
Desde que chegou ao Disney+, Zootopia 2 rapidamente se tornou o título mais assistido da plataforma em vários países, incluindo o Brasil, e trouxe novamente Judy Hopps e Nick Wilde para uma nova investigação em Zootopia.
Mas, além da história policial e do humor característico da franquia, a animação também colocou um tema curioso no centro da trama: o papel das cobras no equilíbrio da natureza.
Agora, um artigo publicado pela Scientific American aponta que a produção da Disney acertou ao abordar esse assunto. Segundo o texto, a forma como o filme trata esses animais se aproxima bastante do que a ciência sabe sobre a importância das serpentes nos ecossistemas.
Na história de Zootopia 2, Judy e Nick acabam envolvidos em um mistério ligado a uma família de serpentes, incluindo Gary A’Cobra, uma víbora que tenta mostrar que sua espécie não merece o estigma que carrega.
Dentro do universo do filme, os répteis foram afastados da sociedade dominada por mamíferos. Ao longo da investigação, os protagonistas passam a questionar esse preconceito e buscam entender por que as cobras foram expulsas da cidade.
De acordo com especialistas citados pelo Scientific American, essa abordagem faz sentido do ponto de vista científico. A herpetóloga Emily Taylor, diretora do laboratório de Ecologia Fisiológica de Répteis da California Polytechnic State University, explica que as serpentes ocupam uma posição crucial na cadeia alimentar.
Esses animais são classificados como mesopredadores, ou seja, se alimentam de pequenos roedores, mas também servem de alimento para predadores maiores, como aves de rapina, texugos e coiotes. Isso faz com que participem de duas partes diferentes da cadeia alimentar ao mesmo tempo.
Taylor resume a situação de forma direta: “Se elas desaparecessem, estaríamos em grandes problemas.”
Sem cobras, ratos poderiam dominar o ambiente

Uma das consequências mais graves seria o crescimento descontrolado de populações de roedores. Sem a presença das serpentes, ratos e camundongos teriam menos predadores naturais e poderiam se multiplicar com facilidade.
Esse aumento afetaria diretamente plantações e vegetação nativa. Segundo os pesquisadores citados na reportagem, a expansão desses animais poderia causar danos enormes a lavouras e a ambientes naturais.
Um estudo publicado em 2024 analisou o comportamento da cobra-marrom, comum na Austrália. Os cientistas calcularam que um único indivíduo adulto pode consumir cerca de 50 camundongos por ano. Em áreas rurais com grande presença dessas serpentes, isso representa milhares de roedores removidos anualmente em cada quilômetro quadrado de fazenda.
As cobras também ajudam a reduzir doenças associadas a roedores, como hantavírus, peste bubônica e doença de Lyme.
Animais também ajudam a espalhar sementes
As pesquisas indicam outro papel interessante desempenhado pelas serpentes. Em alguns casos, elas podem ajudar na dispersão de sementes.
Isso acontece quando a cobra se alimenta de pequenos mamíferos que ingeriram sementes. Parte desse material acaba sendo eliminado posteriormente, acompanhado de nutrientes que funcionam como fertilizante natural, facilitando a germinação.
Esse processo contribui para a renovação da vegetação em determinados ambientes.
Apesar dessas funções importantes, as serpentes continuam entre os animais que mais despertam medo entre os seres humanos. Uma pesquisa da Gallup realizada em 2001 mostrou que muitos norte-americanos consideravam as cobras o maior de seus temores, superando até situações como falar em público ou enfrentar lugares fechados.
Esse receio não surge completamente sem motivo. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, mordidas de cobra causam entre 81 mil e 137 mil mortes por ano no mundo.
Ainda assim, os especialistas lembram que os números variam bastante dependendo do acesso a tratamento médico. Nos Estados Unidos, por exemplo, as mortes por picadas de serpentes ficam em torno de cinco casos anuais.
Produções culturais costumam retratar serpentes apenas como vilãs, o que reforça o medo popular. Filmes e histórias frequentemente colocam esses animais como ameaças permanentes.
Zootopia 2 segue por outro caminho ao mostrar que as cobras também fazem parte do equilíbrio do ambiente e que o preconceito contra elas pode surgir de uma visão distorcida.
Ao colocar esse tema no centro da trama, a animação acaba aproximando entretenimento e ciência. Mesmo com elementos fantásticos típicos do universo da Disney, o filme ajuda a lembrar que esses animais desempenham um papel muito importante na natureza.