
Enquanto o novo live-action Branca de Neve da Disney segue em cartaz nos cinemas, vale lembrar de uma adaptação bem menos conhecida, e muito mais sombria. Lançado em 1997, o filme Floresta Negra, dirigido por Michael Cohn, traz uma releitura do conto dos irmãos Grimm que se distancia bastante das versões clássicas.
A produção mistura elementos de terror psicológico com fantasia gótica. Aqui, a madrasta não é apenas má por inveja: sua crueldade surge a partir de luto, rejeição e um casamento sem afeto. O filme começa com uma cena intensa em que Lord Hoffman (Sam Neill) realiza um parto de emergência na floresta, e o clima pesado segue até o fim.
Uma vilã construída de forma mais realista
Na história, Branca de Neve é chamada Lilly e interpretada por Monica Keena. A madrasta, Claudia, é vivida por Sigourney Weaver, que ganha bastante destaque. Ao contrário de outras versões, Claudia não começa como vilã. Sua transformação acontece aos poucos, marcada por perdas e frustrações.
O filme mostra como o sofrimento acumulado a leva ao limite. Sua relação com o marido é fria, ela sofre a perda de um bebê e não consegue se aproximar da enteada. A partir disso, sua conexão com a magia escura se intensifica, criando cenas marcadas por alucinações, violência e colapsos emocionais.
Terror com raízes no mundo real

Apesar do uso de elementos mágicos, Floresta Negra ancora suas situações em temas reais. O horror está presente nas perdas, nas dores não processadas e na forma como cada personagem lida com a dor.
A produção trabalha com visual sombrio e cenários pesados, explorando elementos como sangue, suor e sujeira. Os mineradores — que substituem os tradicionais anões — também enfrentam seus próprios traumas e mágoas, enquanto Lilly e seu pai mantêm viva a memória da mãe falecida por meio de um pequeno memorial.
Will, o interesse romântico da protagonista (vivido por Gil Bellows), carrega culpa por uma tragédia familiar que ele sente ter causado. A dor não resolvida aparece em quase todos os personagens, sempre com consequências.
Uma abordagem diferente sobre contos de fadas
O final de Floresta Negra se afasta da ideia de “final feliz garantido”. A história não gira apenas em torno do bem vencendo o mal, mas sim sobre o que acontece quando traumas não são enfrentados.
A forma como Claudia termina sua jornada é diferente de qualquer outra versão da madrasta que já apareceu no cinema. O filme usa o gênero do terror para lidar com temas como luto e saúde mental, algo que produções como O Babadook fariam anos depois.
Branca de Neve (2024) está em cartaz nos cinemas. Floresta Negra pode ser alugado ou comprado no Amazon Prime Video e na Apple TV.