Funcionários da Warner e da Paramount temem demissões em massa após acordo

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A decisão que colocou a Paramount à frente na disputa pela Warner Bros. caiu como um terremoto nos bastidores de Hollywood. Depois de dias em que parecia que a Netflix já tinha o negócio garantido, o estúdio centenário acabou aceitando a proposta rival.

Agora, enquanto o mercado acompanha os próximos passos regulatórios, quem trabalha dentro das empresas já se prepara para mudanças profundas.

Nos corredores da Warner Bros., o clima descrito por fontes é de tensão e incerteza.

Segundo reportagem do Page Six, publicada no site oficial do veículo, a percepção em parte da indústria é que não havia um cenário realmente confortável. Um agente de Hollywood resumiu a situação em termos duros:

“Era guilhotina ou pelotão de fuzilamento. Por 100 anos, os estúdios não podiam se fundir. Isso é terrível para o nosso negócio, terrível para o sul da Califórnia.”

A declaração reflete o receio de que a consolidação reduza ainda mais o número de estúdios independentes em operação e diminua oportunidades de trabalho.

Medo de cortes em massa

O maior temor envolve demissões. Em fusões desse porte, a eliminação de cargos considerados redundantes é quase inevitável. Quando a Disney adquiriu a Fox, milhares de funcionários perderam seus empregos, e muitos acreditam que o novo acordo pode seguir caminho parecido.

De acordo com o Page Six, fontes internas afirmam que o cenário pode ser ainda mais severo do que teria sido em um eventual acordo com a Netflix. Um funcionário descreveu o que espera:

“Há tantos departamentos sobrepostos que eu nem consigo entender direito.”

A razão é estrutural. Paramount e Warner Bros. operam há décadas com modelos muito semelhantes. Ambas mantêm redes de TV, canais a cabo, divisões de cinema, marketing, distribuição e produção. Ao unir duas estruturas quase idênticas, cortes tornam-se uma possibilidade concreta.

Por que a Netflix seria diferente?

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Analistas apontam que, caso a Netflix tivesse vencido a disputa, o número de sobreposições poderia ser menor. A gigante do streaming não possui rede aberta de televisão nem uma estrutura tradicional de canais lineares comparável à dos estúdios clássicos.

Isso poderia ter criado mais espaço para absorver profissionais da Warner dentro de áreas complementares, em vez de simplesmente extinguir cargos duplicados.

Apesar da apreensão, qualquer mudança concreta ainda depende da aprovação de órgãos reguladores antitruste nos Estados Unidos. Esse processo pode levar meses.

Somente após essa etapa é que eventuais cortes devem começar a ser definidos. Até lá, o clima entre equipes das duas empresas é de expectativa e cautela.

Independentemente do desfecho, a consolidação reforça uma tendência clara em Hollywood: menos grandes estúdios independentes e um mercado cada vez mais concentrado. Para muitos profissionais, isso significa disputar espaço em um cenário com menos vagas do que havia poucos anos atrás.

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