
Há um momento em que percebemos que algumas coisas simplesmente não vão estar aqui para sempre. As montanhas mudam, os rios secam, e o gelo, que parecia eterno, começa a desaparecer diante dos nossos olhos. É a partir dessa constatação que nasce Time and Water, o novo documentário da National Geographic.
O filme acompanha Andri Snær Magnason, poeta e escritor islandês conhecido mundialmente pelo livro On Time and Water, já traduzido para mais de 30 idiomas.
Diante do derretimento das geleiras de sua terra natal, ele decide construir uma cápsula do tempo para preservar aquele instante antes que ele desapareça. Com fotografias dos avós, arquivos pessoais, canções tradicionais e contos folclóricos, Andri entrelaça a história de sua família com a da própria paisagem ao redor.
O resultado é uma obra que vai muito além do debate climático. Time and Water fala sobre o que significa pertencer a um lugar, sobre o que transmitimos para quem vem depois de nós e sobre como a memória sobrevive, ou tenta sobreviver, às transformações do mundo.
Por trás das câmeras está Sara Dosa, diretora indicada ao Oscar, cuja carreira é marcada por filmes que exploram a relação entre seres humanos e a natureza. Ela já dirigiu Vulcões: A Tragédia de Katia e Maurice Krafft (2022), The Seer & The Unseen (2019) e The Last Season (2015), todos reconhecidos com prêmios como o Peabody e o Directors’ Guild of America Award, além de mais de 40 indicações, incluindo Oscar, BAFTA e Emmy. Seus trabalhos já passaram por festivais como Sundance, SXSW e foram exibidos no MoMA e no Louvre.
Time and Water estreou mundialmente no Festival de Sundance deste ano e saiu de lá com críticas entusiasmadas. Os jornalistas presentes descreveram o filme como “o documentário mais bonito do ano”, “magnífico” e “monumental”.
Confira o trailer oficial de Time and Water:
O que dizem os responsáveis pelo filme
Carolyn Bernstein, vice-presidente executiva da National Geographic Documentary Films, falou sobre o projeto com entusiasmo:
“Time and Water é um grito do coração profundamente emocionante e oportuno, que convida o público a refletir sobre os laços que nos unem ao mundo natural e uns aos outros. Assim como em Fire of Love, a visão criativa única de Sara e seu espírito de colaboração trazem profundidade, urgência dramática e uma cinematografia espetacular a uma história que fala a gerações passadas, presentes e futuras.”
Sara Dosa explicou de onde veio a inspiração:
“Time and Water tece uma história de família e de paisagens naturais como uma tentativa de compreender nosso mundo em profunda transformação. Nos inspiramos em como a memória é carregada através do tempo, pelos arquivos familiares e pelos mitos culturais, na terra e no próprio gelo. Nosso filme revela como a vida humana é inseparável da natureza, trazendo o futuro distante para um foco íntimo e convidando o público a imaginar, agir e sentir amor por um mundo além de suas próprias vidas.”
Já o próprio Andri Magnason deu uma declaração que resume bem o espírito do documentário:
“Ao falar sobre a crise climática, um cientista uma vez me disse: ‘As pessoas não entendem dados, entendem histórias.’ Sara é uma contadora de histórias poética e magistral, que trouxe as histórias e experiências da minha família para uma conversa maior sobre tempo, memória e nossa relação com o meio ambiente. O filme é uma carta de amor para as geleiras e as gerações, um convite a todos nós para considerarmos como ouvimos o mundo enquanto ele muda ao nosso redor.”
A direção, roteiro e produção são de Sara Dosa. Shane Boris, Elijah Stevens e Jameka Autry assinam como produtores. O roteiro e a edição ficaram a cargo de Erin Casper e Jocelyne Chaput, com Mark Harrison também na montagem. Andri Snær Magnason contribuiu como roteirista e coprodutor. A trilha sonora é assinada por Dan Deacon.
Time and Water entra em cartaz nos cinemas ao redor do mundo a partir de 29 de maio de 2026, antes de chegar ao canal National Geographic e ao Disney+ ainda este ano.
