
Tem momentos em que uma série avisa que vai fazer algo, e você fica semanas esperando. Tem outros em que a coisa acontece de um jeito tão bem construído que até quem torcia contra muda de ideia na mesma hora. O episódio exibido em 1º de abril fez exatamente isso com Uma Mente Excepcional.
A penúltima parte da segunda temporada finalmente levou Morgan e Wagner para o território que a série vinha contornando há tempos. O beijo aconteceu. E quem esperava algo forçado ou apressado se surpreendeu.
O episódio colocou Morgan e sua equipe na caçada a um grupo de ladrões altamente treinados, o mesmo responsável pelo assassinato da noiva e parceira de Wagner em Sacramento. Um caso pessoal demais para qualquer investigador. E, de fato, pessoal demais para Wagner, que acabou bêbado na cena do crime e precisou ser carregado por Morgan até em casa.
Já dentro da casa dele, Wagner se abriu de um jeito que raramente acontece na série. Lembrou, em detalhes, o momento em que a noiva sangrou até morrer em seus braços. Uma vulnerabilidade diferente de tudo que ele havia mostrado antes. E quem já tem alguma experiência com séries de TV sabe que álcool, vulnerabilidade e estresse costumam ter um único destino. Wagner tentou beijar Morgan ali mesmo, mas ela teve o bom senso de sair antes que a situação fugisse do controle.
O que veio depois, porém, foi ainda mais intenso. Por ser a única pessoa que havia visto o mapa da base dos criminosos, Morgan ficou na linha de frente da emboscada organizada pelo LAPD e quase não saiu viva.
Um dos ladrões a encurralou com uma arma apontada para ela, e quem veio ao resgate foi Wagner. Mais tarde, quando ele finalmente colocou as mãos no atirador responsável pela morte da noiva, foi Morgan quem impediu que a situação terminasse em tragédia.
O peso do dia caiu sobre os dois de formas diferentes. Morgan tentava se recompor diante do espelho. Wagner apareceu no elevador. Três palavras de Morgan (“Você está bem?”) foram o suficiente para que ele desse o passo que a série havia adiado por tantos episódios. Quando finalmente se afastou, a resposta veio simples e direta: “Estou.” Então ele saiu, deixando Morgan com muito o que pensar.
E como de costume em Uma Mente Excepcional, o beijo chegou no pior momento possível. Enquanto Morgan e Wagner viviam aquele instante no elevador, Soto e Karadec estavam do outro lado analisando uma foto de Willa Quinn com o pai de Wagner, o que levantou uma série de dúvidas sobre o papel do novo capitão em tudo aquilo.
O episódio mudou o que você sentia por Wagner?

Essa é a pergunta do episódio. E a resposta deve ser “sim”.
Na semana passada, muita gente estava contra essa possibilidade. No meio do próprio episódio, com Wagner fazendo sua tentativa bêbada de beijo, a reação natural era um sonoro “não”. Mas ao longo da hora, a série fez um trabalho considerável para aproximar o público do personagem: a cena correndo na praia sem camisa, os momentos com o cachorro, os detalhes dolorosos da história dele. Foi quase como se seis episódios de desenvolvimento tivessem sido comprimidos em um único.
O problema é que isso também expõe uma fragilidade da temporada. Wagner foi irregular, tanto nas ações quanto na presença dentro dos episódios. Se esses momentos tivessem sido distribuídos ao longo da temporada, a chegada ao beijo teria muito mais peso. O personagem custou a criar raízes, e parte do crédito por qualquer simpatia que ele gerou veio do trabalho acumulado de Steve Howey ao longo dos anos.
Quem acompanhou a temporada sabe que Morgan e Karadec sempre foram uma combinação mais natural. Mas Karadec está em um relacionamento sólido com Lucia, e enquanto isso for verdade, outros caminhos ficam em aberto. A série provavelmente vai encontrar o próprio jeito de complicar essa felicidade. Mas por enquanto, o beijo no elevador foi o que ficou.
Uma Mente Excepcional está disponível no Disney+.