
A Disney entrou oficialmente na reta final de um dos processos mais delicados de sua história recente: a escolha do próximo diretor-executivo. Com o contrato de Bob Iger chegando ao fim ainda este ano, o conselho da empresa trabalha para evitar novos erros em uma sucessão que já causou turbulência no passado.
Desta vez, a companhia decidiu reforçar o controle do processo e colocou um nome externo no comando da transição. A movimentação acontece em um momento de pressão sobre o setor de entretenimento, marcado por mudanças no consumo, ajustes no streaming e instabilidade econômica.
O desafio não é pequeno. A decisão vai definir quem assume o comando de um conglomerado com parques, estúdios, canais esportivos e uma plataforma de streaming que ainda busca estabilidade financeira.
Quatro nomes internos disputam o cargo

Atualmente, quatro executivos da própria Disney estão na disputa direta pela vaga de CEO. Entre eles, o nome mais citado nos bastidores é o de Josh D’Amaro, responsável pela divisão de parques, experiências e produtos. Com quase três décadas de casa, ele é visto com bons olhos por investidores, especialmente por liderar o ambicioso plano de expansão dos parques e cruzeiros.
Outros nomes também seguem no páreo. Dana Walden, executiva à frente da área de televisão e streaming, aparece como uma opção forte e pode se tornar a primeira mulher a comandar a empresa. Completam a lista Alan Bergman, chefe do estúdio de cinema, e Jimmy Pitaro, presidente da ESPN.
Cada um deles lidera um setor estratégico, o que torna a escolha ainda mais sensível. Ao optar por um, a Disney corre o risco de perder outros nomes importantes caso não consiga mantê-los motivados após a decisão.
Comando externo para evitar novos tropeços

Para conduzir o processo, o conselho entregou a responsabilidade a James P. Gorman, ex-presidente do Morgan Stanley. Ele assumiu a presidência do conselho da Disney há um ano com a missão clara de organizar a sucessão no topo da empresa.
Gorman é reconhecido no mercado financeiro por conduzir uma transição bem-sucedida em seu antigo cargo, algo que faltou à Disney na última tentativa de troca de comando. Internamente, a expectativa é que ele adote uma abordagem mais direta e estruturada, evitando disputas internas e decisões apressadas.
O comitê de sucessão também conta com outros executivos experientes de grandes empresas, que avaliam critérios como preparo, resistência à pressão pública e capacidade de lidar com diferentes áreas do negócio.
Setor em transformação constante
O próximo CEO assumirá em um cenário bem diferente daquele que marcou os anos mais fortes da Disney.
A televisão tradicional segue perdendo espaço, o streaming ainda passa por ajustes financeiros e os estúdios enfrentam dificuldades para repetir antigos sucessos de bilheteria.
Além disso, a empresa precisa lidar com temas sensíveis, como avanços em inteligência artificial, disputas políticas nos Estados Unidos e a necessidade de manter relevância cultural sem afastar o público.
A última sucessão deixou marcas profundas. Bob Chapek, que substituiu Iger em 2020, acabou demitido menos de três anos depois, levando o conselho a chamar Iger de volta em meio a crises internas e externas.
O peso da decisão para a Disney
Escolher um novo CEO não significa apenas trocar um nome no topo. A decisão influencia diretamente a estratégia de filmes, séries, parques, esportes e streaming, além da relação com investidores e funcionários.
Analistas consultados pelo Los Angeles Times apontam que a Disney precisa mostrar clareza de rumo após anos de ajustes, especialmente no Disney+, que passou de fase de expansão acelerada para uma busca por resultados financeiros mais consistentes.
A expectativa é que o nome do sucessor de Bob Iger seja anunciado já no próximo mês. Até lá, o conselho trabalha para garantir que a próxima transição não repita os erros do passado e ofereça estabilidade em um momento decisivo para o futuro da empresa.