
Aos 73 anos, Delroy Lindo vive um momento especial na carreira. Depois de décadas entregando atuações elogiadas no cinema, o ator finalmente recebeu sua primeira indicação ao Oscar.
Em entrevista ao The Hollywood Reporter, Lindo falou sobre o reconhecimento por Pecadores, relembrou sua trajetória e comentou a possibilidade de integrar o elenco de Pantera Negra 3.
Do clássico Malcolm X ao faroeste Vingança & Castigo, o ator sempre deixou sua marca em produções de diferentes estilos. Agora, é a vez de Delta Slim, personagem do terror dirigido por Ryan Coogler, colocá-lo no centro das atenções da temporada de premiações.
Mesmo com o destaque recente, Lindo evita se colocar na posição de estrela principal.
“Eu não tenho desejo algum de me diminuir, mas não penso em mim como protagonista. Eu me vejo como ator de personagens”, afirmou.
Ele explicou que seu foco sempre foi preencher o espaço do papel da forma mais completa possível: “Eu penso em como posso desenvolver esse personagem ao máximo e ocupar o espaço que ele tem no roteiro da maneira mais eficaz. Não tem a ver com ser protagonista ou não. Tem a ver com fazer o melhor trabalho possível.”
Em Pecadores, Lindo interpreta um tocador de harmônica que enfrenta a dureza do sul dos Estados Unidos na era das leis segregacionistas. Embora tenha menos tempo de tela do que outros personagens, sua presença é determinante na história.
Para compor o papel, ele mergulhou em pesquisas sobre o blues e a cultura do Delta do Mississippi.
“Tudo começou quando Ryan me enviou dois livros: Blues People, de Amiri Baraka, e Deep Blues, de Robert Palmer. Depois disso, comecei minha própria pesquisa. Assisti a documentários, ouvi muita música, Son House, Howlin’ Wolf, Muddy Waters, Ike Turner.”
Um dos momentos mais comentados do filme é um monólogo dentro de um carro, que termina com um lamento cantado. Lindo revelou que essa parte não estava totalmente no roteiro:
“Aquele final do monólogo, quando eu solto aquele lamento, foi improvisado. Fizemos seis ou sete tomadas, mas a base da cena já estava no roteiro do Ryan.”
Reconhecimento tardio
O ator também comparou a repercussão atual com a reação que recebeu por sua atuação em Destacamento Blood, de Spike Lee, em 2020.
“Eu nunca tinha vivido algo daquela magnitude em termos de reconhecimento. Era gigantesco. Parecia que minha mãe tinha escrito aquelas críticas.”, disse, rindo. “Isso agora tem sido muito parecido.”
Lindo destacou ainda o quanto o retorno do público o motiva. Segundo ele, ouvir relatos de pessoas que se sentiram tocadas por seus personagens ajudou a mantê-lo firme ao longo dos anos.
Desejo de estar em Pantera Negra 3
Com Pantera Negra 3 em desenvolvimento na Marvel, Lindo não escondeu o interesse em voltar a trabalhar com Ryan Coogler.
“Eu disse ao Ryan que, se as estrelas se alinharem, eu adoraria estar em Pantera Negra 3.”
Segundo o ator, o diretor demonstrou cuidado ao falar sobre uma possível participação: “Ele disse que qualquer coisa que me oferecesse teria que valer a pena. Não foram exatamente essas palavras, mas era essa a ideia. E eu respeito isso.”
Enquanto aguarda os desdobramentos do Oscar e possíveis novos projetos, Delroy Lindo segue ativo e ainda busca financiamento para dirigir seu próprio roteiro, Jabari’s People, ambientado nas Montanhas Azuis da Jamaica.
Após quase cinco décadas de carreira, o reconhecimento chegou em um momento em que ele continua olhando para frente, aberto a novos desafios e colaborações.