
Em 1995, quando o primeiro Toy Story chegou aos cinemas, brincar significava pegar um boneco, uma boneca ou um carrinho e deixar a imaginação correr solta. Os brinquedos eram os protagonistas indiscutíveis da infância. Três décadas depois, o cenário mudou tanto que a própria franquia precisou encarar essa transformação de frente.
É exatamente isso que Toy Story 5 se propõe a fazer. E o resultado é a criação de uma vilã diferente de tudo que Woody, Buzz e Jessie já enfrentaram: não é um brinquedo rancoroso, não é um colecionador obsessivo. É a tecnologia em si, personificada em Lilypad, uma novidade que chega à vida de Bonnie e muda completamente a forma como ela quer brincar.
Lilypad será interpretada pela atriz Greta Lee na versão original e Priscila Amorim na dublagem brasileira, e representa algo genuinamente ameaçador para os personagens da franquia: um dispositivo tecnológico muito mais atraente do que qualquer brinquedo de plástico poderia ser.
O diretor Andrew Stanton, uma lenda da Pixar com títulos como WALL-E e Procurando Nemo no currículo, não tentou dourar a pílula ao falar sobre o que Lilypad representa. Para ele, a premissa do filme parte de uma verdade simples e um pouco assustadora.
“Quando a tecnologia entra, ela vence”, disse Stanton à Empire. “Acontece com adultos e com crianças. Ela simplesmente vence. Então esse era o ângulo mais interessante: não há competição. Coloca uma criança brincando com brinquedos, joga uma tela no meio e veja o que acontece. Apoiamos essa verdade e nos divertimos com ela.”
Foi justamente essa constatação que justificou, aos olhos do diretor, a existência de um quinto filme. A pergunta que ficou sem resposta por anos não era sobre para onde Woody iria a seguir, mas sobre o que aconteceu com o lugar dos brinquedos no mundo real. “A maior coisa que ficou pendente todo esse tempo é a forma como a tecnologia usurpou o tempo de brincar na vida real. Lily representa o que estamos enfrentando”, explicou.
Nem tudo está perdido

Apesar do diagnóstico sombrio, Stanton garante que o filme não vai terminar com Woody na fornalha. O diretor encontrou motivo para otimismo em um lugar próximo: sua codiretora, McKenna Harris, tem 30 anos, a mesma faixa etária dos filhos dele.
“Não estou descartando essa geração como uma geração perdida. Eles são tão curiosos, apaixonados e inteligentes quanto você já achou que a sua geração foi. Isso me deixou muito mais esperançoso sobre como os jovens vão navegar por tudo isso do que eu estava antes.”
A batalha pela atenção de Bonnie está prestes a começar.
O filme chega aos cinemas do Brasil em 18 de junho e traz novamente Tom Hanks como a voz de Woody, ao lado de Tim Allen como Buzz Lightyear e Joan Cusack como Jessie.