
Como seriam os últimos três episódios da Saga Skywalker se George Lucas tivesse permanecido no comando de Star Wars? Essa é uma pergunta que acompanha os fãs desde que o cineasta vendeu a Lucasfilm para a Disney, em 2012.
Durante anos, circulou a informação de que Lucas havia preparado histórias para os episódios VII, VIII e IX, mas que a Disney decidiu abandonar esse material e seguir um caminho diferente. O resultado foi a trilogia formada por Star Wars: O Despertar da Força (2015), Star Wars: Os Últimos Jedi (2017) e Star Wars: A Ascensão Skywalker (2019).
O próprio George Lucas já comentou publicamente que suas ideias foram deixadas de lado. Em outras ocasiões, o diretor revelou alguns dos conceitos que pretendia explorar, incluindo uma participação maior de Darth Maul e os mistérios da Força.
Agora, Kathleen Kennedy, que presidiu a Lucasfilm por mais de uma década, apresentou uma versão que muda bastante a percepção sobre o que realmente existia quando a Disney assumiu a franquia.
Em uma entrevista durante o evento Bloomberg Screentime 2026, em Los Angeles, Kennedy afirmou que George Lucas não havia preparado os tratamentos completos de história que muitos imaginavam.
Ela se lembrou de uma conversa com o cineasta pouco depois de ser escolhida para assumir a liderança da Lucasfilm. Na ocasião, perguntou se havia algum material que deveria consultar para compreender os rumos das próximas histórias.
Lucas respondeu: “Não, não. Está tudo aqui.” Enquanto falava, apontou para a própria cabeça.
Kennedy contou que percebeu naquele momento o desafio de transformar as ideias do criador de Star Wars em novos filmes.
Quando o entrevistador mencionou os tratamentos de história que Lucas supostamente havia desenvolvido para a nova trilogia, a produtora foi ainda mais direta:
“Tínhamos alguns parágrafos. Ele não tinha exatamente tratamentos completos.”
No cinema, um tratamento de história é um documento que apresenta o desenvolvimento de um filme antes da elaboração do roteiro propriamente dito. Pode conter os principais acontecimentos, personagens e a estrutura da trama.
Segundo Kennedy, portanto, o material disponível estava longe de representar três filmes detalhadamente planejados. Ela ressaltou, porém, que a Lucasfilm contava com profissionais experientes, incluindo Dave Filoni e pessoas que haviam trabalhado nas produções anteriores.
A declaração contrasta com o que George Lucas e Bob Iger disseram anteriormente

A nova versão chama atenção porque não corresponde inteiramente aos relatos divulgados ao longo dos anos.
Em sua autobiografia The Ride of a Lifetime, publicada em 2019, Bob Iger, então presidente da Disney, afirmou que a empresa havia adquirido os tratamentos de história preparados por Lucas.
Iger também descreveu uma reunião na qual o cineasta ficou contrariado ao descobrir que J.J. Abrams e Michael Arndt estavam desenvolvendo uma história diferente para O Despertar da Força.
Segundo o executivo, Lucas interpretou a compra de seus tratamentos como uma indicação de que a Disney utilizaria suas ideias, embora não existisse uma obrigação contratual nesse sentido.
O próprio George Lucas já havia confirmado que seus planos foram descartados. Como lembramos anteriormente ao abordar seu afastamento de Star Wars, o cineasta reconheceu que a Disney seguiu sua própria visão para a franquia.
A diferença está no grau de desenvolvimento desse material. Enquanto declarações anteriores sugeriam propostas mais elaboradas, Kennedy agora descreve documentos bastante resumidos.
Isso não significa que Lucas não tivesse planos para a continuação da saga. O diretor já revelou, por exemplo, que pretendia explorar o mundo microscópico associado à Força e colocar Darth Maul em uma posição de destaque.
Parte dessas ideias acabou encontrando espaço em outras produções. A animação Star Wars: Maul – Lorde das Sombras, por exemplo, resgata um conceito relacionado aos antigos planos de George Lucas.
Na mesma entrevista à Bloomberg, Kennedy comentou a aposentadoria do cineasta. Segundo ela, Lucas fazia questão de lembrá-la constantemente de que havia encerrado sua carreira à frente da franquia.
A produtora também defendeu a presença de Star Wars tanto nos cinemas quanto na televisão, lembrando que o próprio Lucas tinha como inspiração as antigas aventuras seriadas, especialmente aquelas que terminavam com situações de suspense para o episódio seguinte.
Kathleen Kennedy deixou a presidência da Lucasfilm em janeiro de 2026. Desde então, Dave Filoni e Lynwen Brennan assumiram a liderança do estúdio, que prepara uma nova trilogia cinematográfica de Star Wars.
A entrevista de Kathleen Kennedy à Bloomberg pode ser conferida abaixo: