Pixar paralisou Toy Story 5 por duas semanas após perceber problema na história

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Toy-Story-5-Pixar Pixar paralisou Toy Story 5 por duas semanas após perceber problema na história

Nem mesmo uma das franquias mais bem-sucedidas da história da animação está livre de problemas durante a produção. A Pixar já precisou reformular completamente projetos que pareciam bem encaminhados, e com Toy Story 5 não foi diferente.

O quinto filme da saga de Woody, Buzz Lightyear e Jessie chegou aos cinemas em junho de 2026, arrecadou mais de US$ 1 bilhão mundialmente e conquistou ótimas avaliações. Mas, nos bastidores, houve um momento em que seus responsáveis perceberam que a história simplesmente não estava funcionando.

O problema era tão sério que os diretores tomaram uma decisão pouco comum para uma produção daquele tamanho: interromperam os trabalhos por duas semanas para descobrir como salvar o filme.

A revelação foi feita por McKenna Harris, codiretora de Toy Story 5, durante a View Conference, evento dedicado à animação e aos efeitos visuais realizado na Itália. Em uma entrevista ao Cartoon Brew, Harris explicou o que estava errado e como uma mudança na história de Jessie transformou o resultado.

O mais curioso é que os personagens, o conflito entre brinquedos e tecnologia e boa parte da aventura já estavam definidos. Faltava, porém, um motivo convincente para o público torcer pela protagonista.

Pixar percebeu que estava repetindo o primeiro Toy Story

Segundo Harris, ela e Andrew Stanton, diretor do longa, haviam desenvolvido uma versão na qual Jessie tentava recuperar a atenção de Bonnie, cada vez mais interessada em Lilypad, o tablet que havia chegado à sua vida.

O conflito parecia adequado à proposta de Toy Story 5, que aborda a disputa entre brinquedos tradicionais e dispositivos eletrônicos. Entretanto, quando a equipe começou a avaliar o material, ficou evidente que havia algo errado.

“Trabalhamos naquele filme e tínhamos um problema: ele não estava bom. Eu não gostava dele”, admitiu Harris.

A codiretora explicou que o material não era necessariamente ruim, mas estava abaixo do padrão que a Pixar esperava para o quinto capítulo de uma franquia tão importante.

“Não era horrível. Mas não ser horrível não é suficiente para a Pixar. As versões que tínhamos simplesmente não eram boas o bastante para um quinto Toy Story, e a pressão para que esse filme desse certo era enorme.”

O principal problema estava na motivação de Jessie.

Na versão original, ela e os outros brinquedos queriam que Bonnie voltasse a brincar com eles, recuperando o espaço que Lilypad havia conquistado.

Só que essa ideia lembrava demais o primeiro Toy Story, lançado em 1995, quando Woody se sentia ameaçado pela chegada de Buzz Lightyear.

“Brinquedos disputando a hora de brincar parecia um pouco com Toy Story 1. Já tínhamos visto isso. A possibilidade de perder esse tempo de brincadeira não parecia importante o suficiente”, explicou Harris.

A equipe concluiu que precisava encontrar uma razão muito mais forte para Jessie agir.

Duas semanas para encontrar uma nova história

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Quando os diretores decidiram interromper a produção, aproximadamente metade do trabalho já havia sido realizada.

Isso significava que não seria possível descartar tudo e começar novamente. A solução precisava aproveitar personagens, cenários e sequências que já estavam em desenvolvimento.

Harris e Stanton dividiram a pausa em duas etapas. Durante a primeira semana, concentraram os esforços em identificar a origem do problema. Na segunda, trabalharam intensamente na reescrita.

“Paramos a produção por duas semanas e nos concentramos no principal problema que o filme tinha naquele momento. Nosso primeiro ato não estava funcionando”, revelou.

Embora o desfecho também apresentasse dificuldades, a equipe percebeu que seria necessário corrigir a estrutura desde o início.

A resposta apareceu quando os cineastas voltaram sua atenção para Bonnie.

Nos filmes anteriores, a menina já havia demonstrado ser tímida. Harris começou a pensar nas dificuldades que uma criança com essa personalidade poderia enfrentar para fazer amizades.

Foi então que surgiu a ideia que mudou tudo: e se Jessie, em vez de lutar para recuperar as brincadeiras com Bonnie, tentasse ajudar a garota a encontrar uma amiga?

“Em vez de fazer Jessie lutar pelo tempo de brincadeira, fizemos com que ela lutasse para conseguir uma amiga para Bonnie. Era o combustível de que precisávamos”, explicou a codiretora.

Essa decisão alterou o sentido da aventura. O objetivo de Jessie deixou de ser recuperar algo para si mesma e passou a ser ajudar a criança de quem tanto gostava.

A mudança também deu mais importância a Blaze, personagem que até então tinha uma participação secundária na aventura da vaqueira.

Blaze, uma menina que possui seu próprio rancho de brinquedos, acabou se tornando essencial para o objetivo de Jessie.

A personagem é uma das novidades apresentadas em Toy Story 5, que também colocou Jessie no centro da história.

Mudança conquistou os funcionários da Pixar

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Depois da reescrita, Harris percebeu uma diferença imediata nas sessões internas realizadas pelo estúdio.

Os funcionários que assistiram às novas versões demonstraram muito mais interesse pela trajetória de Jessie e pela situação de Bonnie.

“Houve uma mudança perceptível nas reações do público durante nossas exibições de trabalho. Nossos colegas disseram que sentiram uma melhora enorme no filme e que agora realmente torciam por Jessie durante toda a história”, contou.

Para a codiretora, a experiência trouxe uma lição importante sobre o trabalho de direção: reconhecer que alguma coisa está errada não basta. É necessário tomar decisões antes que o problema comprometa o restante da produção.

Ela também explicou que Stanton a incentivou a não se tornar um obstáculo para os demais profissionais da equipe. Quando um diretor não encontra uma solução, precisa pedir ajuda em vez de deixar centenas de artistas sem saber como prosseguir.

“Olhando para trás, aquele foi o momento que transformou um filme razoável em um filme bom. Dar vida a tudo aquilo com nossa equipe incrível de artistas foi o que o transformou de bom em ótimo”, avaliou Harris.

O resultado acabou justificando o esforço. Toy Story 5 arrecadou aproximadamente US$ 1,148 bilhão mundialmente, recebeu nota A na pesquisa de público CinemaScore e alcançou 92% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes, além de 94% entre espectadores verificados.

O sucesso também continuou no streaming. Conforme divulgamos anteriormente, o filme ultrapassou 20 milhões de visualizações em seus primeiros cinco dias no Disney+.

A animação chegou ao catálogo brasileiro em 23 de setembro de 2026 e está disponível ao lado dos quatro filmes anteriores da franquia.

Para quem já assistiu ao longa, as declarações de McKenna Harris ajudam a entender por que Jessie recebeu tanto destaque e como sua relação com Bonnie se tornou um dos pontos centrais de Toy Story 5. A versão que chegou ao público poderia ter sido bastante diferente se a Pixar tivesse mantido o roteiro original.

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