
O terceiro vídeo divulgado de Vingadores: Doutor Destino trouxe de volta uma chama antiga entre os fãs dos X-Men. Em poucos segundos, o material reúne Magneto e Charles Xavier em um tom solene, quase fúnebre, antes de entregar a mensagem que realmente chama atenção: “Os X-Men vão retornar”. A confirmação vem não por palavras, mas pela imagem de Scott Summers, o Ciclope, vivido novamente por James Marsden.
A escolha não é aleatória. Entre todos os mutantes apresentados na antiga franquia, poucos carregam uma sensação tão persistente de oportunidade perdida quanto Ciclope. Um personagem central nos quadrinhos, peça-chave nas animações e, ainda assim, constantemente diminuído no cinema.
Com Vingadores: Doutor Destino se desenhando como um grande encontro entre linhas do tempo, surge a pergunta inevitável: será que agora existe espaço para corrigir essa trajetória?
De comandante dos X-Men a coadjuvante romântico
Nos quadrinhos, Scott Summers nunca foi apenas o “namorado da Jean Grey”. Ele é o estrategista dos X-Men, o responsável por tomar decisões difíceis quando ninguém mais quer assumir esse peso. Seu papel vai além da liderança tática, pois carrega a pressão de representar o futuro dos mutantes em um mundo que os rejeita.
Esse conflito interno sempre foi parte do personagem. Enquanto outros avançam por impulso, Scott calcula, pondera e aceita as consequências. É justamente isso que o torna essencial em arcos importantes, como a Saga da Fênix Negra.
No cinema, porém, essa essência quase nunca apareceu. Desde o primeiro filme, Ciclope foi colocado como obstáculo no caminho do carisma de Wolverine. Suas cenas giravam mais em torno do triângulo amoroso do que de suas responsabilidades como líder. Ele virou alvo de piadas, perdeu autoridade dentro do próprio grupo e raramente teve espaço para conduzir a história.
Até suas ideias eram desvalorizadas, muitas vezes descartadas em favor de decisões tomadas por outros personagens. Aos poucos, o líder dos X-Men virou apenas “o outro cara”.
Um fim apressado

Se a construção do personagem já era frágil, sua saída da franquia tornou tudo ainda mais frustrante. Em X-Men: O Confronto Final, Scott Summers é eliminado logo no início, em uma cena rápida e sem peso dramático suficiente para alguém que deveria ser central naquela história.
Nos quadrinhos que inspiraram o filme, o conflito emocional entre Scott e Jean é um dos pilares da trama. No cinema, esse elemento foi praticamente transferido para Wolverine, deixando Ciclope sem espaço até para sofrer.
A forma abrupta da despedida chocou muitos fãs, não apenas pela morte em si, mas pela sensação de descarte. Nem mesmo um encerramento claro foi oferecido, já que o corpo nunca aparece. Anos depois, uma breve participação em Dias de um Futuro Esquecido não foi suficiente para reverter essa impressão.
Mesmo com versões mais jovens surgindo em filmes posteriores, o dano à imagem do personagem já estava feito.
A Marvel já demonstrou interesse em resgatar personagens que não tiveram o destaque merecido no passado. Ainda assim, o desafio aqui é outro. Doutor Destino reúne figuras de diferentes eras, universos e franquias, em um elenco gigantesco onde poucos terão tempo real para crescer.
Existe a possibilidade de Ciclope surgir como uma espécie de porta-voz dos X-Men, alguém que simboliza o grupo nesse grande evento. Mas transformar isso em liderança efetiva exige tempo, foco e desenvolvimento, três coisas escassas em um filme desse porte.
Entre nostalgia e correção histórica
O retorno de Ciclope em Vingadores: Doutor Destino funciona, até agora, como lembrete de tudo o que o personagem poderia ter sido no cinema. Ele representa uma escolha interessante da Marvel, mas também um risco: usar o personagem apenas como símbolo nostálgico, sem corrigir os erros do passado.
Talvez a verdadeira chance de Scott Summers ainda esteja no futuro, com uma reformulação completa dos X-Men dentro do MCU. Até lá, sua presença em Doutor Destino pode ser mais um aceno ao passado do que uma redefinição real.
Ainda assim, só o fato de o personagem voltar ao centro das discussões já mostra o quanto ele continua relevante. Resta saber se, desta vez, o cinema estará disposto a tratá-lo como o líder que sempre foi nas outras mídias.