Vídeos criados por IA estão chegando ao Disney+ e CEO comenta limites da iniciativa

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A Disney confirmou que vídeos criados com ajuda de inteligência artificial começarão a aparecer no Disney+ nos próximos meses. A novidade faz parte do acordo firmado com a OpenAI em 2025 e foi comentada diretamente por Bob Iger durante a primeira teleconferência de resultados trimestrais da empresa em 2026.

Apesar da atenção gerada pelo tema, o CEO deixou claro que essa iniciativa não interfere nos planos atuais da companhia para filmes e séries. Segundo ele, o uso da tecnologia tem um foco bem definido e não altera o restante da programação da Disney.

A parceria com a OpenAI foi anunciada em dezembro e envolve um contrato de três anos, com investimento de US$ 1 bilhão por parte da Disney. Pelo acordo, a empresa de tecnologia licenciou cerca de 250 personagens do catálogo da Disney para uso em suas ferramentas.

Vídeos curtos feitos com Sora no Disney+

Durante a conversa com os analistas, Iger explicou que os primeiros conteúdos criados com o Sora, ferramenta de geração de vídeo da OpenAI, devem começar a aparecer no Disney+ ainda neste ano fiscal de 2026.

Esses vídeos terão duração limitada, com até 30 segundos, e fazem parte de uma estratégia voltada ao consumo de formatos curtos, já bastante populares em outras plataformas digitais.

A Disney revelou no mês passado que esses vídeos verticais serão adicionados ao catálogo do streaming ao longo de 2026. Segundo Iger, a ideia é aproveitar o crescimento desse tipo de conteúdo em serviços como o YouTube, sem alterar o foco principal da plataforma.

Usuários também poderão criar conteúdo

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Além de exibir vídeos produzidos com a tecnologia, a Disney estuda permitir que os próprios assinantes criem conteúdos curtos dentro do Disney+, utilizando as ferramentas do Sora.

Para Iger, isso representa uma forma de adicionar novas funcionalidades ao serviço e ampliar o envolvimento do público com a plataforma.

“Esse acordo acelera nossa capacidade de oferecer vídeos curtos no Disney+. Também esperamos usar as ferramentas do Sora para permitir que os assinantes criem seus próprios vídeos curtos dentro da plataforma.”

Ele reforçou que vê a iniciativa como um passo positivo, voltado a ampliar o uso do aplicativo e a interação com o público.

Sem efeito sobre filmes e séries tradicionais

Questionado diretamente sobre possíveis reflexos da parceria com a OpenAI no restante da produção da Disney, Iger foi categórico ao responder que não enxerga qualquer efeito sobre a programação tradicional de filmes e séries.

“Eu realmente não vejo que isso terá qualquer efeito sobre o resto da programação.”

A fala busca afastar preocupações de que o uso de inteligência artificial possa substituir produções convencionais ou alterar o modelo atual dos estúdios da empresa.

Tema sensível em Hollywood

O uso de IA segue sendo um assunto delicado na indústria do entretenimento. O tema ganhou ainda mais atenção após as greves prolongadas do sindicato dos roteiristas e do SAG-AFTRA, em negociações anteriores, nas quais a tecnologia já era motivo de tensão.

Além disso, grandes empresas de mídia, incluindo a própria Disney, moveram ações judiciais contra companhias de tecnologia, alegando uso indevido de obras protegidas por direitos autorais no treinamento de modelos de IA.

No mesmo período em que fechava acordo com a OpenAI, a Disney também enviou notificações formais ao Google, relacionadas ao uso de conteúdos em ferramentas como o Gemini.

Como a Disney enxerga o uso da inteligência artificial

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Ao ampliar o comentário sobre o tema, Bob Iger destacou três frentes nas quais a Disney vê valor no uso da inteligência artificial: apoio ao processo criativo, ganho de eficiência operacional e maior proximidade com o consumidor.

Segundo ele, a tecnologia pode ajudar equipes a trabalharem de forma mais eficiente e, ao mesmo tempo, permitir uma relação mais direta entre a empresa e o público.

Sobre a data exata de estreia dos vídeos criados com o Sora, Iger afirmou que a empresa ainda não definiu um cronograma detalhado.

A expectativa é que os conteúdos comecem a ser lançados em algum momento do ano fiscal de 2026, que se encerra em setembro.

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