
Poucos criadores de Hollywood carregam um currículo tão associado ao mistério e à mitologia quanto Damon Lindelof. O homem por trás de Lost, Watchmen e Prometheus sabe como construir universos densos, cheios de perguntas e respostas que chegam sempre um pouco tarde. Por isso, quando Lucasfilm anunciou que ele escreveria o filme da Nova Ordem Jedi, com Daisy Ridley de volta como Rey, os fãs de de Star Wars ficaram curiosos.
O que veio depois, porém, foi silêncio, rumores e a confirmação de que Lindelof havia sido dispensado do projeto. O filme passou por outros roteiristas e, até hoje, não há sinal de que vai sair do papel tão cedo.
Agora, pela primeira vez, Lindelof falou abertamente sobre o que aconteceu.
Em entrevista ao canal The Ringer-Verse, o roteirista detalhou sua visão para o longa e não poupou palavras ao descrever a demissão:
“Fui demitido de um filme de Star Wars. Me perguntaram o que eu achava que um filme de Star Wars deveria ser. Expliquei. Disseram: ‘Ótimo, você está contratado.’ Dois anos depois, fui demitido. Então, eu estava errado. Pelo menos é assim que parece.”
A “Reforma Protestante” dentro de Star Wars

A ideia central de Lindelof para o projeto era ambiciosa: ele queria que o filme fosse, nas palavras dele, “a Reforma Protestante dentro de Star Wars.”
Junto com seus parceiros de roteiro Justin Britt-Gibson e Rayna McClendon, ele pretendia colocar em cena um embate entre duas forças opostas: a nostalgia e a revisão.
“Há uma Força da nostalgia e uma Força da revisão, e elas estão em conflito uma com a outra”, explicou. “Queríamos travar esse debate dentro do filme, sem piscar para a câmera ou quebrar a quarta parede.”
Segundo ele, a Lucasfilm chegou a gostar da premissa. O problema estava na execução: o processo de escrita foi “muito difícil” e “lento”, e havia questões enormes sem resposta. Onde o filme se encaixaria no cânone? Qual seria a relação com o Episódio IX? Seria o início de uma nova trilogia? “Essas perguntas são massivas. São grandes demais”, reconheceu.
Lindelof também sugeriu que o plano original era centrar Star Wars em Rey, Finn e Poe Dameron como o novo núcleo da franquia. “Tínhamos a sensação de que, quando essa nova trilogia acabasse, seria com esses novos personagens. Eles seriam o centro de Star Wars.” Mas esse caminho, ao que tudo indica, foi abandonado.
O futuro da galáxia muito, muito distante

Com a saída de Kathleen Kennedy da presidência da Lucasfilm, Dave Filoni assumiu o comando. Ainda não está claro qual é a sua visão de longo prazo para a franquia, e nenhum projeto foi anunciado para os cinemas além de Star Wars: Starfighter, previsto para o verão de 2026.
Fora dos cinemas, a segunda temporada de Ahsoka segue como a única série confirmada para o Disney+. O cenário atual levou Lindelof a provocar: “A nova pergunta é: Mando e Grogu são o centro de Star Wars agora?”
Por enquanto, a resposta parece estar nas mãos de Filoni. E talvez só fique mais clara quando a Star Wars Celebration chegar a Los Angeles em abril do ano que vem.
Enquanto isso, Lindelof já seguiu em frente. Ele é um dos roteiristas principais de Lanternas, a série da DC Studios e da HBO que vai explorar o universo do Lanterna Verde.