
A história de Jessie sempre teve um espaço especial dentro de Toy Story. Desde Toy Story 2, a vaqueira carrega uma das lembranças mais emocionantes da franquia, ligada à sua antiga dona, Emily, e à dor de ter sido deixada para trás.
Em Toy Story 5, a Pixar voltou a esse ponto sensível da personagem, mas escolheu um caminho diferente do que chegou a ser planejado nas primeiras versões do filme.
Uma arte conceitual recém-divulgada revelou que Jessie quase reencontrou Emily no final da continuação. E não seria um reencontro qualquer.
A ideia descartada mostraria Emily já idosa, agora avó, apresentando a boneca que tanto amou na infância ao neto. Ou seja, a Pixar chegou a imaginar uma cena que fecharia o ciclo das duas de forma direta, anos depois da separação vista no segundo filme.
A volta de Jessie à casa de Emily
Na versão final de Toy Story 5, Jessie retorna ao lugar onde viveu com sua primeira dona. A visita não acontece de forma simples para a personagem, já que ela precisa encarar memórias que ficaram guardadas por muito tempo.
Ao voltar ao balanço de pneu onde brincava com Emily, Jessie encontra uma caixa de recordações enterrada pela filha de Emily. A revelação chama atenção porque essa filha também se chama Jessie, em homenagem à vaqueira.
O filme sugere que Emily já não está mais presente naquele espaço como antes, enquanto Blaze, que depois cria laços com Bonnie, mora na casa com sua família. A cena funciona como uma despedida indireta, sem colocar as duas frente a frente.
Mas, de acordo com o material revelado no livro The Art of Toy Story 5, esse não foi sempre o plano da Pixar. A publicação mostra artes iniciais e ideias que ficaram de fora do filme, incluindo a cena em que Jessie reencontraria Emily e outra em que Bala no Alvo visitaria seu primeiro dono, Charlie.

O final descartado teria mostrado Emily como avó
A codiretora e roteirista Kenna Harris explicou no livro que a primeira ideia colocava Emily de volta à vida de Jessie em uma cena do final. Segundo ela, a antiga dona da vaqueira apareceria como avó e apresentaria o brinquedo ao neto, em uma passagem pensada para mexer com a memória afetiva dos fãs.
“Emily agora era avó e apresentava sua amada boneca de infância ao netinho em uma sequência climática tocante. Eu desenhei isso como uma exploração daquele momento especial, cheio de nostalgia.”
Harris também contou que, mesmo após a mudança no roteiro, a ligação entre Jessie e Emily continuou sendo uma peça central para o filme.
“Embora o filme tenha seguido outro caminho, sempre soubemos que a conexão especial de Jessie com Emily seria essencial para Toy Story 5.”
A imagem divulgada reforça bem essa intenção. Em uma das páginas, Emily aparece mais velha, segurando Jessie com cuidado, enquanto a boneca surge diante de uma nova criança. É uma composição simples, mas carregada de história para quem acompanha a franquia desde Toy Story 2.
A decisão de cortar a cena também muda bastante a leitura do final. Em vez de entregar um reencontro direto, o filme preferiu trabalhar com ausência, memória e continuidade. Jessie não recebe uma resposta completa de Emily, mas encontra sinais de que foi lembrada.
Por que a Pixar pode ter mudado o final
Mudanças desse tipo são comuns em animações da Pixar. Durante o desenvolvimento, personagens, vilões, cenas inteiras e desfechos podem ser alterados até a equipe encontrar a melhor versão para o filme.
No caso de Toy Story 5, o reencontro com Emily talvez entregasse um fechamento mais óbvio para Jessie. Ao deixar a cena de fora, a Pixar apostou em algo menos direto: a vaqueira percebe que sua importância passou de uma geração para outra, mesmo sem rever a menina que um dia a abandonou.
Essa escolha também conversa com a ideia central do novo filme, que coloca os brinquedos diante de um mundo cada vez mais dominado por telas. Bonnie, agora com 8 anos, passa a se interessar por Lilypad, um tablet inteligente em formato de sapo, e os brinquedos precisam lidar com a sensação de serem deixados de lado.
Nesse contexto, a história de Jessie ganha ainda mais força. Ela já viveu esse medo antes. A diferença é que, agora, sua jornada não se limita a ser escolhida por uma criança, mas a entender que o amor por um brinquedo pode sobreviver mesmo quando a infância acaba.
Toy Story 5 estreou com números enormes nos cinemas
Além da repercussão em torno do final alternativo, Toy Story 5 chegou aos cinemas com uma abertura muito forte. O filme arrecadou US$ 312 milhões em seu primeiro fim de semana no mundo, com US$ 160 milhões nos Estados Unidos e US$ 152 milhões no mercado internacional.
O resultado colocou a nova aventura da Pixar como a melhor estreia da franquia e a maior abertura de 2026 até agora. Os US$ 160 milhões nos EUA representam a segunda maior estreia doméstica de uma animação, atrás apenas de Os Incríveis 2.
Além disso, o filme impulsionou as animações anteriores no Disney+, provocando um aumento nas visualizações para mais de 60 milhões de horas assistidas no Disney+ no período que antecedeu a estreia de Toy Story 5, o maior já registrado na plataforma em torno de um lançamento futuro nos cinemas.
Com isso, Toy Story 5 segue em cartaz com grande força, enquanto os fãs começam a descobrir, aos poucos, as versões alternativas que a Pixar considerou antes de chegar ao filme exibido nos cinemas.