
A trajetória de Pantera Negra dentro do MCU mudou o rumo da carreira de muita gente envolvida no projeto. Para Ryan Coogler, diretor do filme, a experiência foi transformadora de formas que só ficaram claras com o passar do tempo.
Antes mesmo da estreia do longa, Chadwick Boseman já se destacava em Hollywood. Papéis em produções como Capitão América: Guerra Civil e, depois, Pantera Negra o colocaram no centro das atenções, abrindo caminho para uma fase que apontava para grandes reconhecimentos.
A morte do ator, em 2020, após uma batalha contra o câncer, interrompeu esse percurso e obrigou a Marvel Studios a rever completamente os planos para a continuação da franquia.
As conversas que ficaram entre diretor e ator
Em entrevista recente ao The Hollywood Reporter, Ryan Coogler falou abertamente sobre o maior aprendizado que levou da convivência com Boseman durante as filmagens de Pantera Negra.
Segundo o diretor, ele vivia um momento de extrema pressão quando comandou o filme. Jovem, exausto e inseguro, acabou não aproveitando como poderia a chance de trabalhar ao lado do ator.
“Eu tinha cerca de 30 anos, estava estressado, sem dormir, convencido de que o filme não ia funcionar. Acabei me impedindo de curtir aquele privilégio”, contou.
Coogler disse que, na época, não conseguia simplesmente sentar e apreciar as cenas gravadas por Boseman. “Ele não tinha uma tomada ruim. Quando ele se foi, pensei: quantas coisas eu deixei de aproveitar porque estava preso na minha própria cabeça, achando que não merecia aquilo?”
O diretor afirmou que passou a encarar o trabalho de outra forma após essa perda. “Vou levar os ensinamentos do Chad para o resto da minha vida. Preciso enxergar o valor das coisas e não deixar a insegurança ou a culpa roubarem momentos com o elenco que eu amo”, disse.
Essa mudança de postura se tornou ainda mais necessária durante a produção de Pantera Negra: Wakanda Para Sempre. Sem Chadwick Boseman, o filme precisou ser reconstruído desde a base.
A decisão da Marvel foi não substituir o ator. T’Challa morre fora de cena, e Shuri assume o manto do herói no longa lançado em 2022. A personagem seguirá ativa em Vingadores: Doutor Destino e, dentro do universo dos filmes, a expectativa é que o título de Pantera Negra passe futuramente para Toussaint, filho de T’Challa.
Filmando Wakanda sem Chadwick Boseman

Coogler descreveu o processo como doloroso, mas necessário. “Precisávamos trabalhar a partir da dor, senão o filme não teria acontecido. Eu e Chad estávamos ficando mais próximos. Foi como se alguém tivesse tirado o sol, e nós ficássemos flutuando”, relembrou.
Ao olhar para trás, o diretor diz que descobriu algo importante sobre si mesmo. “Aprendi que sou mais resiliente do que imaginava”, afirmou. Ele também destacou como Wakanda Para Sempre encontrou um público específico, sendo muito assistido em casa por pessoas que buscam um tipo particular de experiência.
O primeiro Pantera Negra recebeu indicação ao Oscar de Melhor Filme e venceu três estatuetas, nas categorias de figurino, trilha sonora original e design de produção.
Atualmente, Coogler promove Pecadores, produção que bateu recorde de indicações ao Oscar. Para Kevin Feige, presidente da Marvel Studios, o trabalho do diretor merece reconhecimento máximo. “A música foi algo muito forte para mim. Falei para o Ryan que fiquei impressionado. Só por isso já merecia ganhar”, declarou.
A entrevista também confirmou que Pantera Negra 3 será o próximo filme de Ryan Coogler. O projeto deve chegar aos cinemas após Vingadores: Guerras Secretas, com previsão interna apontando para o início de 2028.