
Os números apresentados pela Disney nesta quarta-feira, 5 de agosto, trouxeram motivos para comemoração entre acionistas. A companhia encerrou seu terceiro trimestre fiscal de 2026 com aumento de receita, avanço do lucro operacional e desempenho acima das expectativas em diferentes áreas.
A receita chegou a US$ 25,25 bilhões, alta de 7% em comparação com o mesmo período do ano passado. O lucro antes dos impostos cresceu 14%, enquanto o lucro operacional combinado dos segmentos subiu 21%, para US$ 5,56 bilhões.
Os bons resultados, porém, vieram acompanhados de uma informação preocupante para os funcionários. Em seu relatório oficial aos acionistas, a Disney deixou claro que o processo de redução de despesas ainda está em andamento e citou cortes no quadro de pessoal entre as alternativas avaliadas.
A companhia não anunciou uma nova rodada específica, tampouco revelou quantos cargos poderiam ser eliminados. Ainda assim, a escolha das palavras mostra que a reorganização interna não terminou, mesmo após duas grandes ondas de demissões realizadas em 2026.
O trecho foi assinado pelo CEO Josh D’Amaro e pelo diretor financeiro Hugh Johnston:
“Continuamos muito concentrados em reduzir custos em toda a empresa para abrir espaço adicional para investimentos em crescimento. Estamos avaliando diferentes mecanismos, incluindo reduções no quadro de funcionários e nas despesas gerais, administrativas e de vendas. Estamos no meio desse trabalho e forneceremos futuras atualizações sobre nosso progresso.”
A sigla SG&A, usada no documento original, reúne despesas relacionadas a vendas, administração e operações corporativas. Nessa categoria podem entrar gastos com departamentos administrativos, publicidade, escritórios, tecnologia, serviços profissionais e salários de determinadas equipes.
Disney diz estar no meio do processo
A expressão “estamos no meio desse trabalho” é a parte mais reveladora da declaração. Ela indica que a Disney não está apenas estudando possibilidades para o futuro. Há um processo em curso, embora a empresa não tenha detalhado quais medidas já foram definidas ou quais divisões seguem sob análise.
Também é importante separar o que foi efetivamente confirmado do que pode acontecer. O relatório não equivale a um anúncio formal de novas demissões. Ele confirma, porém, que reduções no quadro de funcionários continuam entre as ferramentas consideradas pela administração.
O contexto financeiro reforça esse ponto. Os cortes não foram mencionados após um trimestre de prejuízo ou queda generalizada. Pelo contrário, a receita cresceu 7%, o lucro operacional dos segmentos avançou 21% e o lucro ajustado por ação aumentou 28%, para US$ 2,06.
A estratégia parece estar ligada à intenção de liberar recursos para áreas que a direção considera prioritárias. Em maio, após a demissão de aproximadamente mil pessoas, a Disney já havia admitido que novos cortes poderiam acontecer. Na ocasião, Hugh Johnston falou sobre realocar despesas para conteúdo, tecnologia e oportunidades de crescimento.
A empresa também pretende recomprar pelo menos US$ 9 bilhões em suas próprias ações durante o ano fiscal de 2026. Parte desse valor virá da venda de sua participação de 50% na A+E Global Media para a Hearst, operação estimada em aproximadamente US$ 1,2 bilhão.
Duas grandes rodadas de demissões em 2026
A primeira grande onda deste ano foi confirmada em abril, poucas semanas depois de Josh D’Amaro assumir o cargo de CEO. Cerca de mil postos foram eliminados em áreas como marketing, publicidade, finanças, tecnologia, cinema, televisão, produtos de consumo e funções corporativas.
O marketing esteve entre os setores mais afetados devido à consolidação das equipes que atendiam diferentes divisões da companhia. D’Amaro comunicou a decisão por meio de um memorando interno, conforme detalhado na época em nosso artigo sobre as demissões anunciadas pelo novo CEO da Disney.
Outra rodada ocorreu em julho e atingiu centenas de profissionais. Os desligamentos alcançaram a Pixar, ESPN, National Geographic, Disney Entertainment Television, estúdios de cinema e departamentos corporativos.
A Pixar ficou entre as unidades mais afetadas. De acordo com o The Hollywood Reporter, os cortes fizeram parte de uma reorganização mais ampla da estrutura da Disney. A empresa já havia reduzido consideravelmente o quadro do estúdio de animação em 2024.
Desde 2023, a Disney promove sucessivas revisões de equipes e operações. Naquele ano, durante a gestão de Bob Iger, a companhia anunciou a eliminação de 7 mil cargos como parte de um plano que inicialmente buscava economizar US$ 5,5 bilhões. Posteriormente, a meta de redução de despesas foi ampliada.
O novo relatório não informa quando a Disney apresentará outra atualização, nem confirma que os próximos ajustes necessariamente envolverão centenas ou milhares de funcionários. Por enquanto, o dado concreto é que a administração continua avaliando reduções de pessoal enquanto tenta diminuir despesas e direcionar mais dinheiro para conteúdo, tecnologia e expansão dos negócios.