
A Disney encontrou na literatura sul-coreana uma de suas próximas apostas para o cinema. Em vez de recorrer novamente a um clássico de animação do próprio estúdio, a divisão Disney Live Action decidiu olhar para uma série de fantasia que já conquistou leitores em diversos países: A Grande Loja de Sonhos.
O cenário não envolve princesas, castelos ou universos já estabelecidos pela empresa. Trata-se de uma loja peculiar que funciona enquanto seus clientes dormem e onde sonhos podem ser escolhidos e comprados.
O projeto será baseado nos livros de Miye Lee e terá roteiro de Patrick Ness, autor que já conhece bem o processo de transportar obras literárias para outras mídias. A adaptação está nos primeiros estágios de desenvolvimento e ainda não tem diretor, elenco ou data de estreia anunciados.
No Brasil, existe um detalhe importante que pode passar despercebido para quem encontrou a notícia originalmente com o nome The Dallergut Dream Department Store. O livro já foi publicado oficialmente por aqui.
A obra corresponde a A Grande Loja de Sonhos: O sonho que você encomendou está esgotado, primeiro volume da série de Miye Lee lançado no mercado brasileiro pela WMF Martins Fontes.
O que é A Grande Loja de Sonhos?

A história acompanha Penny, uma jovem que consegue emprego na misteriosa Grande Loja de Sonhos. O estabelecimento recebe clientes enquanto eles estão dormindo e oferece todo tipo de experiência para ser vivida durante o sono.
Penny passa a trabalhar nesse lugar ao lado de funcionários especializados na criação e venda dos sonhos. O cotidiano aparentemente organizado começa a mudar quando acontecimentos estranhos e perigosos passam a atingir os clientes adormecidos.
É então que Penny decide descobrir a origem do problema antes que aquilo que está acontecendo deixe de estar restrito à loja.
O primeiro livro tornou-se um best-seller número 1 na Coreia do Sul, enquanto a série superou 2 milhões de exemplares vendidos em mais de 20 territórios, números que ajudam a explicar o interesse da Disney pela propriedade.
No Brasil, a continuação também já está disponível com o título A Grande Loja de Sonhos Vol. 2: Em busca dos frequentadores perdidos.
A série literária foi concebida para se expandir além desses primeiros livros, o que dá ao estúdio material para continuar explorando esse universo caso o filme avance e tenha novas produções aprovadas. Por enquanto, porém, a Disney confirmou apenas o desenvolvimento da primeira adaptação.
A iniciativa lembra outro movimento recente do estúdio. Em 2025, a Disney adquiriu os direitos cinematográficos da saga literária Criaturas Impossíveis, de Katherine Rundell, em um acordo milionário. Como mostramos anteriormente, o negócio também envolve uma série de fantasia com potencial para render vários filmes.
Patrick Ness vai escrever a adaptação
A responsabilidade de transformar A Grande Loja de Sonhos em roteiro ficará com Patrick Ness.
Ness tem uma relação incomum com adaptações literárias porque já trabalhou dos dois lados do processo. Ele escreveu livros para públicos adulto, juvenil e infantil e também levou algumas de suas próprias histórias para as telas.
Entre seus trabalhos está Sete Minutos Depois da Meia-Noite, filme de 2016 dirigido por J.A. Bayona. Ness escreveu o roteiro a partir de seu próprio livro e também participou da produção executiva. O elenco reuniu Lewis MacDougall, Sigourney Weaver e Felicity Jones.
O autor também criou e escreveu Class, série derivada de Doctor Who produzida para a BBC. Seus livros foram publicados em mais de 40 idiomas, e Ness recebeu duas vezes a Carnegie Medal, uma das principais premiações britânicas voltadas à literatura para crianças e jovens.
Dentro da Disney, o desenvolvimento de A Grande Loja de Sonhos será acompanhado por Jessica Virtue, vice-presidente executiva de produção da Disney Live Action.
A divisão é responsável pelos longas com atores produzidos sob a marca Disney e reúne tanto histórias inéditas quanto novas versões de propriedades já pertencentes ao estúdio.
Nos últimos anos, boa parte da atenção ficou concentrada em novas versões de animações famosas. A lista inclui produções como Mogli: O Menino Lobo, Alice no País das Maravilhas, Malévola e Cinderela.
Ao mesmo tempo, projetos baseados em livros mostram que o estúdio também procura propriedades fora de seu catálogo tradicional. O Guia Disney+ Brasil já acompanhou casos desse tipo, como o live-action de Merlin baseado nos livros de T.A. Barron e outros projetos literários desenvolvidos pela empresa.
Ainda é cedo para saber qual será o formato final de A Grande Loja de Sonhos. A Disney não anunciou data de filmagem, diretor, elenco, previsão de lançamento nem informou se o longa será destinado aos cinemas ou diretamente ao streaming.
Também não existe, até o momento, um título oficial do filme em português. Por isso, enquanto a Disney não divulgar sua versão, A Grande Loja de Sonhos é a referência mais adequada por ser o nome usado oficialmente na edição brasileira da obra que dará origem ao longa.