
James Cameron construiu uma carreira marcada não apenas por avanços tecnológicos no cinema, mas por imagens que ficam gravadas na memória do público. Seus filmes costumam apostar em finais fortes, pensados para prolongar a experiência muito além da sala de cinema.
Com Avatar: Fogo e Cinzas, isso não foi diferente. O longa, que já figura entre os maiores sucessos de 2025 e segue firme rumo à marca de US$ 1 bilhão, encerra sua história com uma cena que rapidamente chamou a atenção dos fãs mais atentos.
O motivo não está apenas no que acontece em Pandora, mas na semelhança clara com o desfecho de outro filme icônico da filmografia de Cameron.
A cena final de Avatar: Fogo e Cinzas lembra o encerramento de Titanic

Após o confronto final, com a derrota de Quaritch e Varang, Jake e sua família se conectam a Eywa em um momento de comunhão profunda. Paralelamente, Spider entra no mundo espiritual ao lado de Kiri, sendo recebido pelos ancestrais pela primeira vez.
Visualmente e conceitualmente, a sequência lembra muito o encerramento de Titanic. No clássico de 1997, Rose retorna ao navio naufragado e reencontra Jack em uma espécie de plano espiritual, cercada por figuras do passado.
Nos dois casos, Cameron constrói a transição começando debaixo d’água. Em Fogo e Cinzas, Spider se conecta a Eywa enquanto a câmera se move de forma suave e contemplativa. Em Titanic, o movimento leva o espectador até os destroços do navio no fundo do oceano.
A paleta fria de azuis domina o início das duas cenas, criando um clima de silêncio e reflexão. Em seguida, quando os personagens atravessam para outro plano, o visual muda para tons mais quentes e luminosos, reforçando a sensação de passagem para um espaço diferente do mundo físico.
Outro ponto em comum é o uso da câmera em primeira pessoa, fazendo com que o público atravesse essa transição junto com Spider e Rose, compartilhando o impacto do momento.
O tema do reencontro como recompensa final
A semelhança não é apenas estética. As duas cenas giram em torno da ideia de reencontro.
Em Titanic, Rose retorna ao momento mais feliz de sua vida, cercada por pessoas que marcaram sua história. Já em Avatar: Fogo e Cinzas, a entrada de Spider no mundo espiritual representa sua aceitação definitiva como parte do povo Na’vi.
Mesmo após perdas importantes ao longo da narrativa, como as mortes que marcam profundamente os personagens, Cameron opta por encerrar a história oferecendo um tipo de conforto. Não se trata de apagar a dor, mas de mostrar que existe algo além dela.
Esse recurso aparece de forma recorrente em sua filmografia e ajuda a explicar por que seus finais costumam provocar uma sensação de completude no público.
O paralelo entre Avatar: Fogo e Cinzas e Titanic reforça como Cameron revisita temas e estruturas que funcionam de forma tão emotiva, mas adaptando-os a contextos diferentes.
Por trás do espetáculo visual e da grandiosidade técnica, existe uma preocupação constante em recompensar personagens e espectadores após jornadas intensas. É nesse equilíbrio que seus filmes encontram força, criando finais que convidam à reflexão e permanecem vivos na memória muito tempo depois dos créditos finais.
Avatar: Fogo e Cinzas segue em exibição nos cinemas. Titanic está no Disney+.