
O Disney+ começou a enviar, nos últimos dias, uma pesquisa detalhada para alguns assinantes brasileiros. Pelo conteúdo das perguntas, fica claro que a plataforma está tentando entender melhor o nível de satisfação do público, especialmente em pontos que vêm sendo alvo de críticas frequentes.
A pesquisa não aparece para todos os usuários e chega por e-mail ou notificação, deixando claro logo no início que não é anônima. As respostas podem ser associadas aos dados da conta do assinante e usadas para análises internas e ações de marketing, conforme a política de privacidade do serviço.
Preço e custo-benefício no centro da avaliação
Entre os temas mais sensíveis abordados pelo questionário estão preço e custo-benefício. O Disney+ pede que o assinante avalie diretamente se considera o valor cobrado adequado e se recomendaria o serviço para amigos ou familiares.
Hoje, o Disney+ Premium custa R$ 66,90 por mês, o que o coloca como o plano de streaming mais caro do Brasil. O valor supera concorrentes diretos, incluindo a Netflix, cujo plano mais completo custa R$ 59,90.
Veja como os principais serviços se posicionam atualmente no país:
- Disney+: Premium (R$ 66,90), Padrão (R$ 46,90) e Padrão com anúncios (R$ 27,99)
- Netflix: Premium (R$ 59,90), Padrão (R$ 44,90) e Padrão com anúncios (R$ 20,90)
- HBO Max: Platinum (R$ 55,90), Standard (R$ 44,90) e Básico com anúncios (R$ 29,90)
- Globoplay: Premium (R$ 39,90) e Padrão com anúncios (R$ 22,90)
- Apple TV+: R$ 29,90
- Prime Video: R$ 19,90
- Paramount+: Premium (R$ 34,90) e Básico (R$ 19,90)
Não por acaso, várias perguntas pedem que o assinante classifique o serviço como “ruim”, “razoável”, “bom”, “muito bom” ou “excelente” quando o assunto é preço.
Sensação de poucos lançamentos

Outro ponto que chama atenção é o foco na quantidade e variedade de conteúdo. O Disney+ pede avaliações específicas sobre:
- Conteúdo novo adicionado ao serviço
- Filmes e séries originais ou exclusivos
- Seleção de séries de TV
- Documentários
- Conteúdo local e internacional
- E um ponto crítico que sempre gera reclamações: falta de dublagem ou legendas em PT-BR
Essas perguntas indicam que a plataforma está atenta à sensação recorrente de que há poucos lançamentos, percepção que se intensificou após a fusão com o Star+ em 2024, que inicialmente resultou em um catálogo muito mais cheio, mas depois a estratégia de novos conteúdos desacelerou, principalmente de filmes licenciados de outros estúdios.
Aplicativo, experiência e comunicação com o usuário

A pesquisa também entra em detalhes sobre a experiência de uso do aplicativo, pedindo avaliações sobre qualidade de áudio e vídeo, estabilidade da reprodução, organização do catálogo e facilidade para encontrar algo para assistir.
Outro bloco importante analisa como o Disney+ se comunica com o assinante, incluindo e-mails, notificações no celular e informações sobre conteúdos que chegam em breve. Esse é um ponto frequentemente criticado, já que o serviço costuma adicionar títulos sem aviso prévio.
Há ainda perguntas sobre perfis, controle parental, legendas, dublagens, downloads, reprodução automática, lista “Continuar Assistindo” e até a utilidade da lista de conteúdos mais assistidos.
Comparação direta com outros streamings
Na parte final, o Disney+ pergunta quais outros serviços o assinante utiliza, incluindo Netflix, HBO Max, Globoplay, Prime Video, Apple TV+ e Paramount+. Também há um bloco dedicado à relação do usuário com marcas como Disney, Marvel, Star Wars, Pixar, National Geographic, Hulu e ESPN.
O questionário termina com perguntas demográficas básicas e um campo aberto para comentários finais sobre o serviço.
Um sinal claro de atenção ao descontentamento
O conjunto das perguntas deixa claro que o Disney+ está ciente das insatisfações envolvendo preço, volume de novidades e comunicação com o público. Embora não exista qualquer garantia de mudanças imediatas, a pesquisa indica que a empresa está mapeando com cuidado onde o serviço tem perdido força aos olhos dos assinantes.
Resta agora acompanhar se essas respostas vão se refletir em ajustes práticos nos próximos meses ou se a pesquisa ficará apenas como um termômetro interno dessa insatisfação.