Steven Soderbergh revela por que não acredita mais em filme de Ben Solo

Ben-Solo-Kylo-Ren-Star-Wars Steven Soderbergh revela por que não acredita mais em filme de Ben Solo

Há projetos que não chegam às telas, mas deixam uma marca. A Caçada por Ben Solo era um deles. A ideia de explorar a jornada de Kylo Ren antes de se tornar o vilão que os fãs conheceram em A Ascensão Skywalker chegou a ter nome, diretor, roteirista e interesse interno na Lucasfilm. E mesmo assim, não foi adiante.

O que torna essa história ainda mais curiosa é de onde ela veio. Não foi um executivo ou um produtor que bateu à porta de Steven Soderbergh com a proposta. Foi o próprio Adam Driver quem acendeu a chama, convencido de que havia algo mais a dizer sobre aquele personagem.

Soderbergh, cineasta conhecido por trabalhos como Onze Homens e um Segredo e Contagion, não é exatamente o nome que se imagina à frente de um épico de ficção científica. E foi exatamente por isso que a ideia chamou atenção. O projeto carregava uma promessa diferente: Star Wars visto por outros olhos.

Mas a Lucasfilm passou por mudanças de liderança, a Disney ganhou nova cúpula, e o projeto ficou para trás. Agora, em entrevista ao The Playlist, Soderbergh fechou a porta de vez.

“Se fosse para acontecer, teria acontecido”

A pergunta era direta: com a nova liderança na Lucasfilm, haveria alguma chance de retomar A Caçada por Ben Solo? A resposta de Soderbergh foi mais direta ainda: “Não.”

O diretor também foi questionado se Andor, a série de Tony Gilroy que redefiniu o que uma produção de Star Wars pode ser, teria de alguma forma inspirado o projeto. Soderbergh esclareceu que tudo começou antes mesmo da série ir ao ar.

“Bem, não quero dizer que não teve influência, porque isso faria parecer que eu assisti Andor e não teve absolutamente nenhum impacto em mim, o que não é verdade. Foi excelente. Mas isso tudo foi antes da série estrear. Eu e Adam começamos a conversar, e isso foi há quase três anos.”

A iniciativa, ele reforçou, partiu do próprio Driver. “Foi o próprio Adam dizendo: ‘Acho que ainda há algo a explorar com esse personagem.’ Foi assim que tudo começou. Caso contrário, eu nunca, em um milhão de anos, teria voltado para esse universo.”

O projeto chegou a avançar de forma consistente. Um primeiro rascunho foi entregue a Kathleen Kennedy e Cary Beck, então presidente e vice-presidente da Lucasfilm, além do chefe criativo Dave Filoni. Os três demonstraram interesse. Scott Z. Burns, roteirista de Contágio, foi chamado para trabalhar na versão final do script.

Mesmo com esse caminho percorrido, o projeto não sobreviveu à análise de Bob Iger e Alan Bergman, os chefes da Disney. E aí parou.

Sem arrependimentos

Soderbergh não guarda mágoa. Ao falar sobre o tempo investido no projeto, comparou o processo a um treino cujos efeitos aparecem mais tarde.

“Não me arrependo de um minuto do tempo que passamos trabalhando nisso. Senti que o trabalho era bom. É bom estar naquela sala e trabalhar nisso. É como CrossFit, faz bem para você. Vai ter um efeito residual inesperado em algum momento.”

E quando percebeu que o filme não sairia do papel, agiu como costuma agir. “Assim que ficou claro que não ia acontecer, sentei e comecei a escrever outra coisa. É tipo: ‘Ok, novo cenário, vamos em frente.’ Chega um ponto em que reclamar é como reclamar do clima. Você só precisa seguir. Olha, se fosse para acontecer, teria acontecido. É simples assim.”

A Caçada por Ben Solo fica então naquela gaveta onde vivem os projetos que quase existiram. Com diretor confirmado, ator empenhado, roteirista contratado e interesse dentro da Lucasfilm, chegou mais longe do que a maioria. Mas “mais longe do que a maioria” ainda não é o suficiente quando quem decide é a Disney.

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