
Quando Paradise revelou sua grande virada na primeira temporada, ficou claro que a série queria ir além de um suspense político sobre a morte de um presidente dos Estados Unidos. Aos poucos, a história se abriu para um cenário de ficção científica em escala bem maior, mostrando um mundo devastado após uma catástrofe natural que mudou completamente a vida dos sobreviventes.
Agora, na segunda temporada, a série parece ter encontrado um novo caminho. Depois de resolver alguns dos maiores enigmas do primeiro ano, a produção passou a espalhar pistas de que pode haver algo ainda mais estranho por trás dos acontecimentos recentes.
E, pelo que os episódios mostraram até aqui, cresce a sensação de que Paradise talvez esteja nos preparando para uma história envolvendo viagem no tempo.
Desde os primeiros capítulos da temporada, alguns detalhes começaram a chamar atenção. Um dos mais importantes aparece quando Dr. Louge alerta Sinatra de que sobreviver ao desastre inicial não significa que o pior passou. Segundo ele, os gases presos na atmosfera ainda podem elevar drasticamente a temperatura da Terra, evaporar os oceanos e, mais adiante, condenar quem restou vivo no planeta.
Essa fala funciona como um aviso importante porque sugere que a ameaça principal talvez nem seja o fim do mundo já visto, mas uma segunda catástrofe ainda maior.
Ao mesmo tempo, Sinatra segue ligada a um projeto secreto dentro do bunker, desviando energia para mantê-lo em funcionamento. A origem desse projeto também chama atenção: ela tomou o controle de uma empresa ligada a um professor que estudava funções de onda avançadas, superposição e emaranhamento quântico, termos muito associados à física teórica e, em muitas histórias de ficção científica, a experiências com tempo e realidades paralelas.
Além disso, a temporada insiste em mostrar um detalhe estranho: os sangramentos no nariz. Link sofre com isso logo no primeiro episódio, justamente quando fala sobre ir ao bunker do Colorado para matar uma figura misteriosa chamada Alex. Depois, Xavier também passa pelo mesmo sintoma e começa a ter visões em que aparece ao lado de Link em um corredor.
O ponto curioso é que Xavier descreve essas imagens como se fossem uma memória, mas não uma lembrança de algo que já viveu. Essa observação muda bastante o peso da cena. Se ele sente aquilo como memória, mas de algo que ainda não aconteceu, a série está sugerindo uma experiência fora da ordem normal do tempo.
Outro momento que reforça essa leitura aparece no início do episódio 6, em um flashback ambientado em 1997. Nele, um homem recebe mensagens estranhas avisando que “um assassino vai nascer”, além de trazerem o horário exato do nascimento de Jane.
A questão óbvia é: como alguém poderia saber disso com tanta precisão? Dentro da lógica mais comum, não faria sentido. Já dentro de uma trama com interferência temporal, isso passa a soar menos absurdo.
Alex pode ser a chave da temporada

A presença constante de Alex também ajuda a alimentar esse mistério. Durante a temporada, o nome surge repetidas vezes, mas sem uma explicação clara. Não se sabe ao certo se Alex é uma pessoa, uma máquina ou algo ainda mais estranho. O que se sabe é que Sinatra tem grande interesse no assunto e que Link e seu grupo querem eliminar Alex antes que seja tarde.
Em determinado momento, a única informação repassada sobre Alex é que ele ou isso está “evoluindo”. Esse detalhe abre espaço para várias interpretações. Uma delas é a de que Alex não seja humano, mas sim algum tipo de sistema criado para alterar o destino do planeta ou interferir nos acontecimentos de forma drástica.
Essa hipótese ganha força porque quase ninguém dentro do bunker parece saber do projeto, nem mesmo figuras importantes da estrutura de comando. Se Alex fosse apenas uma ferramenta de salvação, seria natural que mais gente estivesse envolvida. O segredo em torno do nome sugere algo muito mais arriscado.
Com isso, Paradise parece caminhar para uma fase em que o perigo deixa de ser apenas político ou ambiental e passa a envolver a própria noção de tempo. As visões, os sangramentos, as mensagens enviadas décadas antes e o cerco em torno de Alex formam um conjunto de pistas que não parece estar ali por acaso.
Ainda não dá para afirmar exatamente qual será a resposta da série. Mas, se essas peças realmente estiverem apontando para a mesma direção, a segunda temporada pode estar preparando uma virada grande, em que passado, presente e futuro deixam de ser linhas separadas e passam a fazer parte do mesmo conflito.
A segunda temporada de Paradise tem mais dois episódios pela frente, que serão lançados em 23 e 30 de março.