Demi Moore defende trabalhar com a Inteligência Artificial no cinema

Gosta do nosso conteúdo? Favorite o Guia Disney+ Brasil como fonte preferida no Google.
1000179210 Demi Moore defende trabalhar com a Inteligência Artificial no cinema

Cannes sempre foi palco de grandes debates sobre o futuro do cinema. Mas nesta edição de 2026, um assunto dominou as primeiras horas do festival antes mesmo de qualquer filme entrar em competição: a inteligência artificial e o que ela significa para quem faz arte.

Foi durante a coletiva de imprensa do júri, nesta terça-feira, que Demi Moore entrou na conversa de frente. Sem rodeios, sem resposta decorada.

A atriz, que voltou ao centro das atenções após o sucesso de A Substância no próprio Cannes no ano passado, foi questionada pela Variety sobre como a IA está afetando a indústria do cinema e se seria necessária mais regulação. O que veio a seguir foi uma das falas mais comentadas do dia.

“É uma batalha que vamos perder”

“Wow, essa é uma pergunta grande”, começou Moore. Depois, foi direta: “Acho que a realidade é que resistir… sempre sinto que a oposição gera mais oposição. A IA está aqui. E lutar contra ela é travar uma batalha que vamos perder. Por isso, encontrar formas de trabalhar com ela é um caminho mais valioso.”

A declaração não foi de entusiasmo cego. Quando pressionada sobre se a indústria está fazendo o suficiente para se proteger, Moore admitiu a incerteza: “Minha inclinação seria dizer que provavelmente não.”

Mas ela foi além do debate regulatório. Para Moore, existe algo que a tecnologia simplesmente não consegue capturar:

“A verdade é que não há nada a temer, porque o que ela nunca vai substituir é de onde vem a arte verdadeira, que não é o físico. Vem da alma. Vem do espírito de cada um de nós que cria todos os dias. E isso jamais poderá ser recriado por algo técnico.”

É uma posição que reconhece a presença inevitável da IA sem abrir mão do que define o trabalho artístico.

Demi Moore sobre política

A-Substancia-Demi-Moore Demi Moore defende trabalhar com a Inteligência Artificial no cinema

A coletiva também tocou em outro tema delicado. Moore foi questionada sobre se artistas que falam livremente sobre política correm o risco de prejudicar suas carreiras.

A resposta foi curta e sem hesitação: “Espero que não.”

E ela continuou: “A arte é sobre expressão. Se começarmos a nos censurar, fechamos o núcleo da nossa criatividade, que é exatamente onde podemos descobrir verdades e respostas.”

O diretor sul-coreano Park Chan-wook, presidente do júri deste ano, reforçou o ponto com uma declaração que deve render discussão ao longo do festival. Questionado sobre o acalorado debate que aconteceu no Festival de Berlim no início de 2026, ele disse, por meio de intérprete:

“Acho estranho pensar que arte e política estão em conflito. Só porque uma obra tem uma declaração política, ela não deve ser vista como inimiga da arte. Mas se uma declaração política brilhante não for expressa de forma artística o suficiente, vira apenas propaganda. Arte e política não são conceitos em conflito, desde que sejam expressos artisticamente.”

Moore integra o júri ao lado de nomes como Ruth Negga (Loving, Passing), Laura Wandel (Playground), Diego Céspedes (O Olhar Misterioso da Flaminga), Isaach de Bankolé (Muganga), Paul Laverty (roteirista de Ken Loach em O Vento que Agita a Cevada e Eu, Daniel Blake), Chloé Zhao (vencedora do Oscar por Nomadland) e Stellan Skarsgård (Mamma Mia!).

A edição de 2026 chama atenção pela ausência de produções de Hollywood na seleção. O diretor do festival, Thierry Frémaux, já havia explicado o fenômeno em coletiva na segunda-feira: a indústria americana está “passando por uma grande transformação”, resultado de uma cadeia de eventos que inclui a pandemia, a greve dos roteiristas (ligada, não por acaso, a questões de inteligência artificial), fusões, aquisições e a expansão das plataformas de streaming.

O festival foi aberto oficialmente nesta terça-feira com The Electric Kiss, comédia dramática francesa de Pierre Salvadori sobre um jovem pintor que tenta se comunicar com a esposa falecida por meio de uma médium.

O debate sobre IA, no entanto, já deixou claro que não vai esperar pelo tapete vermelho para acontecer.

Gostou deste conteúdo?

Favorite o Guia Disney+ Brasil como fonte preferida no Google para encontrar nossas notícias com mais facilidade.

Adicionar como fonte preferida no Google

Acompanhe o Guia Disney+ Brasil também no X (Twitter).

Deixe um comentário