
Há 15 anos, os fãs de Piratas do Caribe esperam por uma sexta aventura com Jack Sparrow no comando. Nesse tempo, rumores vieram e foram, atualizações vagas foram dadas pelo produtor Jerry Bruckheimer e a Disney nunca chegou a anunciar oficialmente nada. Para quem acompanha o desenvolvimento do projeto, a sensação é a de estar esperando um navio que simplesmente não aparece no horizonte.
Mas um movimento recente da própria Disney pode ser o sinal mais concreto de que a espera está chegando ao fim, e ele veio de onde menos se esperava: a rejeição de um projeto de piratas de outro estúdio.
Ridley Scott, um dos diretores mais respeitados de Hollywood, está desenvolvendo uma adaptação de A Ilha do Tesouro, o clássico romance de aventura de Robert Louis Stevenson.
O livro é considerado a obra definitiva do gênero pirata e já foi adaptado mais de uma dúzia de vezes para cinema e televisão nos últimos 75 anos. No papel de Long John Silver estaria Hugh Jackman, com roteiro de Jack Thorne já escrito. O projeto parece pronto para entrar em produção assim que encontrar um estúdio.
O detalhe que acendeu a esperança dos fãs de Piratas do Caribe está nessa busca por estúdio. Segundo o Deadline, a 20th Century Studios, que costuma distribuir os filmes de Ridley Scott e hoje é uma divisão da Disney, chegou a ser considerada para o projeto.
A resposta foi não, e o motivo é revelador: “Piratas do Caribe é prioridade na unidade de live-action da Disney” e a empresa “não queria um projeto concorrente de piratas.”
O que a rejeição da Disney diz sobre Piratas do Caribe 6

Se o argumento para afastar A Ilha do Tesouro é proteger espaço para Piratas do Caribe 6, isso implica que algo concreto está em andamento nos bastidores. Por que uma empresa do porte da Disney abriria mão de um filme de Ridley Scott com Hugh Jackman para não atrapalhar um projeto que não existe de verdade?
Bruckheimer tem dado pequenas atualizações sobre o sexto filme há anos, sempre confirmando que ele segue em desenvolvimento. O problema é que a vagueza dessas declarações fez com que muitos fãs tratassem as novidades com ceticismo.
A informação do Deadline, mesmo vindo de fora da Disney, carrega um peso diferente: é uma sinalização de que o estúdio está tratando a franquia com seriedade estratégica.
A situação tem ainda uma camada de ironia para os fãs da saga original. Jackman foi, na verdade, um dos atores para quem o papel de Jack Sparrow foi originalmente escrito, antes de Johnny Depp assumir o personagem. Vê-lo agora como Long John Silver transforma A Ilha do Tesouro numa espécie de universo alternativo para quem cresceu com a trilogia original.
Esse contexto torna a ameaça ainda mais real para a Disney. Um filme de pirataria de alto nível, com um dos maiores diretores da atualidade e um ator que quase foi o próprio Jack Sparrow no comando, é exatamente o tipo de concorrência que pode abalar o monopólio que a franquia mantém no imaginário popular desde os anos 2000.
Para muitos fãs, a resposta óbvia seria usar esse momento de pressão para finalmente anunciar o retorno de Depp como Jack Sparrow, junto com o elenco da trilogia original. Seja ou não esse o caminho escolhido pela Disney, a competição que se aproxima só pode ser boa para o público: o estúdio vai precisar entregar algo à altura do que a série sempre prometeu.
Piratas do Caribe 6 ainda não tem data, elenco confirmado nem anúncio oficial. Mas pela primeira vez em muito tempo, há razões reais para acreditar que o navio está saindo do porto.