Dois estúdios recusaram Stranger Things antes da Netflix. Um deles hoje é da Disney

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Stranger-Things Dois estúdios recusaram Stranger Things antes da Netflix. Um deles hoje é da Disney

Existe um universo paralelo, talvez tão assustador quanto o Mundo Invertido, em que Stranger Things nunca virou o fenômeno que conhecemos. Um universo em que a série foi engavetada depois de bater em portas erradas, e Eleven, Mike e a turma de Hawkins jamais chegaram às telas.

Esse universo quase existiu.

Os Irmãos Duffer, Matt e Ross, participaram de uma extensa entrevista no podcast Happy Sad Confused, apresentado por Josh Horowitz, com gravação ao vivo em Los Angeles. Em mais de uma hora de conversa, os criadores da série mais assistida da história da Netflix falaram sobre rejeições, bastidores e segredos do elenco.

E uma das revelações mais surpreendentes foi quase um detalhe: antes de conquistar o streaming, Stranger Things foi oferecido ao FX e ao estúdio A24, e os dois disseram não.

O FX, em especial, deixou uma ferida. Os Duffers já tinham trabalhado com o canal na série Wayward Pines, então aquela rejeição tinha um peso diferente. Era conhecida e, mesmo assim, não quis apostar.

Hoje o FX pertence à The Walt Disney Company. Em 2019, a Disney concluiu a compra de grande parte dos ativos da 21st Century Fox por cerca de 71 bilhões de dólares, e o FX entrou no pacote. Ou seja: o canal que recusou Stranger Things agora divide o mesmo guarda-chuva corporativo do Disney+, Hulu, Marvel Studios e Star Wars. Uma ironia e tanto.

Já a A24, produtora independente conhecida por apostas autorais como Hereditário e Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo, simplesmente encarou os irmãos sem reação. Segundo os próprios Duffers, eles eram “nerds demais” para o perfil do estúdio.

O que o FX perdeu

A Netflix, claro, disse sim. E o resto é história bem documentada: Stranger Things virou um dos maiores sucessos da televisão mundial, relançou a carreira de Kate Bush com “Running Up That Hill”, transformou Millie Bobby Brown em estrela global e encerrou sua última temporada com uma despedida à altura.

Mas voltando ao FX: o canal que hoje produz séries aclamadas como O Urso e Xógum: A Gloriosa Saga do Japão abriu mão de uma série de ficção científica oitentista sobre crianças em bicicletas enfrentando monstros interdimensionais. Faz sentido? Talvez não na época. O gênero nostálgico ainda não tinha provado seu potencial comercial daquele jeito.

O problema é que o FX tinha todas as informações de que precisava. Tinha os Duffers, que já conhecia. Tinha o roteiro. E ainda assim não apostou.

Outros bastidores revelados na entrevista

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A entrevista ao Happy Sad Confused foi recheada de revelações. Os Duffers confirmaram que o papel do Hopper quase foi de Billy Crudup, ator de The Morning Show, antes de David Harbour entrar com uma fita de audição gravada em casa que convenceu todo mundo na hora.

Sobre o polêmico episódio 7 da segunda temporada, aquele em que Eleven vai a Chicago encontrar Kali, Matt Duffer não poupou palavras: “Deixa eu acabar com uma besteira que circula na internet. Aquilo nunca foi desenhado como piloto de spin-off. É mentira. É horrível. A gente não faria isso.”

Houve ainda a revelação de que a série quase se chamou Montauk, em referência à cidade de Long Island onde se passaria originalmente. Quando a história foi transferida para a fictícia Hawkins, Indiana, ficaram meses sem título.

David Harbour, recém-escalado e mal conhecido pelos criadores, chegou a mandar um e-mail longo e inflamado dizendo o quanto achava o nome Stranger Things uma péssima escolha. Os Duffers brincaram que um dia vão publicar essa mensagem.

O produtor executivo Ted Sarandos, CEO da Netflix, deu um prazo de duas semanas para que escolhessem um nome e garantiu: “Vocês vão se acostumar.” Ele estava certo.

Sobre o final da série e o destino de Eleven, a divisão continua: parte do elenco, incluindo Sadie Sink, Caleb McLaughlin e Gaten Matarazzo, acredita que a personagem não sobreviveu. Os Duffers acharam graça, lembrando que os personagens, dentro da ficção, acreditam que ela está viva.

Quanto ao som que muitos interpretaram como um batimento cardíaco antes do salto de 18 meses no tempo, a resposta foi: “É um tijolo. Só um tijolo distorcido. Mas pode ser interpretado como um coração. Era pra ser interpretado assim, talvez.”

Os criadores compararam o silêncio sobre o destino de Eleven ao que David Chase fez com o final de Família Soprano e brincaram que podem revelar a verdade daqui a vinte anos.

Enquanto isso, o FX segue fazendo ótimas séries, a Disney segue expandindo seu império e Stranger Things segue sendo, provavelmente, a maior série que eles deixaram escapar.

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