
Poucos casos judiciais agitaram o mundo do entretenimento tanto quanto a disputa entre Blake Lively e Justin Baldoni. Por mais de um ano e meio, os dois protagonizaram uma batalha que foi das páginas de processo às redes sociais, com acusações graves, declarações públicas e muito barulho do início ao fim. Agora, duas semanas antes do início do julgamento federal previsto, as partes chegaram a um acordo.
O caso tinha como pano de fundo as filmagens de É Assim Que Acaba, lançado em 2024. Lively acusou Baldoni de assédio sexual durante as gravações e alegou que, ao levantar reclamações internamente, passou a ser alvo de uma campanha digital coordenada para destruir sua imagem, articulada pelo diretor e sua equipe de assessores de imprensa.
A resolução foi anunciada por meio de uma nota conjunta divulgada nesta segunda-feira, 4 de maio.
No comunicado, os dois lados reconheceram os problemas que surgiram durante o processo e reafirmaram o compromisso com ambientes de trabalho seguros e respeitosos.
“O produto final, o filme É Assim Que Acaba, é motivo de orgulho para todos nós que trabalhamos para dar vida a ele. Conscientizar e ter um impacto positivo na vida de sobreviventes de violência doméstica é um objetivo que apoiamos. Reconhecemos que o processo apresentou desafios e que as preocupações levantadas pela Sra. Lively mereciam ser ouvidas. Permanecemos firmemente comprometidos com ambientes de trabalho livres de impropriedades. Esperamos sinceramente que isso traga encerramento e permita que todos possam seguir em frente de forma construtiva e em paz, inclusive com um ambiente respeitoso nas redes sociais.”
O que estava em jogo
O acordo aconteceu cerca de um mês depois de o juiz Lewis Liman rejeitar 10 das 13 ações civis movidas por Lively, entre elas todas as relacionadas ao assédio sexual em si. Restaram três reivindicações para julgamento: retaliação, cumplicidade em retaliação e quebra de contrato.
À época, a advogada de Lively, Sigrid McCawley, disse que a atriz estava ansiosa para contar sua versão dos fatos no banco das testemunhas. Mas McCawley também deixou claro que um acordo era uma possibilidade real. Segundo ela, a cliente já tinha alcançado parte do que buscava ao expor o que chamou de “máquina de difamação” por trás do caso.
“Para Blake Lively, a maior medida de justiça é que as pessoas e os métodos por trás desses ataques digitais coordenados foram expostos e já estão sendo responsabilizados por outras mulheres que também foram alvo deles”, disse a advogada.
A própria atriz usou o Instagram para marcar posição logo após a decisão parcial do juiz. Em uma publicação, ela foi direta sobre o que a motivou a ir à Justiça.
“A última coisa que eu queria na minha vida era um processo judicial, mas entrei com esse caso por causa da RETALIAÇÃO generalizada que enfrentei, e continuo enfrentando, por ter pedido, de forma privada e profissional, um ambiente de trabalho seguro para mim e para os outros”, escreveu Lively. “Espero que a decisão do tribunal mostre a outras pessoas que, por mais doloroso que seja, é possível falar.”
Com o acordo firmado, o capítulo judicial entre os dois se encerra antes de chegar ao tribunal. Mas a repercussão do caso, que trouxe à tona discussões sobre assédio nos bastidores de Hollywood e sobre o uso de campanhas digitais para silenciar denunciantes, ainda vai render debate por bastante tempo.