
Poucas mortes no cinema dos últimos anos foram tão sentidas quanto a de Tony Stark. O momento em que o Homem de Ferro estala os dedos e salva o universo à custa da própria vida ficou gravado na memória de milhões de fãs. O que muita gente não sabia é que essa cena quase não aconteceu, pelo menos não sem uma boa resistência interna.
Jon Favreau, o cineasta que colocou tudo em prática ao dirigir o primeiro Homem de Ferro em 2008 e ao escalar Robert Downey Jr. para o papel, tentou convencer os irmãos Russo a deixar Tony vivo. Agora, anos depois, ele admite que estava errado.
A confissão veio durante uma participação no Jimmy Kimmel Live!, programa americano de entrevistas, onde Favreau falou abertamente sobre o assunto pela primeira vez com esse tom de arrependimento.
“Eu liguei para os Russos. Falei: ‘Não sei se as pessoas vão gostar… não sei! Acho que vai afetar muito porque havia crianças que cresceram com esse personagem'”, lembrou ele.
Da resistência ao reconhecimento

A história do telefonema já havia sido contada antes pelos próprios diretores. Em uma entrevista em vídeo à Vanity Fair, Joe Russo descreveu a conversa com detalhes que deixaram claro o quanto Favreau estava abalado com a decisão.
“Lembro de caminhar de um canto ao outro do palco, ao telefone com o Favreau, tentando acalmá-lo. Ele dizia: ‘Vocês não podem fazer isso. Vai devastar as pessoas, e vocês não querem que elas saiam do cinema direto para o trânsito.'” Joe completou com simplicidade: “A gente fez assim mesmo.”
O que mudou agora é que Favreau reconheceu publicamente o erro de julgamento. No programa de Jimmy Kimmel, ele foi além da discordância e chegou à admiração.
“Mas preciso dizer: foi muito bem conduzido por eles. Gwyneth [Paltrow] e Robert [Downey Jr.] fizeram um trabalho incrível, e acho que isso deu uma emoção especial à cena. Eles fizeram um trabalho maravilhoso. Eu estava errado. Eu estava errado.”
E emendou com uma confissão que resume bem o peso da cena: “Eu fiquei emocionado. Mesmo sendo um filme, esses personagens fazem parte da minha vida há tanto tempo.”
O homem que apostou no Downey quando ninguém apostava

Parte da intensidade da relação de Favreau com o Tony Stark vem do fato de que foi ele quem travou a primeira batalha por esse personagem, a de convencer a Marvel a contratar Downey Jr. numa época em que o ator vivia um dos períodos mais difíceis de sua carreira pessoal e profissional.
“Ele era perfeito para Tony Stark”, disse Favreau. “Assim que o escalamos, todas as outras decisões ficaram mais fáceis. Havia muitos filmes da Marvel antes disso… outros Homem-Aranha, X-Men. Ninguém conhecia o Homem de Ferro. Eu sabia que, com Robert naquele papel, colocar um ator daquele nível num papel desse tipo, seria criado algo maior.”
Essa aposta, claro, se provou correta de formas que poucos poderiam imaginar em 2008. O MCU se tornou o maior franquia cinematográfica da história, e Tony Stark ficou no centro de tudo por mais de uma década.
Downey Jr. volta, mas não como Tony Stark
Favreau também comentou o retorno de Robert Downey Jr. ao universo Marvel, previsto para dezembro deste ano em Vingadores: Doutor Destino. Desta vez, o ator não volta como herói: ele interpretará o vilão Doutor Destino. E Favreau disse estar “animado” para ver o que vem por aí.
É uma volta que fecha um ciclo de um jeito que ninguém esperava, e que começa com a morte que Favreau tentou evitar, mas que, no fim, ele mesmo reconhece ter sido a decisão certa.