Disney testa novas soluções de inteligência artificial com 5 empresas

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Disney-Accelerator Disney testa novas soluções de inteligência artificial com 5 empresas

A tecnologia usada pela Disney nem sempre começa dentro de seus estúdios, parques ou plataformas digitais. Parte das ferramentas que chegam à companhia nasce em empresas independentes, que recebem a oportunidade de trabalhar diretamente com executivos e equipes criativas do grupo.

Esse modelo permite que a Disney conheça soluções ainda em desenvolvimento e analise como elas poderiam ser aplicadas na produção de filmes e séries, na criação de personagens físicos, no relacionamento com o público ou no planejamento de novas experiências.

Foi com essa proposta que o Disney Accelerator chegou à sua 12ª edição. O programa, criado em 2014, seleciona empresas de tecnologia para um período de colaboração com diferentes divisões da The Walt Disney Company.

No anúncio oficial da edição de 2026, a Disney revelou cinco participantes que atuam em três áreas centrais: robótica, inteligência artificial generativa e síntese de dados. A seleção mostra que a empresa está olhando tanto para ferramentas de produção audiovisual quanto para máquinas capazes de circular e trabalhar em ambientes físicos.

O movimento acompanha outros projetos recentes da companhia. A Disney já detalhou, por exemplo, como parcerias com Adobe, NVIDIA e Meta estão sendo usadas em seus parques, com aplicações que vão da criação de artes conceituais ao treinamento de robôs de personagens.

Quais empresas entraram no Disney Accelerator 2026?

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A primeira selecionada foi a FieldAI, empresa que desenvolve modelos de inteligência artificial para robôs. Sua tecnologia permite que diferentes tipos de máquinas trabalhem em ambientes instáveis sem depender de mapas preparados com antecedência, GPS ou trajetos programados.

Segundo a apresentação divulgada pela Disney, robôs equipados com as ferramentas da FieldAI já foram utilizados comercialmente em centenas de locais distribuídos por três continentes. Para uma companhia que administra parques, cruzeiros, resorts, estúdios e grandes centros de produção, sistemas capazes de operar com segurança em espaços movimentados podem ter várias aplicações.

A Physical Intelligence, também chamada de Pi, trabalha em uma direção parecida. A empresa desenvolve inteligência artificial de uso geral para o mundo físico, com modelos destinados a controlar robôs e outras máquinas.

Em vez de programar um equipamento para executar somente uma tarefa, a proposta é criar uma base que permita ao mesmo robô aprender e realizar diferentes atividades. Essa abordagem pode reduzir a necessidade de desenvolver um sistema separado para cada função.

A presença de duas empresas de robótica na mesma edição chama atenção. A Walt Disney Imagineering, divisão responsável pelas atrações e áreas temáticas da companhia, vem ampliando o uso de simulações e inteligência artificial na criação de personagens físicos. Projetos recentes incluem pequenos droids de Star Wars e uma versão robótica de Olaf, de Frozen: Uma Aventura Congelante.

A terceira participante é a Promise, um estúdio que trabalha com filmes, séries e efeitos visuais produzidos com apoio de inteligência artificial generativa. Sua principal ferramenta é o MUSE, um sistema criado para integrar recursos de IA às diferentes etapas de uma produção audiovisual.

A descrição da empresa ressalta que a tecnologia deve servir aos artistas e aos profissionais envolvidos no projeto. Esse ponto é especialmente importante em Hollywood, onde o uso de inteligência artificial continua cercado por discussões sobre direitos autorais, empregos e proteção das obras utilizadas no treinamento dos modelos.

A Disney já confirmou que a inteligência artificial vem sendo usada em etapas específicas de suas séries. A companhia afirma, no entanto, que essas ferramentas permanecem sob supervisão das equipes responsáveis por cada produção.

Outra selecionada foi a OpenArt, plataforma que permite criar imagens, personagens e histórias visuais por meio de conversas com um sistema de inteligência artificial. A empresa chama esse processo de “Vibe Direct”, uma forma de transformar comandos e ideias em sequências visuais sem exigir conhecimentos técnicos avançados.

A OpenArt também afirma trabalhar com mecanismos destinados à proteção de propriedades intelectuais. Para a Disney, dona de personagens da Marvel, Pixar, Lucasfilm e de diversas outras marcas, o controle sobre o uso de suas criações é uma condição essencial para qualquer ferramenta oferecida ao público.

A quinta empresa é a Simile, que usa inteligência artificial para construir simulações baseadas no comportamento humano. Seu modelo procura ajudar organizações a prever respostas de consumidores e avaliar cenários antes de tomar decisões.

Dentro da Disney, uma tecnologia desse tipo poderia ser estudada em áreas como pesquisas de público, planejamento de produtos, serviços para visitantes e recomendações digitais. A companhia não anunciou, porém, quais divisões trabalharão com cada participante nem confirmou produtos comerciais derivados dessas colaborações.

Empresas receberão investimento e acesso às equipes da Disney

O Disney Accelerator terá quatro meses de duração. Durante esse período, as cinco empresas receberão capital de investimento e poderão explorar projetos com profissionais e executivos de diferentes áreas da The Walt Disney Company.

Isso não significa que todas as tecnologias serão adotadas ou chegarão diretamente ao Disney+, aos parques ou aos estúdios. O programa funciona como um ambiente de desenvolvimento de negócios, testes e troca de conhecimento, no qual possíveis colaborações são avaliadas.

“A cada ano, este programa busca ampliar o que pode ser feito no futuro das experiências Disney. Os participantes deste ano estão enfrentando alguns dos desafios técnicos mais difíceis com um otimismo incomparável”, afirmou Bonnie Rosen, gerente-geral do Disney Accelerator.

Desde 2014, mais de 60 empresas de vários países participaram do programa. A lista inclui Epic Games, ElevenLabs, Kahoot!, Animaj, Attentive, StatusPro e AudioShake.

A Epic Games acabou se tornando uma parceira estratégica da Disney, que anunciou um investimento de US$ 1,5 bilhão na empresa responsável por Fortnite. A ElevenLabs, especializada em geração de vozes por inteligência artificial, também ganhou destaque mundial depois de sua participação.

O histórico não garante que as empresas escolhidas em 2026 seguirão o mesmo caminho, mas ajuda a explicar por que o Accelerator é acompanhado de perto pelo setor de tecnologia. Em 2025, a Disney já havia aberto inscrições para startups interessadas em trabalhar com entretenimento, robótica e inteligência artificial.

A edição de 2026 será encerrada no início de novembro, quando ocorrerá o Disney Accelerator Demo Day no complexo dos Walt Disney Studios, na Califórnia. No evento, as participantes apresentarão os trabalhos desenvolvidos durante os quatro meses e os possíveis usos de suas tecnologias dentro dos negócios da Disney.

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