
Por meses, a Marvel Studios e a Sony Pictures mantiveram um segredo debaixo do capuz. Sadie Sink, a revelação de Stranger Things, apareceu em cada trailer de Homem-Aranha: Um Novo Dia escondida, sem o rosto à mostra, provocando teorias que iam de Mary Jane a nomes bem mais obscuros dos quadrinhos.
A resposta chegou junto com a estreia do filme nos cinemas brasileiros, e ela é de acordo com as teorias de bastidor. Sadie Sink realmente interpreta Jean Elaine Grey, uma das mutantes mais poderosas do universo Marvel, e sua chegada ao MCU não é apenas mais uma vilã para o Homem-Aranha enfrentar. Ela é a porta de entrada para os X-Men.
Só que existe um detalhe da trama que passa quase despercebido durante boa parte da sessão. Uma pequena palavra que Jean repete como se fosse um mantra ao longo de toda a busca pela irmã. VMax parecia um código, uma arma ou até um lugar. A verdade por trás dela é o momento mais doloroso do filme, e também a chave que libera todo o potencial da personagem.
Atenção: o texto a seguir contém spoilers completos de Homem-Aranha: Um Novo Dia.
Quem é Sara, a irmã que Jean Grey procura
Antes mesmo de qualquer trailer confirmar o nome da personagem, a sinopse oficial de Homem-Aranha: Um Novo Dia já indicava que o passado de Peter Parker voltaria para assombrá-lo. O que ninguém esperava era que o passado em jogo fosse o de Jean Grey.
No filme, Jean e sua irmã Sara Grey (Olivia Booth-Ford) nasceram com o mesmo tipo de poder psíquico. As duas conseguem projetar a própria consciência para dentro da mente de outra pessoa, desde que o alvo esteja a poucos metros de distância. A mãe abandonou as filhas assim que os poderes mutantes das duas se manifestaram, deixando-as sob os cuidados do sistema de adoção.
Sara acaba sequestrada pelo Departamento de Controle de Danos, a agência que, no MCU, monitora e tenta conter indivíduos com superpoderes. O objetivo da organização é claro: usar Sara como cobaia para tentar reproduzir artificialmente a capacidade de controle mental que ela e a irmã possuem.
O que realmente significa VMax
Durante quase todo o filme, Jean age como uma ameaça isolada, capaz de dominar mentes e colocar Nova York em polvorosa. Ela é vista pelo Homem-Aranha como uma inimiga, principalmente depois que Bill Metzger, diretor do Controle de Danos, convence o herói de que a jovem é perigosa demais para ser deixada livre.
O motivo de toda essa fúria só aparece perto do desfecho. A última coisa que Jean recebeu da irmã foi uma mensagem psíquica com uma única palavra, VMax, e ela passa o restante da trama tentando decifrar o que aquilo significa. Uma arma escondida? Um esconderijo? O paradeiro de Sara?
A resposta vem quando o próprio Controle de Danos prende Jean e a submete aos mesmos testes que fizeram com a irmã. Amarrada na cadeira de experimentos, ela olha para cima e vê um duto de ventilação com um adesivo desgastado. As letras centrais descascaram, e o que sobrou na etiqueta é justamente “V MAX”, os restos da palavra “VENTMAX”. Foi esse detalhe visual, o adesivo de um duto de ar-condicionado, a última coisa que Sara viu antes de morrer durante os experimentos, no mesmo cômodo em que Jean agora está presa.
É esse instante que quebra Jean por dentro e, ao mesmo tempo, destrava todo o seu potencial telepático e telecinético, aproximando a personagem da versão mais poderosa que os fãs dos quadrinhos conhecem.
O que a revelação indica para os X-Men no MCU
Vale reforçar um ponto que passa despercebido em meio a tanta revelação: em nenhum momento o filme usa a palavra “mutante” para descrever Peter Parker. Apesar de rumores em contrário, os poderes do Homem-Aranha simplesmente evoluíram, com um surto hormonal de aranha que deixa o herói com teias orgânicas permanentes, sentido aranha ampliado e força superior. Jean, por outro lado, é apresentada como mutante desde o início, o que marca uma diferença clara entre as duas origens dentro do universo.
Depois que Peter permite que Jean acesse sua mente e reviva uma lembrança da própria Tia May sobre o que significa ser especial, ela desiste de matar Metzger, salva a vida do Homem-Aranha e deixa Nova York para trás. É o empurrão necessário para que a personagem siga rumo à equipe do Professor Xavier, algo que o próprio filme deixa em aberto para os próximos capítulos do MCU.
Quanto ao Controle de Danos, a agência segue de pé, com Metzger foragido e um interesse antigo em indivíduos aprimorados que pode muito bem alimentar o próximo grande arco mutante da franquia. Não é à toa que as primeiras reações à estreia já apontavam o filme como um divisor de águas para essa nova fase, com muitos afirmando que esse é o melhor Homem-Aranha do MCU, de longe.
Homem-Aranha: Um Novo Dia já está em cartaz nos cinemas brasileiros, depois de quebrar recordes de audiência mesmo antes da estreia.