
Dez anos. É quanto tempo Jon Bernthal carrega Frank Castle nos ombros, e nas entranhas O ator estreou como o Justiceiro na série original do Demolidor, em 2016, antes de protagonizar duas temporadas da série solo do personagem. Mais recentemente, voltou ao papel na primeira temporada de Demolidor: Renascido, reencontrando o público com seu vigilante implacável e cheio de contradições.
Agora, Frank Castle tem uma história nova. E, segundo quem a fez, é das mais intensas já contadas sobre ele.
O Justiceiro: Uma Última Morte chegou ao Disney+ como uma Apresentação Especial, formato que a Marvel tem usado para histórias mais concentradas e cinematográficas. No especial, Frank está num lugar sombrio: assombrado pelas memórias do combate militar e pela dor de ter perdido a família para a violência do crime organizado.
Depois de anos dedicados à vingança, ele percebe que há um alvo nas suas costas, colocado ali pela vingativa Mama Gnucci, interpretada por Judith Light.
“Espero que seja inspirador para as pessoas”, diz Bernthal sobre o especial. “Espero que chegue a quem está sofrendo. Espero que honre a comunidade de veteranos. Espero que honre os fãs dos quadrinhos que amam tanto o Frank. E também espero que seja uma viagem divertida e cheia de ação.”
Parceria começou num café
Bernthal coescreveu o roteiro ao lado de Reinaldo Marcus Green, que também dirige o especial. Os dois são amigos de longa data. Se conheceram num café para conversar sobre King Richard: Criando Campeãs, o filme de tênis de 2021 em que Bernthal aparecia num papel bem diferente do Justiceiro. Mas Green jura que, desde aquele primeiro encontro, já dava para ver Frank Castle nos olhos do ator.
“Ele apareceu essencialmente como O Justiceiro naquele dia”, lembra Green, rindo. “Estava de moletom e tinha um pit bull no banco da frente. Fiquei pensando: ‘Quem é esse cara?’ Ele era grandão! Mas desde o primeiro momento, o que vi no Jon foi a humanidade. Ele é pai, é marido. Tudo o que amo nele foi despejado em quem é o Frank quando o encontramos.”
Veteranos reais
Para escrever o especial, Bernthal foi fundo na história militar de Frank Castle. Treinou e consultou veteranos de verdade: os ex-Marine Raiders Nick Koumalatsos e Cody Alford, e o ex-Boina Verde Colton Hill.
Segundo ele, esses consultores foram fundamentais para entender a psicologia do personagem.
“Existe uma condição psicológica chamada anomia que afeta muitos veteranos, especialmente os das Forças Especiais”, explica Bernthal. “É essa sensação de desespero absoluto, de ruptura com os pilares da sociedade em que você acreditava — seja a religião, a família, ou, no caso desses caras, o próprio exército. É uma sensação avassaladora de que você é a causa de toda a dor do mundo, e uma crença fundamental de que o mundo seria melhor sem você. Mais de 90% das pessoas com essa condição chegam ao suicídio.”
“É aí que eu queria começar com o Frank”, continua o ator. “Já houve muitas iterações da história dele, mas sempre me perguntei: como você continua? O que você faz quando matou a última pessoa? O que você faz quando ficou anos em espiral, consumido pela ferida de ter a família arrancada de você? Quando não sobrou mais ninguém para pagar?”
Green e Bernthal também buscaram inspiração diretamente nos quadrinhos, especialmente na icônica fase de Garth Ennis com o personagem. Green cresceu lendo HQs, e quando fechou o projeto foi até a casa da mãe procurar seus exemplares antigos. No sótão, encontrou uma mala empoeirada cheia de gibis seus e do irmão.
“Abri a mala e a poeira estava caindo”, recorda. “E lá no topo estava O Justiceiro. Falei: ‘Mãe, você colocou aí? Como é possível?’ Tinha X-Men, tinha tudo. Mas de alguma forma o Justiceiro estava no topo. Talvez estivesse escrito nas estrelas que eu era pra fazer isso.”
Sem máscaras, sem dublês

Em O Justiceiro: Uma Última Morte, a ação é brutal e sem freio. E tem um detalhe que Bernthal faz questão de deixar claro: ele mesmo faz as cenas.
“A coisa mais difícil, e talvez uma das mais especiais, é que com o Frank não tem máscara”, diz o ator. “Quando estamos fazendo a ação, sou eu fazendo.”
Green confirma, sem economizar nas palavras: “Jon é um talento incrível e um grande dublê em si mesmo. Ajuda muito quando o seu ator principal está disposto a se colocar em chamas e se jogar de prédios.”
Sim, literalmente. Bernthal colocou fogo em si mesmo para o especial.
Depois do especial, Frank Castle vai para os cinemas. Bernthal aparece ao lado de Tom Holland em Homem-Aranha: Um Novo Dia, marcado para 30 de julho. O tom da produção é bem diferente, mas o ator fez questão de manter a consistência do personagem entre os dois projetos.
“Era muito importante para mim que o mesmo cara de Spider-Man pudesse sair daquele set e entrar no set do Justiceiro, e vice-versa”, diz Bernthal. “Espero que tenhamos conseguido isso. Espero que consigamos ver lados diferentes dele em tudo, mas a abordagem é sempre a mesma.”
E quem melhor para guiar essa jornada do que o homem que passou uma década construindo Frank Castle? Como resume Green: “Não existe especialista maior no personagem de Frank Castle do que o próprio Jon.”
Mais detalhes dos bastidores estão disponíveis no site oficial da Marvel.
O Justiceiro: Uma Última Morte está disponível no Disney+.