
Durante os primeiros anos do Disney+, acompanhar o Universo Cinematográfico da Marvel deixou de ser uma experiência restrita aos cinemas. WandaVision, Loki, Falcão e o Soldado Invernal, Ms. Marvel e várias outras produções passaram a ocupar espaços importantes entre um filme e outro.
Na prática, isso criou uma relação muito mais próxima entre streaming e cinema. Para quem acompanhava tudo, havia referências e personagens atravessando as duas telas. Para parte do público, porém, surgiu outro problema: a sensação de que era necessário assistir a uma lista cada vez maior de séries antes de comprar o ingresso para o próximo longa.
A própria Marvel já vinha dando sinais de que queria mudar esse cenário. Brad Winderbaum, chefe da Marvel Television, explicou anteriormente que as séries deveriam funcionar melhor por conta própria, sem exigir que o espectador conhecesse todos os acontecimentos do MCU.
Agora, uma nova informação de bastidores mostra que essa separação pode ir bem além. Segundo o jornalista Matthew Belloni, a Marvel não quer mais usar o Disney+ para produzir grandes minisséries caras que funcionem como peças necessárias para compreender os filmes.
Marvel não quer que filmes pareçam exigir “lição de casa”
Belloni falou sobre o assunto durante uma edição recente do podcast The Town with Matthew Belloni, do The Ringer, ao responder perguntas sobre o futuro da Marvel depois de Vingadores: Doutor Destino. Segundo ele, a orientação atual da divisão de TV é evitar exatamente o modelo que marcou os primeiros anos do Disney+.
“A diretriz da Marvel TV é não fazer essas grandes minisséries caras que se conectam ao MCU maior.”
Belloni acrescentou que, na avaliação interna, essa estratégia acabou prejudicando a força dos lançamentos cinematográficos.
“Eles acreditam, e eu acho que estão certos, que isso diluiu a marca. Fez os filmes da Marvel parecerem lição de casa e não algo especial.”
A informação não significa que a Marvel esteja abandonando a televisão. Belloni fez questão de diferenciar as duas coisas. Segundo ele, novas séries continuarão existindo, mas devem funcionar de maneira mais independente.
“Isso não significa que não haverá séries. Haverá, mas acho que elas serão mais separadas, com mais animação e outras coisas que não se conectem diretamente ao MCU.”
A intenção seria permitir que um espectador assista a determinado filme sem precisar descobrir primeiro quais temporadas do Disney+ são necessárias para entendê-lo.
O comentário reforça uma mudança que já vinha acontecendo. Em 2025, Winderbaum afirmou que a Marvel queria produzir séries capazes de ganhar várias temporadas e reduzir a dependência de minisséries feitas como extensões dos filmes.
Mais recentemente, outra informação de bastidores apontou que a Marvel pretende reduzir a quantidade de novas séries live-action depois de VisionQuest. Continuações de produções existentes, como Demolidor: Renascido, não necessariamente entram nesse corte.
O problema ficou especialmente visível nos cinemas

A expressão “lição de casa” não surgiu agora. Durante vários anos, uma das críticas mais frequentes ao MCU foi justamente a necessidade aparente de acompanhar filmes e séries para não perder informações importantes.
WandaVision, por exemplo, teve consequências diretas para Wanda Maximoff antes de Doutor Estranho no Multiverso da Loucura. Kamala Khan foi apresentada em Ms. Marvel antes de dividir o protagonismo de As Marvels. Monica Rambeau também teve parte importante de sua história desenvolvida em WandaVision antes de chegar ao filme.
Kevin Feige já reconheceu que essa percepção afastou espectadores. Ao falar sobre resultados recentes do estúdio, o presidente da Marvel admitiu que parte do público acreditava precisar assistir a outras produções antes de entrar no cinema.
Curiosamente, o Disney+ ainda utiliza esse tipo de conexão como ferramenta de divulgação. Neste mês, a plataforma reuniu 15 produções para assistir antes de Vingadores: Doutor Destino, incluindo filmes e séries de diferentes fases do MCU.
Isso não contradiz necessariamente a nova orientação relatada por Belloni. Doutor Destino encerra uma fase construída durante anos sob o modelo anterior, enquanto as mudanças discutidas agora dizem respeito principalmente aos próximos projetos.
Há ainda séries em andamento. VisionQuest estreia em 14 de outubro de 2026 no Disney+ e encerra a trilogia iniciada por WandaVision. A plataforma também continuará recebendo animações da Marvel e novas temporadas de produções já estabelecidas.
Belloni citou ainda uma apuração de sua colega Julia Alexander, da Puck, segundo a qual a Marvel possui vários projetos de televisão em desenvolvimento. Portanto, a questão não parece ser simplesmente produzir menos conteúdo, mas definir melhor qual função cada produção terá.
Um exemplo recente ajuda a entender esse caminho. Magnum foi criada como uma série muito mais independente dos grandes acontecimentos do MCU. Mesmo assim, a Marvel cancelou a segunda temporada após inicialmente anunciar sua renovação, mostrando que independência dos filmes não garante automaticamente a continuidade de uma produção.
Caso a orientação descrita por Belloni seja mantida, o Disney+ continuará sendo uma casa importante para personagens da Marvel, mas com uma diferença fundamental: assistir às séries não deverá ser requisito para entender o que acontece depois nos cinemas.