
Há marcas que parecem existir além do tempo. A Victoria’s Secret foi, por décadas, sinônimo de desejo, glamour e um tipo muito específico de feminilidade fabricada com precisão milimétrica. Os desfiles televisionados, os “anjos” com asas de plumas, os perfumes cor-de-rosa e a promessa de um ideal inalcançável fizeram da grife um fenômeno cultural de proporções mundiais.
Mas o que havia por trás daquele brilho todo? Essa é exatamente a pergunta que Victoria’s Secret: A Ascensão tenta responder, com câmera na mão e sem papas na língua.
A docussérie em três partes estreou originalmente em 2022 e chegou à América Latina em 17 de maio de 2023, quando foi adicionada ao catálogo do então Star+. Com a desativação do serviço em meados de 2024, a série migrou para o Disney+, onde ficou disponível até hoje.
O problema é que hoje também marca exatamente três anos desde aquela primeira disponibilização regional. E o monitoramento do Guia Disney+ Brasil detectou que Victoria’s Secret: A Ascensão foi removida do catálogo nesta data, às 2:00 AM, sem nenhum aviso.
A coincidência não parece ser coincidência. A série foi encomendada originalmente pelo Hulu nos Estados Unidos, mas os direitos internacionais ficaram sob responsabilidade da Viacom/Paramount. Tudo indica que a janela de licenciamento regional tinha prazo de três anos, e esse prazo simplesmente encerrou.
O que a série mostrou

Dirigida por Matt Tyrnauer, Victoria’s Secret: A Ascensão é descrita oficialmente como uma exposição provocativa da marca e de seu então CEO, o bilionário Les Wexn, e promete que “a verdade não é o que parece”, com o submundo da moda, a classe bilionária e Jeffrey Epstein “intrinsecamente envolvidos na ascensão e queda desta marca icônica”.
Ao longo dos três episódios, a série traça a trajetória de Wexner, que nasceu em uma família humilde e chegou a construir um dos maiores impérios da moda americana por meio do grupo L Brands. No meio desse caminho, ele firma uma amizade estreita e bastante nebulosa com Epstein, cujos crimes de abuso sexual vieram a dominar manchetes mundo afora.
O primeiro episódio contextualiza essa ascensão e apresenta as conexões entre os dois. O segundo revela uma impressionante rede de influência entre a elite bilionária. O terceiro acompanha o desmoronamento do império de Wexner sob o peso das acusações contra Epstein e a virada cultural que a marca simplesmente não conseguiu acompanhar.
A série também aborda a expansão da Victoria’s Secret para o público pré-adolescente com a linha PINK, e as denúncias de que a cultura interna da empresa, muito distante do “empoderamento feminino” que vendia nas vitrines, era tóxica e permissiva com abusos.
Três anos e um sumiço silencioso

A remoção não veio acompanhada de nenhum comunicado oficial. Foi o tipo de exclusão silenciosa que acontece quando uma janela de licenciamento fecha e ninguém do lado da plataforma tem interesse particular em chamar atenção para isso.
Victoria’s Secret: A Ascensão ficou três anos no catálogo. Saiu como chegou: sem cerimônia.