Disney já gastou US$ 7,2 bilhões recomprando as próprias ações

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Os resultados da Disney apresentados nesta quarta-feira, 5 de agosto, vieram acompanhados de números positivos em várias áreas. A receita cresceu, o lucro operacional avançou e Disney+ e Hulu mais que dobraram o resultado obtido com streaming.

A companhia, porém, não está direcionando todo o dinheiro disponível apenas para filmes, séries, parques e tecnologia. Uma parcela considerável está voltando aos acionistas por meio de dividendos e da recompra de papéis negociados na Bolsa de Nova York.

Essa operação costuma receber menos atenção do público do que uma grande aquisição ou o anúncio de novos projetos. Ainda assim, ela movimenta valores comparáveis aos maiores investimentos anuais da empresa.

Nos nove primeiros meses do ano fiscal de 2026, a Disney gastou US$ 7,245 bilhões para recomprar 68 milhões de suas próprias ações. O valor, equivalente a cerca de R$ 39 bilhões em conversão aproximada, já supera com folga tudo o que a companhia desembolsou na mesma finalidade durante o ano fiscal anterior.

A informação aparece no relatório trimestral enviado pela Disney à SEC, órgão que fiscaliza o mercado de capitais dos Estados Unidos.

Valor quase triplicou em um ano

No mesmo período do ano fiscal de 2025, a Disney havia recomprado 24 milhões de ações por US$ 2,496 bilhões. Dessa forma, o total destinado à operação cresceu aproximadamente 190% em 12 meses.

A diferença também aparece quando o terceiro trimestre é analisado separadamente. Entre o fim de março e 27 de junho de 2026, foram recompradas 17 milhões de ações por US$ 1,745 bilhão.

Um ano antes, a empresa havia usado US$ 711 milhões para retirar 7 milhões de ações do mercado durante o trimestre equivalente.

PeríodoAções recompradasValor gasto
Nove meses de 202524 milhõesUS$ 2,496 bilhões
Nove meses de 202668 milhõesUS$ 7,245 bilhões
Crescimento44 milhões190%

A estratégia ainda não terminou. Na carta divulgada aos acionistas, a Disney elevou sua meta e informou que pretende gastar pelo menos US$ 9 bilhões com recompras até o encerramento do atual ano fiscal.

Isso significa que a companhia ainda deve aplicar ao menos US$ 1,755 bilhão nessa operação durante o último trimestre, caso não tenha realizado novas compras entre o encerramento do período analisado e a publicação dos resultados.

A meta anterior era de US$ 7 bilhões. Ela já havia sido atingida antes do fim do terceiro trimestre e agora foi ampliada em pelo menos US$ 2 bilhões.

O que a Disney ganha ao comprar as próprias ações

Quando uma empresa recompra seus papéis, ela retira parte das ações disponíveis para negociação. Os títulos normalmente passam a ser registrados como ações em tesouraria e deixam de participar da distribuição de dividendos enquanto permanecerem nessa condição.

A Disney quase dobrou a quantidade de ações mantidas em tesouraria. O total passou de 79 milhões no fim de setembro de 2025 para 148 milhões em junho de 2026.

Uma base menor de ações pode beneficiar os investidores que continuam com seus papéis. Se o lucro permanecer estável, por exemplo, o ganho por ação tende a aumentar porque o resultado passa a ser dividido entre uma quantidade menor de títulos.

A recompra também pode indicar que a administração considera as ações da própria empresa uma aplicação interessante. Em outros casos, ela serve para compensar novos papéis entregues a funcionários e executivos por meio de programas de remuneração.

O conselho da Disney autorizou a recompra de até 400 milhões de ações em fevereiro de 2024. Ao final de junho de 2026, ainda havia autorização para adquirir aproximadamente 271 milhões. O programa não possui data definida para terminar.

A Disney tinha cerca de 1,727 bilhão de ações em circulação em 29 de julho de 2026.

Recompras superaram o fluxo de caixa livre do período

A dimensão do programa fica mais clara quando o valor é comparado à geração de caixa da companhia.

Nos nove primeiros meses do ano fiscal, as operações da Disney geraram US$ 12,515 bilhões em caixa. Após descontar US$ 6,780 bilhões investidos em parques, resorts, navios e outros ativos, o fluxo de caixa livre ficou em US$ 5,735 bilhões.

Portanto, os US$ 7,245 bilhões usados nas recompras superaram o fluxo de caixa livre gerado no mesmo período.

Isso não significa que a Disney tenha necessariamente contraído empréstimos apenas para comprar suas ações. Grandes empresas podem financiar esse tipo de operação com uma combinação de caixa já disponível, recursos obtidos em diferentes períodos, venda de ativos e novas dívidas.

O balanço mostra que a Disney terminou junho com US$ 5,185 bilhões em caixa e equivalentes, abaixo dos US$ 5,695 bilhões registrados no início do ano fiscal. Os empréstimos totais, por outro lado, passaram de US$ 42,026 bilhões para US$ 46,041 bilhões.

Durante os nove meses, a companhia contratou US$ 13,556 bilhões em novos empréstimos e pagou US$ 9,867 bilhões. Parte dessas operações esteve ligada ao refinanciamento de dívidas e à entrega do navio Disney Destiny.

A Disney também distribui dinheiro aos acionistas por meio de dividendos. No ano fiscal de 2026, foram aprovadas duas parcelas de US$ 0,75 por ação, cada uma estimada em cerca de US$ 1,3 bilhão. A primeira foi paga em janeiro e a segunda em 22 de julho.

O contraste com as demissões e os investimentos

O crescimento das recompras acontece enquanto a empresa mantém um programa de redução de despesas. Somente nos nove primeiros meses de 2026, foram reconhecidos US$ 180 milhões em custos com indenizações trabalhistas.

O relatório também informa que a administração segue avaliando reduções no quadro de funcionários e em despesas administrativas. Como já detalhamos, a Disney admite que outros cortes podem acontecer.

As duas decisões costumam gerar comparações, mas não devem ser tratadas como se fossem a mesma conta. O dinheiro usado na recompra de ações não poderia ser automaticamente convertido em salários, e a companhia define separadamente seus planos de investimento, despesas operacionais e retorno aos acionistas.

Ainda assim, os números ajudam a mostrar as prioridades atuais da administração. Ao mesmo tempo em que reduz equipes e busca economias, a Disney aumentou de forma expressiva a quantia destinada aos detentores de suas ações.

A companhia também continua aplicando valores elevados em seus negócios. A previsão é gastar aproximadamente US$ 24 bilhões com filmes, séries e direitos esportivos em 2026, além de cerca de US$ 9 bilhões em parques, cruzeiros, tecnologia e outros ativos.

A venda da participação de 50% na A+E Global Media deve acrescentar aproximadamente US$ 1,2 bilhão em dinheiro até o fim do ano fiscal, caso a operação seja concluída dentro do prazo esperado. A Disney informou que parte desse valor também será destinada à recompra de ações.

Com a nova meta, a companhia deve terminar 2026 aplicando ao menos US$ 9 bilhões na retirada de seus próprios papéis do mercado, mais que o dobro dos US$ 3,5 bilhões gastos durante todo o ano fiscal de 2025.

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