Documentário mostra a Disneyland em caos meses antes da inauguração

Disneyland-California Documentário mostra a Disneyland em caos meses antes da inauguração

A Disneyland é hoje tão integrada ao imaginário popular que muita gente esquece o quão improvável foi sua criação. Ingressos disputados, calendários lotados e debates sobre preços fazem parte da rotina atual, mas nem sempre foi assim. O novo documentário Disneyland Feita à Mão, já disponível no Disney+, volta no tempo para mostrar um parque ainda longe da forma que o público conhece.

A produção reúne imagens inéditas e registros pouco vistos que revelam a corrida contra o relógio para erguer a Disneyland em apenas um ano. O resultado é um retrato direto de um projeto que esteve à beira do colapso em vários momentos.

Um parque construído em tempo recorde

Dirigido por Leslie Iwerks, o documentário se baseia em cerca de 200 horas de filmagens gravadas durante o período que antecedeu a inauguração do parque, em julho de 1955. O material foi registrado originalmente para uma série semanal exibida na TV americana, responsável por financiar parte da obra.

O filme acompanha o período mais crítico da construção, quando a Disneyland ainda era, literalmente, um canteiro de obras. Estradas inacabadas, áreas alagadas, estruturas improvisadas e decisões tomadas sob pressão fazem parte do que é mostrado na tela.

A proposta é simples e direta: mostrar como algo que parecia inviável seguiu adiante mesmo diante de erros, falta de dinheiro e prazos apertados.

Bastidores mostram falhas, riscos e improviso

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Entre os momentos mais marcantes estão cenas de trabalhadores esculpindo o concreto do Castelo da Bela Adormecida poucos meses antes da abertura, enquanto os custos do parque disparavam. Há também registros de acidentes evitados por pouco, com máquinas tombando e operários saltando no último segundo.

O documentário não esconde os erros. Um dos exemplos mais curiosos envolve a tentativa frustrada de construir um rio artificial, algo que precisou ser aprendido na prática, com falhas sucessivas até funcionar.

Tudo isso reforça o quanto o projeto esteve longe de qualquer sensação de controle absoluto.

Uma visão crua, sem romantização excessiva

Diferente de outras produções sobre a história da Disney, Disneyland Feita à Mão adota um tom observacional. Leslie Iwerks praticamente sai de cena e deixa que as imagens e depoimentos da época conduzam a experiência.

Em vez de vender o parque, como acontecia nas gravações originais feitas para a TV, o documentário mostra uma Disneyland desorganizada, coberta de lama, madeira e concreto fresco. Em um dos trechos, um dos diretores de arte descreve o local como “nada além de um monte de sujeira”, enquanto a verba já estava quase no fim.

Essa escolha dá ao filme um peso histórico raro, ao apresentar o parque antes de qualquer polimento.

Um retrato de um período específico dos Estados Unidos

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O documentário também contextualiza o momento em que a Disneyland surgiu. A inauguração aconteceu em um período de incertezas nos Estados Unidos, marcado pelo pós-guerra e por tensões políticas constantes. Nesse cenário, o parque surge como um espaço pensado para reunir famílias em torno de experiências compartilhadas.

Mais do que nostalgia, o filme trata a Disneyland como uma ideia ousada, construída sem garantias de sucesso, em um prazo que hoje parece impensável até para projetos bem menores.

Um material que quase não chegou ao público

Outro ponto curioso revelado no documentário é que o filme ficou pronto há anos, mas permaneceu engavetado. Segundo a diretora, foi a insistência de um executivo da Disney que garantiu que o projeto finalmente chegasse ao público.

O resultado é um registro histórico que vai além do interesse de fãs da marca. Disneyland Feita à Mão funciona como um estudo sobre criação sob pressão, improviso e trabalho artesanal em larga escala.

Ao mostrar o parque ainda em estado bruto, o documentário oferece uma perspectiva rara sobre como a Disneyland nasceu longe da perfeição e só ganhou sua forma definitiva depois de muitos riscos, erros e decisões tomadas no limite do tempo.

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