
Tem coisa que dinheiro não compra. Essa foi, no fundo, a mensagem que o novo CEO da Disney, Josh D’Amaro, quis deixar para os anunciantes reunidos nesta terça-feira no North Javits Center, em Nova York.
O evento foi o Upfront anual da Disney, aquele momento em que as grandes empresas de mídia apresentam sua grade de conteúdo para o mercado publicitário. É uma tradição do setor norte-americano, e este ano ganhou um ingrediente a mais: a primeira vez que D’Amaro subiu ao palco nessa função.
Ele foi nomeado CEO em fevereiro deste ano, encerrando um processo bastante acompanhado pelo mercado sobre quem seria o sucessor de Bob Iger. A transição foi bem recebida em Wall Street, mas as primeiras semanas no cargo não foram exatamente tranquilas.
D’Amaro enfrentou turbulências com o desfecho caótico do reality The Bachelor, reações ao apresentador Jimmy Kimmel, demissões e o fim de um acordo com a OpenAI que havia sido firmado ainda na gestão Bob Iger.
Mesmo assim, quando chegou ao palco, o clima foi de confiança.
“Você não pode comprar cem anos de confiança”
A apresentação começou com Anne Hathaway no palco. A atriz aproveitou o momento para comentar o sucesso de O Diabo Veste Prada 2 e lembrar que seu primeiro grande papel no cinema, em O Diário da Princesa, acabou na mesma família da franquia Prada. O filme original foi lançado pela Fox, que passou a fazer parte do grupo Disney em 2019.
Depois, foi a vez de D’Amaro.
Ele logo reconheceu o peso do momento com bom humor: “É meu primeiro Upfront como CEO da Disney, então naturalmente decidimos manter a pressão baixa e colocar alguns milhares de executivos de mídia em uma sala.”
Disse também estar “um pouco nervoso”, mas não pela plateia, e sim porque cresceu torcendo para o Boston Celtics. Com a sala tomada por fãs do New York Knicks, ele emendou: “Desejo ao Knicks tudo de bom. De verdade. Mais ou menos.”
O tom descontraído logo cedeu espaço a algo mais sólido.
D’Amaro falou sobre seu primeiro emprego na Disneyland de Anaheim e sobre a visita ao parque que fez aos oito anos de idade. Aquela experiência, segundo ele, resume o que a Disney realmente vende.
“Aquela sensação é o nosso negócio inteiro. Nenhum grupo de pesquisa inventa isso. Nenhum algoritmo produz. Nenhuma quantia de capital consegue comprar. É isso que cada audiência, cada patrocinador, cada marca nessa sala está realmente tentando adquirir.”
O discurso teve uma mensagemclara: a Disney não é só uma empresa de entretenimento. É uma presença na vida das pessoas que se forma cedo e dura décadas.
“Você não consegue adquirir cem anos de confiança”, disse D’Amaro. “Você não coloca gerações de pertencimento em um balanço patrimonial.”
Ele observou que muitas empresas correm para montar ecossistemas que integram filmes, séries, streaming, experiências digitais e parques. “O que elas estão correndo para montar é, mais ou menos, o retrato do que a Disney já é.”
Por isso, em vez de falar em “audiência” ou “visualizações”, D’Amaro escolheu outra palavra: pertencimento. E concluiu dizendo que, ao cultivar esse vínculo com o público, a Disney ocupa “uma categoria própria”.
A presença de um CEO no Upfront não é exatamente comum. Em geral, esses eventos são conduzidos por executivos de publicidade e programação. Iger apareceu na edição de dois anos atrás, e o ex-CEO Bob Chapek fez o mesmo em 2021, ambos em momentos de transição na liderança da empresa.
Desta vez, a mensagem parece ter sido de continuidade e de apresentação ao mercado publicitário de quem comanda o maior estúdio de entretenimento do mundo.
Fonte: Deadline