
Quatro anos depois do encerramento de sua temporada final, The Walking Dead ainda movimenta o mercado de entretenimento como poucas franquias conseguem. A série que colocou os zumbis no centro da cultura pop mundial segue sendo um ativo valioso, e agora pode estar prestes a ganhar um novo lar no streaming.
A AMC Global Media, empresa responsável pela franquia, está em negociações avançadas para licenciar os direitos da série a um novo parceiro. E, segundo a própria direção da empresa, há “parceiros muito grandes e entusiasmados” no processo de disputa.
A informação veio à tona durante a teleconferência de resultados do primeiro trimestre de 2026, realizada nesta sexta-feira (8). Foi lá que a CEO Kristin Dolan detalhou o atual estágio das negociações e deixou claro que a AMC não pretende abrir mão totalmente do controle sobre o título.
O que a AMC quer com o acordo
Em declaração aos analistas de Wall Street, Dolan foi direta sobre as prioridades da empresa. “Temos recebido muito interesse sobre os direitos de licenciamento de The Walking Dead“, disse ela.
“Estamos analisando todos os cenários. Há muitas formas de encarar isso. Definitivamente sentimos que é importante manter parte do conteúdo para nós de forma coexclusiva, então estamos enfatizando que buscamos predominantemente acordos coexclusivos. Mas há parceiros muito grandes e entusiasmados no processo de disputa agora.”
A exclusividade compartilhada, portanto, é a palavra de ordem. A AMC quer compartilhar os direitos, não vendê-los de vez.
Questionada sobre se a empresa fecharia um único acordo abrangente ou preferiria fragmentar os direitos por território ou plataforma, Dolan deixou todas as opções em aberto.
“Podemos dividir, pode ir tudo para um único parceiro, doméstico versus internacional. Há muitas, muitas formas de resolver isso”, afirmou.
Quem pode ficar com os direitos

Os nomes dos interessados não foram revelados, mas analistas apontaram que a Netflix tem uma relação sólida com a AMC. A plataforma já ajudou a impulsionar a audiência de diversas séries originais da empresa ao disponibilizá-las antes do retorno de novas temporadas. Foi a Netflix, inclusive, que recolocou Mad Men em evidência anos depois de seu encerramento.
A AMC também já testou parcerias relevantes com a HBO Max e mantém acordos com Amazon, Roku e outros serviços de streaming por meio de seus “canais”.
Considerando o peso da franquia, especialistas do setor estimam que os direitos podem render centenas de milhões de dólares, embora valores não tenham sido discutidos publicamente durante a chamada de resultados.
Kim Kelleher, presidente e diretora comercial da AMC Global Media, fez questão de destacar que dinheiro não é o único critério.
“É claro que consideramos a experiência do usuário e a capacidade de descoberta quando analisamos nossas parcerias co-exclusivas para o futuro. Temos vários parceiros ao redor do mundo para The Walking Dead agora, e estamos em conversa com todos eles sobre o que vem a seguir.”
Franquia segue forte, mesmo após o fim

The Walking Dead encerrou sua série principal em 2022, mas o universo criado por Robert Kirkman não parou por aí. Diversos spinoffs foram lançados desde então, e a série original continua sendo muito assistida nas plataformas de streaming.
Séries com esse histórico raramente perdem valor com o tempo, e o interesse demonstrado pelos grandes players do mercado confirma isso.
Segundo o Deadline, que reportou os detalhes da negociação, o processo ainda está em curso e os resultados do acordo não foram incorporados às projeções financeiras da AMC para 2026.
Os números do primeiro trimestre da empresa foram mistos: a receita caiu 2%, para US$ 542,1 milhões, e o lucro por ação recuou de US$ 0,52 para US$ 0,08 na base ajustada. Ainda assim, ambos os resultados superaram as estimativas dos analistas. A receita de streaming cresceu 11%, chegando a US$ 174 milhões, puxada principalmente por reajustes de preço.
Todas as temporadas de The Walking Dead estão disponíveis no Disney+.