Disney+ desativa Chromecast em dois países após derrota judicial

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Interface-Disney-Plus Disney+ desativa Chromecast em dois países após derrota judicial

Uma disputa de patentes que já havia mexido com a qualidade de imagem do Disney+ agora chegou a uma função usada diariamente por quem prefere mandar filmes e séries do celular para a televisão.

Nos últimos meses, assinantes europeus viram recursos como Dolby Vision, HDR10+ e conteúdos em 3D desaparecerem em meio aos processos entre Disney e InterDigital. O caso, porém, ganhou um novo capítulo nesta semana.

Desta vez, a consequência não está na resolução ou no formato do vídeo. Usuários do Disney+ na Alemanha e na Holanda começaram a perder o acesso à transmissão pelo Google Cast, tecnologia usada pelo Chromecast e integrada a diversos televisores e aparelhos.

A mudança ocorreu depois de uma nova decisão favorável à InterDigital no Unified Patent Court (UPC), tribunal europeu especializado em disputas de patentes. A liminar foi concedida pela divisão local de Düsseldorf em 2 de setembro e vale especificamente para Alemanha e Holanda.

Nos dias seguintes, a consequência apareceu diretamente no aplicativo.

Assinantes passaram a encontrar uma mensagem ao tentar transmitir um vídeo para outro dispositivo:

“A transmissão via Chromecast não está disponível no seu país de origem.”

O 9to5Google confirmou a retirada do suporte ao Google Cast nas regiões afetadas em 4 de setembro. Não se trata, portanto, de uma falha temporária conhecida do aplicativo ou de incompatibilidade com um modelo específico de Chromecast.

Patente envolve transmissão de vídeo entre dispositivos

Segundo a InterDigital, a patente analisada pelo tribunal abrange uma tecnologia que permite assistir a vídeos de maneira contínua ao compartilhar o conteúdo entre diferentes dispositivos.

O tribunal considerou que a Disney infringiu a patente e também confirmou sua validade. A decisão determina uma liminar contra a Disney nos dois países, embora a empresa ainda possa recorrer.

Isso ajuda a explicar por que o Google Cast foi atingido. Ao usar o recurso, o assinante pode iniciar a reprodução no aplicativo do Disney+ em um celular ou tablet e direcionar o conteúdo para uma TV, Chromecast ou outro equipamento compatível.

No Brasil, essa continua sendo uma das formas oficialmente suportadas de assistir ao serviço. O Guia Disney+ Brasil mantém inclusive um passo a passo para usar Chromecast e AirPlay com o Disney+.

A nova liminar é a terceira obtida pela InterDigital contra a Disney no Unified Patent Court. As duas anteriores envolviam técnicas de codificação de vídeo relacionadas ao HEVC.

A disputa, porém, é bem maior.

Antes das três decisões do UPC, a InterDigital já havia conseguido cinco liminares em processos envolvendo a Disney em tribunais nacionais. Com o resultado anunciado nesta semana, o número chega a oito decisões desse tipo desde o início da ofensiva judicial em 2025. Documentos da própria InterDigital descrevem casos envolvendo HDR, sobreposição de múltiplos fluxos de vídeo e tecnologias de compressão como HEVC e AVC.

As consequências também já chegaram ao assinante.

Em janeiro, mostramos que o Disney+ havia cortado Dolby Vision, HDR10+ e conteúdos em 3D na Alemanha após decisões relacionadas à disputa com a InterDigital.

Naquele momento, o serviço continuava funcionando normalmente, mas com limitações em determinados formatos de imagem. Agora, a retirada do Google Cast mostra outro tipo de resposta: em vez de alterar somente características do vídeo oferecido, o Disney+ deixou de disponibilizar uma função inteira em mercados afetados por uma decisão judicial.

E o Chromecast do Disney+ no Brasil?

Existe um ponto importante nessa história para os assinantes brasileiros: a disputa entre Disney e InterDigital também está na Justiça do Brasil.

Em setembro de 2025, a 7ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Rio de Janeiro concedeu uma liminar à InterDigital em um processo relacionado a duas patentes de codificação de vídeo, AVC e HEVC.

De acordo com a empresa, um laudo pericial solicitado pelo próprio tribunal havia concluído que as duas patentes eram infringidas. A decisão chegou a ser temporariamente suspensa durante uma etapa do recurso, mas a suspensão foi posteriormente retirada.

O processo brasileiro também continuou avançando em 2026. Em documento apresentado à SEC, órgão regulador do mercado financeiro dos Estados Unidos, a InterDigital informou que, em maio deste ano, o tribunal confirmou a decisão preliminar anterior. A companhia mantém ainda outro processo contra a Disney no Rio de Janeiro, aberto em outubro de 2025 e relacionado a outra patente de tecnologia de vídeo.

Nada disso significa que o Chromecast será retirado do Disney+ no Brasil.

A patente analisada na decisão mais recente do Unified Patent Court é ligada especificamente ao compartilhamento contínuo de vídeo entre diferentes dispositivos, e a liminar anunciada em 2 de setembro abrange Alemanha e Holanda.

Até o momento, não há indicação de que o Google Cast tenha sido desativado no Disney+ brasileiro ou de que a decisão europeia possa ser aplicada diretamente por aqui.

Também é importante separar os processos. A liminar brasileira divulgada em 2025 envolve patentes relacionadas à codificação AVC e HEVC, enquanto a decisão que desencadeou a retirada do Cast nos dois países europeus trata de outra tecnologia.

Ainda assim, o caso merece atenção no Brasil justamente porque as duas empresas já se enfrentam nos tribunais daqui. A sequência de decisões também mostra que a Disney tem optado, em alguns mercados, por modificar recursos do Disney+ enquanto os processos continuam.

Para os assinantes brasileiros, porém, Chromecast e Google Cast seguem funcionando normalmente no Disney+ até agora, sem qualquer anúncio de restrição semelhante à aplicada na Alemanha e na Holanda.

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