Ann Lee e os Shakers: entenda a religião que pregava igualdade e celibato

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O Disney+ lançou O Testamento de Ann Lee, drama histórico estrelado por Amanda Seyfried como uma das figuras religiosas mais incomuns do século 18. Para muita gente, o nome Ann Lee pode soar distante. Mas a história por trás do filme passa por temas atuais: fé radical, igualdade entre homens e mulheres, vida comunitária, música, dança, perseguição religiosa e uma visão de mundo baseada no celibato.

No filme da Searchlight Pictures, Ann Lee é apresentada como a fundadora da seita de devoção dos Shakers, uma líder reverenciada por seus seguidores e defensora da igualdade social e de gênero. O filme também destaca os hinos tradicionais do grupo, com coreografias e canções originais.

Mas quem foi essa mulher? E por que os Shakers ficaram tão associados à ideia de uma religião que pregava igualdade e, ao mesmo tempo, rejeitava relações sexuais?

Quem foi Ann Lee?

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Ann Lee – fundadora dos Shakers

Ann Lee nasceu em Manchester, na Inglaterra, em 1736, em um período de forte agitação religiosa. Ainda jovem, ela se aproximou de um grupo de dissidentes cristãos ligados aos chamados Shaking Quakers, expressão usada por causa das manifestações físicas durante os cultos, com tremores, cantos e danças.

Esse grupo acabaria dando origem aos Shakers, nome pelo qual seus seguidores ficariam mais famosos nos Estados Unidos. A fé deles misturava rigor espiritual, vida comunitária e cultos marcados por movimentos corporais intensos.

Ann Lee ganhou autoridade dentro do grupo depois de afirmar ter recebido revelações durante um período na prisão, em Manchester. Para seus seguidores, ela passou a ser chamada de Mãe Ann, uma líder espiritual com papel central na comunidade.

Em 1774, Ann Lee deixou a Inglaterra e viajou para a América do Norte com um pequeno grupo de seguidores. Segundo o Serviço Nacional de Parques dos Estados Unidos, ela chegou a Nova York e, nos anos seguintes, reuniu fiéis até sua morte, em 1784.

O que eram os Shakers?

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Os Shakers eram uma comunidade religiosa cristã que acreditava na possibilidade de construir uma vida mais pura, disciplinada e coletiva. O nome vinha justamente das reações físicas em seus cultos, já que os fiéis cantavam, dançavam e se moviam como parte da experiência espiritual.

A religião defendia uma organização comunitária, com divisão de bens, trabalho coletivo, simplicidade no modo de vida e forte disciplina interna. Seus membros também valorizavam a confissão dos pecados, a separação de práticas consideradas mundanas e a busca por uma vida dedicada à fé.

Um dos pontos mais marcantes era a defesa da igualdade espiritual entre homens e mulheres. Em pleno século 18, Ann Lee ocupou uma posição de liderança religiosa em um ambiente no qual mulheres raramente tinham esse tipo de autoridade pública.

Essa característica ajuda a explicar por que a história dela continua despertando curiosidade. Ann Lee não era apenas uma figura religiosa. Ela liderou pessoas, atravessou o Atlântico, fundou comunidades e desafiou padrões de seu tempo.

Por que os Shakers pregavam o celibato?

O celibato era uma das bases da fé Shaker. Para Ann Lee e seus seguidores, a renúncia às relações sexuais fazia parte de um caminho de purificação espiritual.

A trajetória pessoal de Ann Lee costuma aparecer nas explicações sobre essa crença. Ela se casou com Abraham Stanley, teve quatro filhos e todos morreram ainda pequenos. Historiadores apontam que essas perdas marcaram profundamente sua visão sobre casamento, maternidade e sexualidade.

A partir daí, Ann Lee passou a defender o celibato como ideal religioso. Dentro das comunidades Shakers, homens e mulheres viviam separados, e a continuidade do grupo dependia da conversão de novos membros e, em alguns períodos, da adoção de crianças.

Isso torna a história dos Shakers ainda mais peculiar. Ao mesmo tempo em que o grupo defendia uma sociedade igualitária e comunitária, sua própria sobrevivência dependia de pessoas de fora, já que seus membros não tinham filhos.

Igualdade, fé e vida em comunidade

A igualdade entre homens e mulheres era um dos aspectos mais fortes da organização Shaker. A liderança feminina de Ann Lee não foi um detalhe isolado. A estrutura do grupo abriu espaço para que mulheres também tivessem funções de autoridade espiritual e administrativa.

No cotidiano, os Shakers buscavam uma vida sem luxo, marcada por trabalho, ordem e cooperação. Eles se tornaram lembrados também por seus móveis, arquitetura simples, músicas religiosas e soluções práticas criadas dentro das comunidades.

No filme do Disney+, essa herança musical aparece com destaque. A sinopse informa que O Testamento de Ann Lee apresenta mais de uma dúzia de hinos tradicionais dos Shakers, reinterpretados com coreografia de Celia Rowlson-Hall, além de canções originais e trilha sonora de Daniel Blumberg.

Essa escolha faz sentido dentro da própria história do grupo. Música, movimento e devoção estavam ligados ao modo como os Shakers expressavam sua fé.

O que O Testamento de Ann Lee mostra no Disney+

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Dirigido por Mona Fastvold, de Um Fascinante Novo Mundo, e roteirista de O Brutalista, O Testamento de Ann Lee apresenta Amanda Seyfried como uma líder religiosa em busca de uma utopia.

O elenco também reúne Thomasin McKenzie, Lewis Pullman, Stacy Martin, Matthew Beard, Scott Handy, Viola Prettejohn, Jamie Bogyo, David Cale, Tim Blake Nelson e Christopher Abbott. O roteiro é assinado por Fastvold e Brady Corbet.

A produção não trata apenas de uma biografia religiosa. Pela própria sinopse, o filme aposta na mistura entre drama histórico, música, dança e devoção para retratar a jornada de Ann Lee e dos Shakers.

Para quem encontra o nome dela pela primeira vez no Disney+, o contexto real ajuda a entender por que essa história rende um filme tão diferente. Ann Lee foi uma mulher pobre de Manchester que se tornou líder espiritual, atravessou o oceano e fundou um movimento baseado em igualdade, disciplina e celibato.

Essa combinação, por si só, já explica por que O Testamento de Ann Lee pode despertar buscas sobre quem foi Ann Lee, o que eram os Shakers e por que uma religião inteira decidiu transformar a renúncia ao sexo em princípio de fé.

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