Enquanto prepara o Verts, Disney+ testa novas maneiras de assistir na América Latina

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Abrir o Disney+, escolher um filme ou série e dar o play ainda é a experiência mais comum para quem assina o serviço. Mas a Disney está experimentando outras maneiras de fazer o público passar mais tempo dentro do aplicativo, inclusive sem precisar escolher um título a cada vez.

Nos últimos meses, a plataforma passou a reunir esportes ao vivo, canais temáticos e novas ferramentas de descoberta. Os vídeos verticais também entraram nessa estratégia, com o Verts já disponível nos Estados Unidos e uma expansão planejada para a América Latina.

Agora, declarações de um executivo da Disney no México ajudam a entender que os testes regionais vão além de uma nova área de vídeos curtos. A companhia está avaliando formas de consumo mais próximas da televisão tradicional, transmissões contínuas e diferentes estruturas de conteúdo.

Em entrevista à publicação especializada PRODU, Luis Arvizu, responsável pela operação direta ao consumidor da Disney no México, detalhou essas experiências e revelou que um reality transmitido 24 horas por dia já apresentou resultados positivos para o Disney+.

O Disney+ quer descobrir como o público prefere assistir

Segundo Arvizu, a empresa está analisando experiências lineares, modalidades de consumo mais passivo e novos formatos verticais. A intenção é testar quais conteúdos e estruturas funcionam melhor para os usuários mexicanos.

O consumo linear é aquele em que a programação segue uma sequência definida, como acontece em um canal de televisão. Já o consumo passivo permite que a pessoa simplesmente entre no serviço e assista ao que está passando, sem precisar procurar um filme ou selecionar um episódio.

Isso não significa que o Disney+ deixará de funcionar como um catálogo sob demanda. A ideia é acrescentar alternativas para momentos diferentes. O assinante pode querer assistir a um lançamento específico, acompanhar uma transmissão ao vivo ou apenas encontrar algo interessante sem gastar tempo navegando pelas opções.

A fala do executivo ganha relevância porque se conecta a uma confirmação recente de Juliana Oliveira sobre o Verts na América Latina. A vice-presidente de Direct to Consumer do Disney+ Brasil informou que o recurso está planejado para a região, embora ainda não exista uma data anunciada.

O Verts funciona como um feed de vídeos curtos dentro do aplicativo para celulares. O usuário pode deslizar por cenas e trechos de produções, adicionar um título à sua lista ou iniciar a reprodução completa. A Disney também anunciou uma parceria com o TikTok para permitir que criadores participantes produzam vídeos com materiais de suas marcas, com possibilidade de distribuição dentro do próprio Verts.

É importante separar as duas informações: a chegada do Verts à América Latina está confirmada, mas Arvizu não anunciou que todos os formatos testados no México serão lançados no Brasil. As declarações mostram, porém, que diferentes operações da Disney estão trabalhando em maneiras de ampliar o uso da plataforma.

O algoritmo precisa acompanhar essa mudança

A variedade de formatos traz outro desafio. Arvizu destacou que o Disney+ possui dezenas de milhares de horas de conteúdo e precisa colocar as opções certas diante de cada usuário.

Nesse cenário, o sistema de recomendação ganha uma função ainda mais importante. Não basta identificar se alguém gosta de Marvel, animações ou séries policiais. A plataforma também precisa entender se aquela pessoa tem interesse em acompanhar um evento ao vivo, assistir a uma programação contínua ou descobrir algo por meio de vídeos curtos.

O executivo afirmou que a empresa está testando quais estruturas geram maior conexão com o público mexicano. Não foram divulgados detalhes técnicos sobre mudanças no algoritmo, nem uma nova interface específica para esses experimentos.

A diferença é que o Disney+ passa a lidar com hábitos de consumo distintos dentro do mesmo aplicativo. Um filme exige uma escolha e um período de atenção. Um canal linear pode ficar ligado enquanto a pessoa faz outra atividade. Já um reality 24/7 permite entrar e sair da transmissão ao longo do dia, enquanto um vídeo vertical pode funcionar como porta de entrada para um conteúdo maior.

Realities 24/7 já apresentaram resultados positivos no México

A experiência mais concreta citada por Arvizu envolve o MasterChef 24/7. O Disney+ México ofereceu uma transmissão contínua que complementava a exibição do programa na televisão aberta, permitindo que os assinantes acompanhassem os participantes durante o dia.

O executivo classificou os resultados como “muito, muito bons” e destacou o nível de engajamento obtido. A experiência mostrou que havia público disposto a acompanhar um programa tradicionalmente exibido em episódios por meio de uma sinalização contínua durante meses.

Arvizu não apresentou números de audiência, horas assistidas ou crescimento de assinantes. Portanto, não é possível medir a dimensão comercial desse resultado. O que se sabe é que a avaliação interna foi positiva e que o modelo está sendo utilizado novamente.

O exemplo atual é a segunda temporada de La Granja VIP, que estreou em 6 de setembro na Azteca Uno. O catálogo oficial do Disney+ México confirma que os assinantes locais têm acesso exclusivo a uma transmissão ao vivo 24 horas por dia, sete dias por semana.

O serviço também disponibiliza páginas específicas para a experiência de acesso total 24/7 e para a gala de estreia da segunda temporada. Isso mostra como a produção combina a programação da TV aberta com conteúdos próprios para o streaming.

Para receber esse tipo de sinal, o Disney+ precisou adaptar sua operação a conteúdos de duração extremamente longa. É uma necessidade diferente daquela de hospedar filmes ou episódios convencionais, que possuem começo, fim e duração previamente definidos.

Uma produção pensada para funcionar em várias plataformas

A segunda temporada mexicana de La Granja VIP terá 15 semanas de convivência, transmissão contínua e conteúdos paralelos. A Fremantle, responsável pelo formato, considera essa a adaptação mais ambiciosa já realizada em qualquer país.

Johanna Helman, diretora-geral da Fremantle México e chefe de produção para a América Latina, explicou que o formato original foi concebido para temporadas pré-gravadas de aproximadamente 20 a 35 episódios. A versão mexicana exige uma estrutura muito maior, tanto pela duração quanto pela quantidade de conteúdo produzido para diferentes meios.

A executiva afirmou que a produção abriu uma nova possibilidade comercial para a Fremantle em outros mercados. O cenário foi construído de forma que também possa receber futuras versões do reality realizadas para outros territórios. Isso não representa, entretanto, a confirmação de uma adaptação brasileira.

Adrián Ortega, diretor-geral de Conteúdos da TV Azteca, também destacou a parceria com a Disney como parte central da estratégia multiplataforma do programa. A proposta combina televisão aberta, streaming e conteúdos digitais para manter o público em contato com o reality durante toda a semana.

Para o Disney+, a experiência funciona como um teste prático de distribuição e comportamento do público. A empresa pode observar como os usuários acessam uma transmissão contínua, quais conteúdos despertam interesse e de que maneira a TV aberta e o streaming podem se complementar.

No Brasil, ainda não há anúncio de La Granja VIP ou MasterChef 24/7 no catálogo, nem confirmação de que essas experiências mexicanas serão reproduzidas por aqui. O que já foi confirmado para a América Latina é o Verts, enquanto os testes de formatos lineares, consumo passivo e conteúdo contínuo permanecem ligados às declarações de Arvizu sobre o mercado mexicano.

A combinação dessas iniciativas ajuda a explicar a direção que a Disney está estudando: um aplicativo no qual o usuário não precise necessariamente chegar sabendo o que deseja assistir. Em vez de depender apenas da busca por filmes e séries, o Disney+ também pode oferecer programação em andamento, transmissões de longa duração e novas formas de descobrir conteúdos, com cada mercado servindo de referência para futuras decisões da companhia.

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