Disney+ acumula reclamações de assinantes bloqueados por sistema anti-compartilhamento

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Disney-Plus-Compartilhamento-de-Senha Disney+ acumula reclamações de assinantes bloqueados por sistema anti-compartilhamento

Quem nunca tentou assistir a uma série e recebeu aquela mensagem irritante dizendo que o aparelho não faz parte da residência cadastrada? Para muitos assinantes do Disney+, isso já virou rotina. E o problema vai muito além do compartilhamento de senhas que o serviço tenta combater.

Um tópico publicado no Reddit trouxe a discussão sobre as restrições de “domicílio” do Disney+. O post original, feito pelo usuário thunderberry_real, viralizou entre assinantes frustrados com uma política que, na prática, acaba punindo quem paga em dia.

O autor do post explica que tem duas casas e passa cerca de 50% do tempo em cada uma. Mesmo sendo o titular da conta e tendo aparelhos Apple TV instalados nas duas residências, o Disney+ insiste em dizer que ele está “fora do domicílio principal”. A lógica do serviço simplesmente não comporta esse tipo de situação.

“Por favor, Disney, conserte essas restrições completamente quebradas. Aceite meu dinheiro e me deixe assistir aos programas que quero, onde quero!”, desabafou o usuário.

O sistema anti-compartilhamento e seus efeitos colaterais

A política do Disney+ para barrar o compartilhamento de senhas entrou em vigor em junho de 2024, expandindo para diferentes países ao longo dos meses seguintes. No Brasil, as restrições passaram a valer em 12 de novembro de 2024.

A ideia era impedir que uma mesma conta fosse usada por pessoas de residências diferentes sem pagar a mais por isso. Na prática, porém, o sistema criou uma série de situações absurdas para quem simplesmente usa o serviço de forma legítima.

Um assinante relatou que o Disney+ é o pior de todos os streamings para quem tem guarda compartilhada dos filhos. Com as crianças passando metade da semana em cada casa, ele precisa constantemente atualizar o domicílio, receber e-mails de confirmação e contatar o suporte. “Mesmas crianças. Mesmos perfis. Mesmos programas que elas assistem”, resumiu.

Outro usuário foi além e apontou um problema que vai bem além de quem tem duas casas: “O problema existe com duas casas ou nenhuma. Minha colega de quarto assiste no celular durante o almoço no trabalho e isso nos afeta. Crianças que vivem em duas casas por causa do divórcio. Tem gente que reclama que o problema aparece até em quartos diferentes da mesma casa. É um conceito absurdo que o Disney+ precisa abandonar.”

Problemas mesmo dentro da mesma residência

O que surpreende é que boa parte das reclamações vem de usuários que nem sequer têm duas casas. Uma assinante contou que a TV da sala funciona normalmente, mas quando liga a do quarto, que fica literalmente do outro lado da mesma parede, o sistema entende que ela está “fora de casa”.

Outro relato chamou atenção: um usuário afirmou ter apenas uma residência e receber o alerta de domicílio toda vez que tenta usar o Apple TV do quarto. Todos os outros serviços, como Netflix, HBO Max, Apple TV+, Paramount+ e Prime Video, funcionam sem qualquer problema. Só o Disney+ tranca.

Há ainda quem precise ligar para o suporte com frequência quase mensal para resetar tudo. Um assinante disse já conhecer de cor todas as perguntas que os atendentes fazem, de tanto que passou pela situação. Outro contou que guarda em um arquivo de texto todas as informações que o suporte sempre pede, para agilizar o processo quando o bloqueio volta.

Soluções improvisadas

Alguns usuários encontraram saídas criativas para driblar o problema. Uma delas envolve o Tailscale, um aplicativo de rede privada (VPN) que permite fazer com que o tráfego de uma segunda casa passe pelo endereço IP da casa principal. Com isso, o Disney+ não percebe que a conexão vem de outro local.

Outra dica que circulou no tópico: transmitir o Disney+ por 15 minutos no celular primeiro na casa principal e depois, antes de se conectar a qualquer outro dispositivo na segunda residência, repetir a transmissão por 15 minutos no mesmo aparelho. Um processo trabalhoso, mas que segundo alguns usuários funciona tanto para o Disney+ quanto para Netflix e outros serviços.

Mesmo assim, boa parte dos assinantes está no limite da paciência. Um deles afirmou estar prestes a cancelar uma assinatura de mais de seis anos por causa da regra, sem nem tentar compartilhar com ninguém. “Só quero assistir aquilo pelo qual paguei, em mais de um lugar. Uma pena.”

Outro disse que está perto de cortar três assinaturas diferentes e que, caso continue tendo problemas, o Disney+ seria o primeiro a ir.

O que o Disney+ permite hoje

Atualmente, o Disney+ trabalha com o conceito de “domicílio principal”, definido pelo endereço IP da rede onde a conta é usada com mais frequência. Assinantes podem indicar que estão “fora de casa” por um período limitado, mas esse recurso tem um número restrito de usos antes de precisar ser resetado pelo suporte.

Existe também a opção de “Membro Extra“, que permite adicionar uma pessoa fora do domicílio por um valor adicional. O problema é que esse membro extra não compartilha perfis nem histórico de visualização e só pode assistir em um dispositivo por vez, o que limita bastante a utilidade do recurso para famílias com rotinas mais complexas.

Por enquanto, o Disney+ segue sem uma solução clara para situações como guarda compartilhada de filhos, casas de fim de semana, viagens frequentes ou simplesmente aparelhos em cômodos diferentes que o sistema teima em não reconhecer.

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