Disney lista os 6 filmes que fizeram sua receita subir, e nenhum é da Marvel

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Durante boa parte da última década, falar sobre os resultados cinematográficos da Disney quase sempre significava falar da Marvel. Os super-heróis ocupavam os principais espaços do calendário e apareciam com frequência entre as maiores bilheterias do estúdio.

A situação mudou nos lançamentos mais recentes. Animações, continuações de marcas antigas, uma produção da Pixar completamente original e o retorno de Star Wars às telonas passaram a dividir a responsabilidade pelos resultados da companhia.

Essa diversidade já havia aparecido em 2025, quando a Disney conseguiu se destacar mesmo em um ano fraco para o mercado cinematográfico. Agora, um documento oficial mostra quais filmes ajudaram a empresa a manter o crescimento durante o ano fiscal de 2026.

No relatório trimestral enviado à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos, a The Walt Disney Company citou seis produções como responsáveis pelo avanço da receita de distribuição nos cinemas: Zootopia 2, Avatar: Fogo e Cinzas, O Diabo Veste Prada 2, Toy Story 5, Cara de Um, Focinho de Outro e Star Wars: O Mandaloriano e Grogu.

O conjunto fez a receita de distribuição cinematográfica crescer 11% nos nove primeiros meses do ano fiscal de 2026, em comparação com o mesmo intervalo do exercício anterior.

A Disney não divulgou quanto cada filme acrescentou individualmente. Portanto, a relação apresentada no relatório não deve ser interpretada como um ranking, nem permite apontar qual deles colocou mais dinheiro nas contas da empresa.

Os seis filmes destacados pela Disney

Zootopia-2 Disney lista os 6 filmes que fizeram sua receita subir, e nenhum é da Marvel

O primeiro título citado foi Zootopia 2, do Walt Disney Animation Studios. A continuação reuniu novamente Judy Hopps e Nick Wilde e se tornou um dos maiores sucessos já lançados pela divisão.

O filme ultrapassou os resultados de todas as animações anteriores do estúdio e chegou ao Disney+ em março. Seu desempenho também incluiu números históricos na China, onde superou marcas que pertenciam a grandes produções da Marvel. O longa acabou se tornando a maior animação de Hollywood nas bilheterias.

A 20th Century Studios aparece duas vezes na lista. Uma delas é com Avatar: Fogo e Cinzas, terceiro capítulo da franquia dirigida por James Cameron.

Embora tenha terminado abaixo dos dois filmes anteriores da série, o longa arrecadou quase US$ 1,5 bilhão nos cinemas. É um resultado enorme para os padrões atuais e suficiente para colocar a produção entre os principais lançamentos do período. O filme já está disponível no Disney+.

O outro título da 20th Century Studios é O Diabo Veste Prada 2. A continuação reuniu Meryl Streep, Anne Hathaway, Emily Blunt e Stanley Tucci, duas décadas depois do lançamento do primeiro filme.

A volta de Miranda Priestly e Andy Sachs encontrou um público formado tanto por fãs do original quanto por espectadores mais jovens que conheceram o filme no streaming. No Brasil, O Diabo Veste Prada 2 teve a maior estreia de 2026 em seu primeiro dia de exibição.

A Pixar também contribuiu com duas produções. Toy Story 5 levou Woody, Buzz Lightyear, Jessie e os demais brinquedos de volta às telas em uma história sobre a disputa pela atenção das crianças em uma rotina dominada por tablets.

A animação chegou perto do fim do período analisado pela Disney. Isso significa que o relatório contabilizou apenas os primeiros dias de sua exibição, quando o filme já havia conquistado a maior abertura da história da Pixar.

A maior parte da passagem de Toy Story 5 pelos cinemas será registrada no quarto trimestre fiscal. Por isso, sua contribuição completa ainda não aparece nos números divulgados nesta quarta-feira.

A outra produção da Pixar é Cara de Um, Focinho de Outro, título oficial adotado no Brasil para Hoppers. Diferentemente de quase todos os demais filmes citados, a animação não é sequência nem adaptação de uma franquia anterior.

A história acompanha Mabel, uma jovem que transfere sua consciência para um castor robótico e passa a se comunicar com animais. O filme arrecadou mais de US$ 370 milhões e chegou ao Disney+ no início de junho.

A inclusão de Cara de Um, Focinho de Outro no relatório merece atenção. Mesmo sem alcançar os valores das maiores franquias da empresa, uma produção original conseguiu contribuir para o crescimento da receita cinematográfica junto de títulos como Avatar e Toy Story.

A lista termina com Star Wars: O Mandaloriano e Grogu. O filme marcou a volta da saga criada por George Lucas às salas de cinema após um intervalo iniciado com Star Wars: A Ascensão Skywalker, de 2019.

A produção também representou uma experiência incomum para a Lucasfilm. Din Djarin e Grogu surgiram em uma série do Disney+ antes de migrarem para as telonas. O lançamento foi tratado como um teste importante para o futuro de Star Wars no cinema.

Receita de cinema não é igual à bilheteria total

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O crescimento de 11% citado pela Disney não representa a soma integral dos ingressos vendidos. O relatório usa a expressão “receita de distribuição cinematográfica”, que corresponde ao valor reconhecido pela companhia após os acordos com cinemas e distribuidores.

Quando um filme arrecada US$ 1 bilhão, esse dinheiro não entra por completo nas contas do estúdio. Uma parcela fica com as redes exibidoras, e a divisão varia conforme o mercado, o período em cartaz e os contratos de cada lançamento.

Também podem existir diferenças entre o momento em que os ingressos são vendidos e a data em que os valores são registrados nos resultados financeiros.

Por essa razão, não é possível pegar as bilheterias públicas dos seis filmes, somá-las e encontrar diretamente a receita declarada pela Disney. O documento também não revela o valor exato arrecadado pela companhia apenas com a distribuição nos cinemas.

O dado divulgado é percentual: essa parte do negócio cresceu 11% em comparação com os nove primeiros meses do ano fiscal anterior.

Grupo substituiu uma lista que tinha dois filmes da Marvel

A Disney comparou os seis lançamentos atuais com outro conjunto de filmes exibidos no período equivalente do ano passado.

A relação anterior era formada por Moana 2, Lilo & Stitch, Mufasa: O Rei Leão, Capitão América: Admirável Mundo Novo, Thunderbolts* e Branca de Neve.

A mudança deixa um detalhe evidente. Entre os seis títulos que a Disney relacionou ao crescimento atual, não há nenhuma produção da Marvel Studios. No período anterior, o estúdio de super-heróis aparecia com dois lançamentos.

Isso não significa que a Disney tenha abandonado a Marvel ou que o relatório responsabilize seus filmes por algum resultado negativo. A diferença reflete, antes de tudo, o calendário de estreias analisado.

Ainda assim, os números mostram que a companhia conseguiu ampliar sua receita cinematográfica com uma combinação formada por Disney Animation, Pixar, Lucasfilm e 20th Century Studios.

A lista também mistura continuações muito aguardadas com um projeto original. Zootopia 2, Avatar: Fogo e Cinzas, O Diabo Veste Prada 2 e Toy Story 5 partiram de propriedades já estabelecidas. Star Wars: O Mandaloriano e Grogu transferiu personagens do streaming para o cinema. Cara de Um, Focinho de Outro precisou apresentar um universo novo ao público.

Crescimento nos cinemas veio acompanhado de custos maiores

As vendas de conteúdo da divisão de Entretenimento chegaram a US$ 5,257 bilhões nos nove primeiros meses do ano fiscal, contra US$ 4,877 bilhões no período anterior. O avanço foi de 8%.

O crescimento de 11% na distribuição cinematográfica foi parcialmente reduzido por uma queda de 5% nas receitas de televisão, vídeo sob demanda e entretenimento doméstico.

Os custos de programação e produção também aumentaram. A Disney gastou US$ 18,539 bilhões nessa área durante o período, 9% acima dos US$ 16,938 bilhões registrados um ano antes.

Parte da alta veio justamente da distribuição cinematográfica, que exigiu despesas maiores com lançamentos e campanhas de divulgação. A companhia informou que seus gastos administrativos e de marketing do segmento cresceram devido à publicidade dos filmes nos cinemas e à incorporação da Fubo.

Como resultado, a receita total de Entretenimento avançou 7%, para US$ 34,669 bilhões, mas o lucro operacional da divisão aumentou somente 3%, chegando a US$ 4,116 bilhões.

Os números confirmam que os seis filmes ajudaram a Disney a vender mais ingressos e elevar sua receita de distribuição. Eles também mostram que levar grandes produções ao cinema exige despesas elevadas, especialmente em um calendário que reuniu lançamentos da Pixar, Disney Animation, Lucasfilm e 20th Century Studios no mesmo período.

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