
James Cameron está de olho no passado, mas com tecnologia de ponta. O diretor revelou que está considerando converter Aliens: O Resgate, um dos filmes mais aclamados de sua carreira, para o formato 3D. E a reação não foi unanimidade.
Lançado em 1986 como continuação de Alien, o filme redefiniu o que uma sequência poderia ser. Cameron pegou o terror claustrofóbico do original de Ridley Scott e o transformou em um espetáculo de ação científica, sem abrir mão do susto. O resultado virou referência em Hollywood até hoje, quase 40 anos depois.
Agora, o diretor quer apresentar essa obra a uma nova geração. Mas a forma como planeja fazer isso está gerando debate.
Em entrevista à Letterboxd, concedida durante a divulgação de Hit Me Hard and Soft: The Tour, o filme de concerto em 3D de Billie Eilish que Cameron dirigiu, o cineasta foi direto ao ponto:
“Aliens é um produto de seu tempo. Estamos pensando em converter o filme para 3D, porque sei que as ferramentas são muito melhores do que eram para criar mapas de profundidade. Provavelmente vamos acabar convertendo Aliens, e vai ser uma experiência interessante. Esse filme parece ser eterno. As pessoas ainda voltam a ele com frequência. Se as pessoas se lembram de um filme que fiz há 38 anos, acho que já ganhei o argumento.”
A fala resume bem a postura de Cameron: orgulho do que construiu e confiança no que a tecnologia atual pode fazer por um clássico.
Por que agora?

Cameron não é de agir por impulso. A trajetória dele com o 3D é longa e deliberada. O primeiro Avatar ficou anos em desenvolvimento esperando que a tecnologia cinematográfica evoluísse o suficiente para dar vida à visão que ele tinha.
Quando o filme finalmente chegou aos cinemas, em 2009, redefiniu os padrões de produção e se tornou parte de uma das franquias com maior bilheteria da história.
O argumento do diretor para a conversão de Aliens segue a mesma lógica: os mapas de profundidade, ferramenta essencial para gerar efeito tridimensional em produções originalmente filmadas em 2D, estão muito mais precisos e sofisticados hoje do que eram quando conversões desse tipo começaram a se popularizar. Ou seja, fazer isso antes teria comprometido o resultado.
Todos os filmes de Cameron no século XXI foram lançados em 3D. Hit Me Hard and Soft: The Tour é mais um exemplo de que o formato permanece no centro de sua visão criativa, não como gimmick, mas como escolha estética.
A divisão entre os fãs
A ideia de mexer em Aliens não é unanimidade. O filme tem uma base de fãs fiel e bastante protetora do material original.
Conversões de clássicos para 3D já enfrentaram ceticismo no passado: a adição de profundidade artificial pode alterar a textura visual de uma obra pensada e fotografada de uma forma específica.
Por outro lado, há quem enxergue nisso uma oportunidade. Uma versão em 3D bem executada poderia levar o filme de volta às salas de cinema, desta vez para públicos que nunca tiveram a chance de assisti-lo na tela grande.
Cameron deixa claro que não se trata de substituir o original, mas de abrir uma nova porta de entrada para ele.
A questão é se essa porta faz jus ao que está do outro lado.
Enquanto isso, todos os filmes da franquia e a série Alien: Earth estão disponíveis no Disney+