
Poucos nomes carregam tanto peso na cultura pop quanto Stephen King. Autor de clássicos do terror, ele também tem opiniões firmes sobre o que assiste, e não hesita em compartilhá-las publicamente. Já elogiou Dark, da Netflix, chamando-a de uma ficção científica perturbadora e brilhante. Já criticou Kill Bill, de Quentin Tarantino, sem papas na língua. Quando Stephen King fala, as pessoas ouvem.
Desta vez, o escritor escolheu o Threads para declarar seu entusiasmo por Paradise, série disponível no Disney+ aqui no Brasil. E o que ele disse foi mais do que um simples “gostei”.
Em uma publicação recente, King escreveu:
“‘Paradise’ (Hulu): A primeira temporada é boa, a segunda é ainda melhor. Raridade das raras. A atuação é boa, a história se sustenta de verdade, e os diálogos são a melhor parte. Afiados. Poucos clichês. O maior elogio: Elmore Leonard assistiria a isso.”
A menção a Elmore Leonard não é aleatória. Leonard foi um dos maiores escritores de thrillers policiais dos Estados Unidos, responsável por obras como Cidade Primitiva e Hombre, além do conto Os Indomáveis, adaptado duas vezes para o cinema, com destaque para a versão de 2007 com Russell Crowe e Christian Bale.
Leonard também escreveu um livro chamado Mr. Paradise. Compará-lo a qualquer obra atual é, na prática, o elogio mais alto que um escritor do calibre de King poderia fazer.
O que torna Paradise tão difícil de parar de assistir

A série começa com Xavier Collins (Sterling K. Brown), um agente do Serviço Secreto americano ainda abalado pela morte de sua esposa, Teri (Enuka Okuma). Quando Xavier encontra o corpo do ex-presidente Cal Bradford (James Marsden), uma investigação tensa se instala, e o espectador começa a receber informações em conta-gotas sobre o mundo em que os personagens vivem.
Tudo parece perfeito até o episódio de estreia revelar a verdade: Xavier e um grupo seleto de sobreviventes habitam um imenso bunker subterrâneo no Colorado, criado para proteger a humanidade de um evento de extinção que destruiu a superfície. A primeira temporada mantém a tensão confinada a esse espaço, que vai se tornando cada vez mais perigoso à medida que os segredos aparecem.
O que Paradise faz melhor é mergulhar nas camadas mais complicadas das relações humanas, marcadas por luto, perda e ressentimentos acumulados. A relação tensa entre Xavier e Bradford antes da morte do presidente pesa sobre tudo, especialmente porque a verdade sobre o mundo lá fora é muito mais complexa do que parece.
A série usa flashbacks com frequência, e esse recurso funciona bem porque os cortes entre passado e presente são orgânicos e acrescentam contexto sem travar o ritmo. A segunda temporada amplia o escopo da história com mais confiança, e há quem especule que a terceira possa incluir viagem no tempo como elemento central da trama.
Dan Fogelman, criador da série e conhecido pelo drama familiar This Is Us, construiu um universo cheio de conspirações, mistérios e conceitos que transitam entre o realismo e o fantástico. Paradise estreou como uma aposta discreta e foi ganhando força episódio a episódio.
No Brasil, a série está disponível no Disney+, dentro do catálogo Hulu da plataforma, com novos episódios da segunda temporada toda segunda-feira.