Líderes internacionais reagem à vitória da Paramount sobre a Warner

Warner-Bros-Logo Líderes internacionais reagem à vitória da Paramount sobre a Warner

A decisão da Netflix de se afastar do acordo envolvendo a Warner Bros abriu caminho para que a Paramount avançasse na negociação liderada por David Ellison. A reviravolta movimentou executivos, produtores e distribuidores ao redor do mundo.

Segundo apuração do Deadline, a notícia caiu como uma bomba no setor audiovisual. Embora o negócio ainda dependa de aval de reguladores nos Estados Unidos e na União Europeia, o clima entre líderes internacionais já é de forte reação, com opiniões divididas.

Entre entusiasmo e preocupação, o que se vê é um mercado atento às consequências da possível fusão.

Temor por cortes

Um dos principais pontos levantados por executivos ouvidos pelo Deadline envolve demissões. A sobreposição de funções em duas grandes estruturas pode gerar cortes expressivos.

Um veterano líder de estúdio afirmou: “Os cortes serão brutais.”

Outro executivo regional foi ainda mais crítico ao comentar o modelo financeiro por trás da operação: “Só o cronograma de pagamento da dívida já é algo difícil de imaginar. Se a Netflix achou que não fazia sentido naquele valor, o que faz alguém na Paramount acreditar que conseguirá fazer funcionar?”

Ele continuou: “É muito fácil economizar cortando orçamento e pessoas. É muito mais difícil crescer um negócio de forma orgânica e estruturada.”

Também surgiram preocupações sobre possível redução de diversidade criativa e maior padronização de conteúdo, cenário que parte da indústria enxerga como risco.

Críticas ao modelo da Paramount

Um produtor-financiador europeu classificou o momento como uma oportunidade perdida para o setor:

“Eu tocaria o alarme, porque parece que a transação é totalmente movida por fatores econômicos e não pelo parceiro estratégico correto.”

Ele acrescentou: “A Paramount não tem histórico de grande inovação. Não há razão para esperar algo diferente do que vemos em outras fusões: sobreposição, consolidação e menos risco.”

Outro produtor que trabalha com estúdios americanos declarou: “Como muitos, fico horrorizado que isso esteja acontecendo. A Paramount já teve dificuldade para administrar um estúdio, imagine dois. Eles terão que cortar muito.”

Apoio ao acordo e críticas à Netflix

Apesar das críticas, nem todos enxergam a vitória da Paramount de forma negativa. Alguns executivos consideram que o mercado pode sair fortalecido sem a ampliação do domínio da Netflix.

Um chefe de distribuição europeu afirmou: “A aquisição pela Paramount é melhor do que pela Netflix porque, no fundo, David Ellison é produtor. Ele gosta de cineastas.”

Outro executivo de distribuição destacou: “A venda para a Paramount é melhor para o mercado. A Netflix já domina demais. Em poucos anos, manteria o circuito tradicional apenas para alguns títulos e lançaria o restante direto na plataforma.”

Exibidores também demonstraram alívio com a saída da Netflix do acordo. Tim Richards, fundador e CEO da rede Vue, comentou recentemente: “É lamentável que a Warner esteja nessa posição. É um estúdio incrível. No ano passado, faturou US$ 4,2 bilhões em bilheteria.”

Ele completou: “Operadores de cinema no mundo inteiro tentaram trabalhar com a Netflix por 15 anos, sem sucesso. É frustrante.”

Dinheiro do Oriente Médio

Outro ponto que chamou atenção foi a origem de parte do financiamento, com aportes vindos de Qatar, Abu Dhabi e Arábia Saudita. Para alguns executivos, isso levanta dúvidas sobre possíveis contrapartidas futuras.

Um veterano da indústria baseado no exterior declarou: “Essas são perguntas importantes. Talvez nunca saibamos as respostas, mas a ideia de soberanos do Oriente Médio controlarem grandes fatias da mídia dos EUA é chocante.”

Outro profissional da região foi direto ao comentar a motivação do investimento: “Claro que é uma busca por influência.”

O que acontece agora?

Apesar da movimentação intensa nos bastidores, o acordo ainda precisa passar por avaliação regulatória. Não se trata de um capítulo final, mas de mais uma etapa em uma das negociações mais comentadas do setor de entretenimento nos últimos anos.

Enquanto isso, o mercado internacional observa atentamente. Para alguns, trata-se de um ajuste necessário no tabuleiro. Para outros, é um sinal de alerta em uma indústria que já atravessa um momento delicado.

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