ações da ESPN ou aumentará sua fatia na rede esportiva como parte do acordo.

A ESPN, por sinal, segue em uma posição bem diferente dentro da estratégia da companhia. A Disney já decidiu que não pretende vender ou separar a rede esportiva, considerada essencial para a expansão das transmissões ao vivo no streaming.

O que pode mudar no Disney+ e no Hulu

Produções dos canais History, Lifetime e A&E aparecem há anos no Hulu dos Estados Unidos. Alguns desses conteúdos também chegam ao Disney+ em mercados onde a plataforma reúne títulos voltados ao público adulto.

A venda da participação da Disney, porém, não provoca uma retirada automática dessas séries e documentários. A disponibilidade depende de contratos de licenciamento, prazos, territórios e acordos de distribuição que podem continuar válidos mesmo depois da mudança de controle.

A Hearst poderá renovar os contratos com a Disney, negociar os programas com outros serviços ou direcionar parte do catálogo para plataformas próprias e canais gratuitos financiados por publicidade. Nada disso foi anunciado até agora.

No Brasil, onde o Hulu passou a funcionar como uma marca dentro do Disney+, também não existe uma lista de títulos afetados. O catálogo brasileiro segue regras próprias e não replica integralmente a oferta disponível nos Estados Unidos.

É possível que algumas produções envolvendo a A+E deixem o Disney+, como a série já cancelada Big Sky, ou quando os contratos atuais terminarem, mas qualquer previsão mais específica seria prematura. A Disney não informou datas de remoção, alterações no licenciamento ou mudanças imediatas para os assinantes.

A confirmação oficial deve esclarecer o valor definitivo, as condições da venda e possíveis prazos regulatórios. Até a apresentação financeira de 5 de agosto, o negócio deve ser tratado como uma negociação avançada divulgada por veículos especializados, e não como uma transação já concluída.

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