Disney quer ampliar compra de direitos esportivos na América Latina

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ESPN-America-Latina Disney quer ampliar compra de direitos esportivos na América Latina

Durante anos, a expansão internacional do Disney+ foi sustentada principalmente pelas marcas Marvel, Pixar, Star Wars e as animações clássicas que ajudaram a plataforma a chegar rapidamente a dezenas de países, mas esse catálogo não garante o mesmo resultado em todos os mercados.

Fora dos Estados Unidos, hábitos culturais, campeonatos nacionais e preferências regionais têm peso decisivo na escolha de uma assinatura. A Netflix entendeu isso ao investir em produções locais. No caso da Disney, há outro elemento capaz de atrair o público com frequência: o esporte ao vivo.

Essa área deve receber atenção especial na próxima fase da companhia. Após reorganizar seus serviços de streaming e transformar uma operação que acumulava bilhões em prejuízo em um negócio rentável, a Disney agora busca novas formas de crescer fora do mercado norte-americano.

E a América Latina aparece expressamente nesses planos.

De acordo com a presidente e diretora criativa (Chief Creative Officer) da The Walt Disney Company, Dana Walden, em conversa com o Los Angeles Times, a Disney está disputando mais direitos esportivos em mercados como América Latina e Austrália. A informação faz parte de uma reportagem sobre a nova estratégia internacional da empresa para Disney+, Hulu e ESPN.

ESPN terá papel central na expansão

ESPN-logo Disney quer ampliar compra de direitos esportivos na América Latina

A CCO não informa quais campeonatos, ligas ou eventos estão na mira da Disney. Também não revela quais países latino-americanos receberão prioridade nas próximas negociações. Ainda assim, a citação da região mostra que a ESPN continuará sendo uma das principais ferramentas da companhia para conquistar e manter assinantes fora dos Estados Unidos.

No Brasil e em outros países da América Latina, a Disney já adotou um modelo diferente daquele utilizado inicialmente no mercado norte-americano. O conteúdo da ESPN está integrado ao Disney+, o que permite reunir filmes, séries e eventos esportivos dentro de uma única assinatura.

Essa estrutura ganhou ainda mais importância depois do fim do Star+ como plataforma separada. Desde então, o Disney+ passou a funcionar como a principal porta de entrada para o conteúdo esportivo da empresa na região.

O investimento também não deve ser pequeno. A Disney informou anteriormente que pretende destinar cerca de US$ 24 bilhões à produção e aquisição de conteúdo ainda em 2026, com o valor dividido quase igualmente entre entretenimento e esportes.

Direitos esportivos costumam envolver contratos longos e valores elevados, especialmente quando incluem campeonatos de futebol, ligas norte-americanas, tênis e grandes eventos internacionais. Ao mesmo tempo, eles oferecem algo que filmes e séries nem sempre conseguem entregar: transmissões frequentes capazes de fazer o assinante voltar ao aplicativo várias vezes por semana.

É por isso que a Disney continua tratando a ESPN como uma peça essencial de seu futuro no streaming. Bob Iger já explicou que não gostaria de ver a marca esportiva nas mãos de uma concorrente como a Netflix, justamente porque os eventos ao vivo ocupam um espaço cada vez mais disputado pelas grandes plataformas.

Disney já reforçou seus direitos no futebol sul-americano

Embora o Los Angeles Times não identifique as negociações em andamento, a Disney já deu sinais de que pretende proteger e ampliar sua posição no esporte latino-americano.

No fim de 2025, a empresa renovou seu contrato com a CONMEBOL para a transmissão da Libertadores, da Sudamericana e da Recopa. O novo acordo começa em 2027 e aumenta a quantidade de partidas disponíveis na ESPN e no Disney+.

O pacote também inclui competições femininas, torneios de base, futsal e futebol de areia. Esse tipo de negociação mostra que a companhia não está interessada apenas nas partidas de maior audiência. A intenção parece ser montar uma programação extensa, capaz de ocupar diferentes horários e atender públicos variados.

Além do futebol sul-americano, ESPN e Disney+ exibem no Brasil competições internacionais, partidas da NBA, torneios de tênis e eventos de outras modalidades. A empresa também aprofundou sua relação com o futebol americano depois que a NFL se tornou acionista minoritária da ESPN, embora esse negócio esteja concentrado principalmente nos Estados Unidos.

Por enquanto, não há confirmação de que novos direitos esportivos tenham sido adquiridos especificamente para o Brasil. A executiva revelou apenas que a Disney pretende participar de mais disputas na América Latina.

Ainda assim, a escolha da região não parece casual. O Disney+ já possui uma estrutura esportiva consolidada por aqui, a ESPN tem décadas de presença no continente e o futebol continua sendo um dos conteúdos mais valiosos para emissoras e plataformas.

A próxima etapa será descobrir quais campeonatos a Disney considera essenciais para sustentar essa expansão e quanto estará disposta a pagar para impedir que concorrentes levem esses eventos para outros serviços.

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