
Quem assina o Disney+ Premium paga mais para ter acesso a benefícios que não estão disponíveis nos planos mais baratos. Entre eles, a qualidade superior de imagem sempre foi um dos principais atrativos, especialmente para quem possui uma televisão 4K.
Mas essa diferença acaba de sofrer uma mudança importante. O Disney+ deixou de oferecer 4K UHD, HDR10 e Dolby Vision no Brasil, e os identificadores desses formatos desapareceram das páginas de filmes e séries. A retirada ganhou repercussão nesta semana, após assinantes perceberem que os recursos já não estavam disponíveis.
O mais importante é que a alteração não se limita à reprodução dos conteúdos. A própria Disney modificou a descrição oficial do plano Premium no Brasil e retirou as referências à qualidade 4K e HDR de suas informações sobre o serviço.
Para quem acompanha o Guia Disney+ Brasil, o assunto não é inteiramente novo. Em 5 de agosto, publicamos uma reportagem detalhada sobre o risco de o Disney+ perder 4K, HDR e outros recursos, com base em documentos oficiais da Disney e em decisões judiciais envolvendo tecnologias de transmissão de vídeo. Na época, não havia confirmação de que os assinantes brasileiros seriam afetados. Agora, a perda desses formatos é uma realidade.
O próprio Disney+ confirma a redução da qualidade de imagem
A evidência mais clara está na página oficial de assinaturas do Disney+. Até recentemente, a comparação entre os planos destacava a disponibilidade de vídeos em até 4K UHD/HDR e som Dolby Atmos como vantagens do Premium.
Neste sábado, 24 de outubro, a descrição é outra:
“Vídeo até 1080p HD e som Dolby Atmos”
Ou seja, a resolução máxima anunciada para o plano mais caro caiu de 4K para 1080p, a mesma oferecida pelo plano Padrão.

A Central de Ajuda do Disney+ também passou por alterações. As informações brasileiras sobre qualidade de vídeo já não apresentam 4K UHD, HDR10 e Dolby Vision entre as opções oferecidas.
A diferença vai além dos números. Enquanto o 4K UHD oferece resolução de 3840 x 2160 pixels, o Full HD de 1080p trabalha com 1920 x 1080 pixels, ou seja, quatro vezes menos pixels na imagem.

Já HDR10 e Dolby Vision são tecnologias que permitem reproduzir uma faixa maior de brilho, contraste e cores em equipamentos compatíveis. A retirada desses formatos afeta especialmente a experiência de quem utiliza televisores com suporte a essas tecnologias.
O Dolby Atmos permanece disponível no Premium. É importante não confundir os dois recursos: Dolby Vision está relacionado à imagem, enquanto Dolby Atmos é uma tecnologia de áudio.

Outra constatação interessante é que a mudança não ocorreu de maneira uniforme em todos os mercados. Na página oficial do Disney+ na Argentina, por exemplo, a empresa continua anunciando qualidade de vídeo de até 4K UHD/HDR para o plano Premium.
Premium continua custando R$ 69,90, mas perdeu um de seus diferenciais
Apesar da retirada dos formatos de imagem, o preço regular do Disney+ Premium no Brasil permanece em R$ 69,90 por mês, contra R$ 49,90 do Padrão.
A assinatura mais cara ainda oferece vantagens, como quatro reproduções simultâneas, em vez de duas, áudio Dolby Atmos e acesso a todos os canais da ESPN, incluindo transmissões esportivas exclusivas.
A Disney também está com uma promoção temporária que reduz o Premium para R$ 19,90 mensais durante os dois primeiros meses, válida para novas assinaturas até 2 de novembro. Depois desse período, a cobrança retorna ao valor regular vigente.
Por enquanto, não houve anúncio de redução permanente no preço para compensar a retirada de 4K e HDR. A empresa também não informou quando esses recursos poderão voltar aos assinantes brasileiros.
Disputa judicial no Brasil ajuda a explicar o que está acontecendo
A retirada dos formatos acontece em meio a uma disputa entre a Disney e a InterDigital, empresa americana detentora de patentes relacionadas à codificação e transmissão de vídeos.
Como mostramos em agosto, o processo já havia chegado ao Brasil. Em setembro de 2025, a Justiça do Rio de Janeiro concedeu uma decisão preliminar favorável à InterDigital, envolvendo tecnologias utilizadas na compactação de vídeos, como AVC e HEVC.
Há um detalhe importante sobre o andamento desse caso. Segundo um documento apresentado pela InterDigital à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC), a decisão brasileira foi mantida em segunda instância em maio de 2026.
Na Europa, decisões semelhantes já haviam provocado a suspensão de 4K, HDR e Dolby Vision em diferentes países. A Disney chegou a trabalhar com outra tecnologia de codificação, chamada VP9, para recuperar a transmissão em 4K em determinados dispositivos, mas nem todos os formatos foram restabelecidos.
A relação entre os processos e a perda dos recursos é, portanto, bastante relevante. Ainda assim, a Disney não apresentou publicamente uma explicação específica que confirme a decisão judicial brasileira como causa direta da atual retirada de 4K, HDR10 e Dolby Vision no país.
Também não há uma previsão oficial para o restabelecimento dessas tecnologias no Brasil. A experiência europeia mostra que soluções técnicas podem permitir o retorno de determinados formatos, mas isso não garante que o mesmo acontecerá aqui, nem estabelece um prazo.
Enquanto a situação permanece indefinida, os assinantes brasileiros do Premium continuam pagando por uma modalidade que perdeu justamente uma das vantagens que a diferenciavam das opções mais baratas do Disney+.