
Jon Bernthal está de volta como Frank Castle no universo da Marvel, mas o título do novo especial no Disney+ deixou muita gente coçando a cabeça desde o anúncio. O Justiceiro: Uma Última Morte? Isso pareceu como uma despedida definitiva do personagem, um bilhete de adeus.
A confusão era proposital. E o diretor Reinaldo Marcus Green contou tudo.
Green, que assina a direção do especial, concedeu uma entrevista ao site The Direct durante a divulgação do projeto e explicou como o título funciona como uma espécie de armadilha bem construída para o espectador.
A ideia não era confundir por acidente, mas criar uma sensação específica logo de cara: a de que Frank Castle pode estar se despedindo.
Não está.
“Uma distração no melhor sentido”
Green foi direto ao ponto quando perguntado sobre a escolha do título. Ele reconhece que a Marvel tem participação significativa nessas decisões, mas defende a escolha com entusiasmo.
“É uma distração no melhor sentido”, disse o diretor. Segundo ele, a reação dos fãs ao ver o título pela primeira vez era exatamente o que se esperava: a pergunta “O Justiceiro vai parar?”, a estranheza, a preocupação de que o personagem estivesse sendo encerrado antes de ganhar tração no MCU.
Mas Green deixa claro que, ao assistir ao especial completo, tudo faz sentido. E mais do que isso: o título ganha uma segunda camada de significado quando o espectador entende a que, afinal, ele se refere. “Quando você percebe que talvez não seja o fim, isso torna o título ainda mais legal”, ele resumiu.
O diretor também falou sobre o prazer que sente em subverter expectativas como ferramenta narrativa. Para ele, é “divertido como cineasta” encontrar formas de levar o público numa direção e depois mudar o jogo. O título de Uma Última Morte foi um dos pontos em que essa lógica se aplicou, e Green afirma que tentou fazer isso em vários níveis ao longo do especial.
A ressalva, claro, é não exagerar. “Espero que faça isso de uma forma que não incomode as pessoas e que as deixe satisfeitas quando virem o final”, admitiu o diretor.
Frank Castle no MCU: uma versão diferente do que os fãs conheciam

A versão do Justiceiro que a Marvel está construindo no MCU é deliberadamente distinta do que estava na Netflix. Naquela plataforma, Frank Castle era um anti-herói raivoso, violento sem cerimônia, classificação +18 sem negociação. Duas temporadas solo e aparições espalhadas por outras produções Marvel da Netflix definiram bem esse perfil.
No MCU, a proposta é outra. O Justiceiro: Uma Última Morte é descrito como um estudo de personagem, algo mais intimista e denso do que os projetos anteriores com Frank Castle. Se antes a ação estava sempre no centro, aqui o personagem é dissecado de um jeito que os outros trabalhos não fizeram.
Isso também explica a escolha do formato. O especial funciona como uma história em quadrinhos de edição única, aquele tipo de publicação que entrega um momento importante do personagem em poucas páginas, mas com peso o suficiente para importar.
E esse peso vai ser necessário para o que vem a seguir. Frank terá um papel relevante em Homem-Aranha: Um Novo Dia, um filme com tom e classificação bem diferentes de qualquer coisa que o Justiceiro já protagonizou.
Não faz sentido narrativo ter um personagem matando gente aos montes numa produção e chegando totalmente diferente na próxima sem nenhuma justificativa.
Uma Última Morte entrega essa justificativa. O especial existe para preparar o terreno, para mostrar quem Frank Castle é agora antes que ele apareça no universo de Peter Parker.
Justiceiro: Uma Última Morte estreia às 22:00 desta terça-feira, 12 de maio, no Disney+.