Disney+ anuncia expansão no Brasil com meta de uma produção nacional por mês

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O Rio de Janeiro sediou nesta quinta-feira, 28, um dos painéis mais relevantes para o audiovisual brasileiro do ano. Durante a Rio2C, Eric Schrier, presidente de produções originais internacionais da Disney, subiu ao palco para revelar algo que poucos esperavam ouvir com tanta clareza: a empresa quer transformar o Brasil em um dos pilares da sua expansão global no streaming.

A mensagem foi direta. “Nosso objetivo final é ter um programa por mês que dialogue com o público brasileiro”, disse o executivo, em sua primeira visita ao País. Para quem acompanha o mercado de streaming, a declaração não é pouca coisa.

Schrier chegou ao evento com números e estratégias. O Brasil, segundo ele, representa cerca de 30% do mercado latino-americano da Disney, o que coloca o País em posição central nos planos de crescimento do Disney+ na região. México e Argentina também estão no radar, mas o tom da conversa deixou claro onde está a maior aposta.

Um projeto por mês, em cada país

Hoje, a Disney produz mais de 100 séries fora dos Estados Unidos para o Disney+, distribuídas por cerca de 20 países. A meta para os próximos três anos é dobrar esse volume.

No caso da América Latina, a ideia é chegar a pelo menos uma produção original por mês no Brasil, no México e na Argentina.

“Hoje fazemos apenas alguns projetos. Vamos produzir um por mês em cada um desses três países. Isso representa um crescimento muito grande”, afirmou o executivo.

O modelo, no entanto, não é o mesmo para todos. Schrier explicou que a empresa adota uma abordagem diferenciada para cada mercado, levando em conta as particularidades culturais de cada país.

“São culturas diferentes. O que estamos tentando alcançar é ter programas realmente distintos nos países em que estamos operando”, reforçou.

A estratégia tem nome: local para local. As equipes estão orientadas a buscar histórias conectadas à realidade e à cultura de cada mercado, sem fórmulas importadas.

“As equipes estão buscando conteúdos que atraiam o público brasileiro, histórias sobre a cultura brasileira e sobre as pessoas daqui”, disse Schrier.

Qualidade, não quantidade

Apesar da escala dos planos, o executivo fez questão de deixar claro que a Disney não pretende entrar em uma guerra de volume com concorrentes como Netflix ou Prime Video.

“Não estamos tentando entrar em uma disputa de volume. Não vamos inundar o mercado com centenas de séries”, afirmou.

A proposta é manter um padrão de qualidade alinhado às marcas Disney e Hulu, mesmo com a expansão acelerada. Entre as produções brasileiras citadas como referência dentro dessa estratégia estão Impuros e Amor da Minha Vida, destacadas pelo executivo como exemplos do que a empresa busca replicar e ampliar.

Outro ponto ressaltado por Schrier é que os conteúdos produzidos localmente não ficam restritos ao mercado de origem. A distribuição é global, e as produções brasileiras chegam a plataformas na Europa, Ásia e Estados Unidos.

“Se uma produção é excelente no mercado local, ela ganha capacidade de viajar pelo mundo”, declarou.

Streaming sem fronteiras de formato

O painel também abriu espaço para uma reflexão mais ampla sobre o que o streaming mudou na indústria audiovisual. Segundo Schrier, um dos maiores ganhos das plataformas digitais é a liberdade de formato, algo impossível na televisão tradicional.

“No streaming, uma série pode ter sete minutos, cinco minutos ou quinze minutos. Não precisamos mais seguir formatos fixos”, explicou.

Na América Latina, o Disney+ já opera como um serviço unificado, reunindo produções da Disney, conteúdos adultos do Hulu e transmissões esportivas da ESPN em uma única plataforma. Para o executivo, essa integração é uma vantagem competitiva importante.

“Na América Latina, tudo está reunido em uma única entidade: o Disney+. Isso é muito poderoso na mente do consumidor”, disse.

A presença de Eric Schrier na Rio2C não foi por acaso. O evento, que reúne lideranças do mercado criativo e do entretenimento, serviu de palco para a Disney sinalizar ao mercado brasileiro que os próximos anos serão de investimento real, e não apenas de promessas.

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