
Oscar Isaac não esconde o carinho que tem pelo Cavaleiro da Lua. Mas também não entrega o personagem de qualquer jeito.
Em uma conversa com Josh Horowitz, o ator abriu o jogo sobre o que seria necessário para ele revisitar Marc Spector, Steven Grant e Jake Lockley no universo da Marvel, desta vez no aguardado (e muito especulado) projeto Filhos da Meia-noite.
A resposta, em resumo: respeito ao tema. Sem isso, sem acordo.
Cavaleiro da Lua estreou no Disney+ em 2022 e, apesar de algumas imperfeições, conquistou o público com uma abordagem incomum para os padrões do MCU. O grande diferencial foi a representação do Transtorno Dissociativo de Identidade (TDI), tratada com seriedade. Isaac carregou isso na pele, literalmente, ao dar vida a múltiplas personalidades distintas.
Desde o fim da série, o personagem sumiu da franquia. Marc e Steven pareciam livres da influência do deus Khonshu, até o último instante revelar que Jake Lockley, a personalidade mais violenta do trio, continuava operando nas sombras. O gancho ficou no ar, e o retorno do herói ainda não tem data.
“Tem que levar a sério, mesmo sendo história em quadrinhos”

Isaac contou a Horowitz o que o atraiu para o projeto originalmente. O ponto de partida foi o diretor Mohamed Diab.
“Eu amei o filme que ele tinha feito antes, Cairo 678. É um filme incrível. Pensei: ‘Caramba, esse cara tem um ponto de vista muito interessante.'”
Ele nunca tinha ouvido falar do Cavaleiro da Lua antes da proposta chegar. O que o convenceu foi a percepção de que havia espaço criativo real ali.
E foi exatamente essa ideia de “espaço” que ele trouxe de uma conversa com Willem Dafoe.
“Ele me disse: ‘Eu procuro espaço. Tem espaço para criar alguma coisa? Se for só entregar aquilo que já está escrito, não me interessa. Quero espaço para criar.'”
Em Cavaleiro da Lua, Isaac encontrou esse espaço na representação do TDI. “Havia uma oportunidade de fazer algo especial com isso. Foi o que me motivou a aceitar.”
Quando Horowitz tocou no assunto de Filhos da Meia-noite, o ator foi direto:
“Houve uma conversa interessante sobre Filhos da Meia-noite. O tom é muito importante porque estamos trabalhando com algo real. Estamos expressando algo verdadeiro, desafiador e difícil. Por isso, tenho muito respeito por isso.”
“Se for fazer, tem que levar muito a sério, mesmo sendo história em quadrinhos maluca,” completou. “É isso que a série tentou fazer. As duas coisas ao mesmo tempo.”
A condição, portanto, está posta: Isaac topa voltar, mas não abre mão do cuidado com a representação do TDI. Para ele, é uma linha que não pode ser cruzada em nome de entretenimento fácil.
O chefe da Marvel Television, Brad Winderbaum, já sinalizou no ano passado que o Cavaleiro da Lua voltará ao MCU, embora não em uma segunda temporada da série. O formato ainda não foi confirmado, mas Filhos da Meia-noite segue como o destino mais provável para o personagem.
Filhos da Meia-noite reuniria os heróis sobrenaturais do MCU, e Motoqueiro Fantasma é um dos nomes mais cotados para aparecer. Ryan Gosling virou o favorito do público para o papel.
Quando Horowitz mencionou isso a Isaac, a resposta foi simples e direta: “Tornem isso realidade, pessoal.”
A linha de Star Wars que o mundo inteiro lembra

A conversa também passou por Star Wars, e Isaac abordou o que talvez seja a linha de diálogo mais ridicularizada da franquia nos últimos anos: o famoso “De alguma forma, Palpatine voltou”, de Star Wars: A Ascensão Skywalker (2019).
“Foram regravações. Tivemos que fazer regravações,” confirmou. “Quando olho agora, penso: ‘A peruca ficou boa.’ Eu já tinha cortado o cabelo. São ataques cirúrgicos, você entra e tenta fazer sentido de tudo enquanto todos estão correndo para terminar. Essa linha foi uma adição nova, no finalzinho.”
Ele descreveu o processo do filme como cheio de movimento e incerteza. “Se você tivesse me perguntado naquele momento se eu achava que seria a que todo mundo lembraria…” A frase ficou no ar.
Quanto a um possível retorno como Poe Dameron, Isaac não fechou a porta, mas também não prometeu nada. Ficou no simples: “Talvez.”